Old Prague. Uma noite perfeita ao luar

A cidade nasceu na Old Prague, em Staré Mĕsto, na Idade Média. Daqui estendeu os seus braços, labirínticos, até transbordar na margem oposta do Vltava.

O coração da cidade continua a bater aqui, na Praça Velha, ao compasso do tic tac do belíssimo relógio concebido no século XV pela dupla Kadan e Sindel. Continua a bater enquanto os raios de sol se alongam e as sombras tocam no campanário da Catedral de Tyn, se insinuam depois nas fachadas dos edifícios coloridos, envolvendo por fim a estátua do reformista Jan Huss.

Um formigueiro de gente espera em frente ao relógio astronómico pela hora certa, momento em que os apóstolos ganham vida e se exibem à multidão. Podia pesquisar explicações científicas sobre este Orloj, como ele revela a posição do sol, da lua, das estrelas, das estações do ano e do zoodíaco. Mas basta-me apreciar a sua beleza, antever o génio que o construiu, pressentir o símbolo do infinito no seu desenho.

Basta-me sentir o ambiente desta praça, velha e cheia de charme, que ganha vida depois do pôr-do-sol. Basta-me comer um pouco de Prague Ham, assado na rua e cortado ainda no fogo, e finalizar com um trdelník, o doce tradicional coberto de açúcar.

O relógio astronómico de Praga

Os turistas parecem formiguinhas, à espera da hora certa do relógio astronómico.

brincadeiras na praça velha

O tradicional trdelník, a assar no espeto, numa barraquinha de rua.

O tradicional trdelník, a assar no espeto, numa barraquinha de rua.

 

Para esta noite ser perfeita, basta, por fim, sentar-me no chão desta praça, como já fiz em tantas outras praças europeias, e desfrutar de um concerto de piano surpreendente. E, em certo momento, quando as notas do Clair de Lune sobem na noite estrelada, basta-me fechar os olhos, deixar que a música me inunde o peito e as lágrimas rolem pelo rosto.

O Pedrinho, inquieto, pergunta “o que se passa, mamã?”. E eu respondo que este é um choro de felicidade, por estar aqui, nesta noite estrelada, com o meu pequenino encostado a mim, a ouvir esta música tão maravilhosa. Peço-lhe que ele feche também os olhos e ouça, simplesmente. Ele acede e as últimas notas do piano esgotam-se nesta estranha comunhão.

Sinto que este momento, perfeito no tempo e no espaço, me lavou a alma do desgaste emocional dos últimos meses, com tantas mudanças, que culminaram com o meu regresso a Guimarães. Senti-me novamente eu. Feliz!

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2019-10-01T13:07:21+00:00

20 Comments

  1. ✿ chica 9 Setembro, 2014 em 11:10 - Responder

    Que beleza de momentos. Mágicos mesmo e imagino que as lágrimas não podiam ser controladas! Bom poder vivenciar tudo isso! E saber agradecer é grandioso! bjs, tuuuuuuuuuuuuuuuudo de bom,chica

  2. Marta Iansen 9 Setembro, 2014 em 12:55 - Responder

    As fotos estão lindas, mas o texto é sensacional. Nada mais a dizer…

  3. Adriana LARA 9 Setembro, 2014 em 13:19 - Responder

    que lindo Ruthia!!! e ler esse teu post ao som de tão bela música, também me eixou com lágrimas nos olhos… lágrimas de felicidade por ter uma amiga tão querida que compartilha conosco tamanha beleza cultural, seja pelos lugares em que passa, seja por suas palavras poéticas!! Até breve… até sexta-feira!!! bjs já de malas prontas!!

  4. Lúcia Bezerra de Paiva 9 Setembro, 2014 em 14:53 - Responder

    Conhecer um pouco mais de Praga, tendo a companhia da Ruthia com o seu menino Pedro, foi de grande emoção, pela beleza visual,musical e descritiva do delicioso passeio. Só tenho a agradecer e deixar o meu carinhoso abraço…com um até breve!

  5. Nilson Barcelli 9 Setembro, 2014 em 18:07 - Responder

    Mais um excelente post, de novo sobre Praga.
    Gostei das imagens e das palavras.
    Boa semana, querida amiga Ruthia.
    Beijo.

