Inhotim |Parte 1 – congestão sensorial

Imaginem um Éden dantesco, de 100 hectares, que une natureza e arte contemporânea. Somem-lhe lagos e cisnes, orquídeas suspensas, esculturas, bancos-árvore. Temperem tudo com espécies botânicas raras e o som da terra (sim, isso mesmo).

“Impossível conceber tamanho paraíso”, dirão. No entanto, ele existe e chama-se INHOTIM. Reserva ecológica, museu ao ar livre, centro de arte contemporânea ou jardim botânico… O Instituto não cabe numa definição, nasceu para ser saboreado. Portanto relaxem e deixem-se contagiar pelo espírito slow motion de Inhotim.

O complexo fica num lugarejo mineiro chamado Brumadinho, a 60 quilómetros de Belo Horizonte (MG). O caminho sinuoso não impede os visitantes de chegarem aos magotes. E entende-se porquê: o espaço é maravilhoso, com um projeto paisagístico perfeito, cinco lagos emoldurados pela vegetação, em contraste com galerias modernistas. Exageros? Google it e comprovem!

A cada esquina, as obras de arte misturam-se com a paisagem, em simbioses fantásticas, muitas delas criadas em função do espaço. Aliás, a própria natureza concorre em criatividade com a obra humana, revelando-se em toda a exuberância.

Para explorar a imensidão do recinto, o mapa e os carrinhos eléctricos são indispensáveis. Alguns poderão apreciar uma de duas visitas temáticas (são grátis):  com foco artístico ou ambiental. Como arte e botânica não fazem parte do meu espectro intelectual, e levava o meu petiz de 3 anos pela mão, optei pela deambulação vagabunda. Foi um passeio pausado e feliz.

A certo ponto tropeço na Tamboril: não portugueses, não é um peixe, é uma espécie nativa. Sinto-me liliputiana perto da árvore, majestosa nos seus 90 anos! Sabem? Não consigo descrever a riqueza botânica do Inhotim sem lançar mão aos números: mais de 4.200 espécies, 334 destas são orquídeas, e uma das maiores colecções de palmeiras do mundo com cerca de 1.400 variedades.

O acervo inclui ainda várias espécies raras ou ameaçadas, nomeadamente uma flor-cadáver de 3 metros, que se abre em todo o seu esplendor apenas 48 horas por ano, e que exala um cheiro putrefacto de carne em decomposição (infelizmente estive ali em outubro e a flor gigante floriu em dezembro).
Não fora o roncar do estômago subir de tom, para níveis quase embaraçosos, e teríamos esquecido a hora de almoço. Escolhemos o restaurante Tamboril, belissimamente enquadrado num jardim de esculturas, que homenageia a sua homónima vegetal e tem um buffet delicioso. Acreditem, a comida mineira é das melhores do país.
Um dos muitos bancos-árvore que convidam ao descanso. À direita, a majestosa Tamboril.
Para além deste, existem outros restaurantes no complexo, com serviço a la carte e buffett, bem como bares, pizzarias e omoleterias, para os visitantes com orçamento controlado. É que o Inhotim pode ser um parque mas não permite piqueniques: deixe o farnel em casa (estou a imaginar uma excursão de minhotos carregados com o garrafão de vinho e o assador de chouriços).
Finda a lauta refeição, retomamos os caminhos do Inhotim, com todos os vagares do mundo. Falei-vos do som da terra… pois foi para lá que nos dirigimos. A instalação fica numa galeria que parece uma estação espacial, completamente despida. No centro, um pequeno buraco prolonga-se em direcção às entranhas da terra, onde microfones geológicos captam o seu pulsar. É como se escutasse o bater do coração do planeta!!
Esta é apenas uma das 33 galerias que acolhem exposições temporárias. Mas, não vos querendo provocar uma congestão sensorial, voltaremos a Inhotim noutro dia. E falaremos de arte!

 

2018-12-10T20:18:15+00:00

5 Comments

  1. Helena Branquinho 22 Maio, 2012 em 9:10 - Responder

    Adorei conhecer! Já está anotado no roteiro!:)

  2. Kathia Bazoni 23 Maio, 2012 em 18:00 - Responder

    Que lindo!!! Mais um lugar maravilhoso que preciso conhecer… Obrigada pela dica! Grande abraço.

  3. Ruthia 23 Maio, 2012 em 19:05 - Responder

    Helena, em breve poderás conhecer este lugar maravilhoso, se Deus quiser.

    Kathia, seja muito bem vinda! Colocarei outro texto sobre Inhotim ainda esta semana… E sim, vale realmente a pena uma visita demorada. Conceito de primeiríssimo mundo!
    Beijinhos para vocês

  4. MARILENE 26 Maio, 2014 em 5:26 - Responder

    Por incrível que pareça e morando tão perto, só estive lá recentemente. Hospedei uma grande amiga, que mora em São Paulo, e que veio a BH com destinos traçados, entre os quais Inhotim. Ficou deslumbrada, assim como eu. A riqueza que ali existe é inestimável. Bjs.

  5. Nativos do Mundo 12 Dezembro, 2015 em 0:00 - Responder

    Inhotim é um orgulho para nós, brasileiros! Já fui duas vezes e já planejo voltar! 🙂

Deixe o seu comentário