    • Ruthia 9 Setembro, 2014 em 19:06 - Responder

      Olá amigo poeta, regressou de férias? Tenho mais posts sobre Praga no forno. Setembro será o mês da capital da República Checa!
      Abraço, e como diz uma amiga, boa rentrée

  6. Calu B. 10 Setembro, 2014 em 15:54 - Responder

    Como é sempre surpreendente o vibrar emotivo que nos toca assim, sem aviso prévio e traz à tona os sentires que nem sabíamos escondidos.Ao ler-te, te vi junto ao pequeno e acompanhei contigo o enlevo doce desta musicalidade ao luar majestoso em Praga, cidade tão encantadora, quanto mágica.
    Tive um episódio parecido quando mudei de cidade após 20 anos.Foi numa sala de espetáculo onde assistia com os filhos a apresentação dum conhecido compositor, que em dado momento cantou uma música sobre a cidade em que vivíamos e não consegui esconder o choro que me rolava livre pela face, e ele percebendo isso trinava em compassos mais longos.Nunca me esqueci desta ocasião e tenho certeza que você jamais se esquecerá da noite enluarada em Praga.

    Bjinhus, Ruthia.
    Calu

  7. Stephanie 10 Setembro, 2014 em 19:40 - Responder

    Oi amiga, não te preocupes, as vezes ele sumiu por algum errinho do blog mesmo 😀
    É óbvio que vc jamais apagaria algum comentário de suas leitoras!!! Tranquilo!!!
    Então, ainda são ideias sabe, mas é um roteiro que me encantaria muito conhecer e nessa ocasião então, ficaria mais perfeito. Mas eu ainda estou vendo pq não sei quantos dias meus noivo conseguirá tirar para aproveitarmos… mas se não for dessa vez, com certeza estará nos planos futuros!!!
    Beijos, Té

  8. Anónimo 10 Setembro, 2014 em 19:45 - Responder

    Wow, Prague seems like such a magical place, and I love the photos, especially that with the huge bubbles, you captured the spirit of that awesome city!

  9. Sissym Mascarenhas 10 Setembro, 2014 em 20:14 - Responder

    Ruthia,

    Morrendo de saudades deste lindo lugar! É magico mesmo.

    Bjs

  10. Anne Lieri 10 Setembro, 2014 em 21:00 - Responder

    Oi Ruthia! Mais uma bela postagem com imagens incríveis,deslumbrantes! Adorei saber mais sobre Praga e essa música é simplesmente mágica! Imagino como vc curtiu! bjs,

  11. Sandra Cristina de Carvalho 11 Setembro, 2014 em 2:17 - Responder

    Olá Ruthia, aqui estou, retribuindo a visita e, primeiramente, já comentando sobre a escolha desse vídeo, cuja música é uma das minhas preferidas no gênero. Amei a sua narrativa, bem de quem é jornalista mesmo, muito interessante as fotos e perceber o seu amor pelos livros e viagens e família, tudo me encantou. Amei a frase lá do cabeçalho, sobre 'ser um saltimbanco.' Lindas imagens e postagem incrível.
    Uma noite abençoada!!!!
    Abraços.

  12. Maria Izabel Viégas 11 Setembro, 2014 em 22:17 - Responder

    Ruthia,
    sempre uma alegria quando você vem ao meu Viajantes!
    Fiquei em êxtase com o relógio astronômico, ( coisas de astróloga) já o conhecia, mas ficou muito mais vivo com a Ruthia e o seu cavaleiro Pedrinho.
    Suas imagens são belíssimas pois têm a sua essência nelas. Vai além das fotos frias.
    É a sua vida, seu abraço amoroso com este pequeno. É vida e plena de amor.
    Já vai partir , amiga?
    Li o seu saltibanco – viajante nos livros e ao vivo mesmo. Textos maravilhosos.
    No meu Viajantes viajo no tempo, mergulho na metafísica. Meu blog começou com esse espírito e dentro em breve vai voltar a este formato. Do meu trabalho. Por enquanto vou falando das minhas impressões da alma.
    Querida, onde estiver, que esteja muito feliz!
    Um beijo bem gostoso no teu filhote!
    E para vc, todo meu carinho.
    Grata por estar comigo!
    Vc no faz bem. Tem um toque de luz!

    • Ruthia 12 Setembro, 2014 em 23:54 - Responder

      Que forma linda de terminar o dia. Eu tenho um toque de luz? Obrigada, imensamente obrigada… E sim, estou feliz. Correcção: EU SOU FELIZ!!!

  13. MARILENE 11 Setembro, 2014 em 23:15 - Responder

    Seus textos são poéticos. Você nos leva a passeios lindos, acompanhados pela mesma emoção que viveu nos lugares que visitou. Não fala deles com uma simples apresentação, mas com o coração, o que enriquece as postagens e nos oferece grande prazer ao lê-las. Por um instante, eu me senti lá, olhando as estrelas e ouvindo a música. Tudo mágico, o que seu filho entenderá com a maior facilidade, ao olhar para trás. Esses prédios são relíquias que fazem brilhar os olhos de satisfação. Bjs.

    • Ruthia 12 Setembro, 2014 em 23:53 - Responder

      Obrigada, Marilene. Se você se sentiu lá, cumpri o meu objectivo 🙂 Mas sinto sempre que as palavras ficam aquém do que vivi…
      Um abraço

      P.S. A arquitectura de Praga é de babar, mesmo.

  14. Zilani Célia 12 Setembro, 2014 em 19:24 - Responder

    OI RUTHIA!
    SABE AMIGA, ADMIRO TANTO O QUE ESCREVES QUE A TÍTULO DE CURIOSIDADE E TAMBÉM PARA CONHECER-TE UM POUCO MAIS ABRI TUA PÁGINA " QUEM ESCREVE" E PUDE VER SERES FORMADA EM JORNALISMO E COM UM MESTRADO EM ESTUDOS EUROPEUS, O QUE ME DEU ENTÃO AS FERRAMENTAS PARA ENTENDER TUA HABILIDADE COM AS PALAVRAS E FACILIDADE EM OBSERVAR AS BELEZAS QUE TE ESTÃO NA FRENTE MAS, QUE PARA ALGUM VIAJANTE MAIS DESPREPARADO, FUGIRIA AO "CLIC" DA CÂMERA E A NOTA MENTAL QUE TE DEVE SER AUTOMÁTICA.
    MAIS UM TEXTO LINDO, PASSANDO TODAS AS TUAS EXPERIÊNCIAS E NOS FAZENDO EMOCIONAR JUNTO CONTIGO E COM O "PEQUENO VIAJANTE PEDRO", SENTADOS AO CHÃO, NUMA LINDA NOITE ESTRELADA, NUMA PRAÇA DE PRAGA.
    PARABÉNS AMIGA E OBRIGADA POR NOS PERMITIRES VIAJAR JUNTO A VOCÊS.
    ABRÇS

    • Ruthia 12 Setembro, 2014 em 23:51 - Responder

      Fico tão feliz, Zilani. Esta partilha torna as minhas viagens ainda mais inesquecíveis. Eu é que agradeço a sua presença e o comentário tão amável…
      Beijinho

  15. Jussara Neves Rezende 13 Setembro, 2014 em 0:54 - Responder

    Falar de um lugar é fácil; deixar transparecer na escrita a emoção vivida é para poucos. É por essa razão, minha querida, que suas viagens não são apenas suas, mas de tantos!
    Abraço!

  16. Dulce Morais 27 Novembro, 2014 em 7:56 - Responder

    Ruthia,
    Quando as notas de Debussi nos atingem, é por vezes uma surpresa sentir a emoção que vem avassalar-nos a alma… São lindos e raros momentos que restam nos corações para sempre…
    As mudanças, apesar de nos obrigarem a desfazer-nos de hábitos, a separar-nos de amigos, a habituar-nos a novas referências, novos ritmos, são muitas vezes benéficas! São uma nova porta que se abre para jardins encantados que não teríamos visto de outra forma. Nem sempre é fácil, claro! Afinal, o ouriço pica, mas se o acariciar-mos devagarinho, é doce como veludo 🙂
    Quanto a Praga, já lá vão tantos anos que visitei! Que saudades!
    É uma cidade onde o nosso olhar nunca descansa de tanto que há para ver.
    Linda viagem!

    Beijinhos!

    PS: Estou convencida que o Bruce Willis gostaria de saber que a nova geração, representada pelo seu pequeno explorador, também aprecia a sua calvície! 🙂

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