Hoje perdemo-nos em recordações: memórias de lugares, de pessoas, sabores e aventuras. São ecos já débeis de um ano maravilhoso que se despede… recordemos as viagens de 2017

Este é o meu último texto do ano, quando as luzes chegam, de mansinho, para iluminar um novo capítulo. Sabiamente, Mário Quintana exaltou o “belo truque do calendário” que, em cada novo ano, dá-nos a sensação de recomeço: parece que a vida nos oferece 365 novas páginas em branco.

Ainda que seja uma mera ilusão – porque a nossa gigantesca bagagem pessoal, profissional e familiar não desaparece à meia-noite do dia 31 de Dezembro – sabe muito bem sonhar todas as possibilidades que um novo capítulo representa. Mas antes de mergulhar de cabeça em novos planos, lancemos um último olhar sobre o passado próximo…

Resumir 365 dias em meia dúzia de linhas e algumas imagens não é fácil. O lado bom é que nos permite saborear novamente os lugares: aí estão, como já é tradição, os postais das nossas aventuras de 2017.

Começámos o ano em Angola, aproveitando para conhecer um pouco melhor Luanda, guiados pelas lindas palavras de Pepetela. Conhecemos também Muxima, o maior centro mariano da África subsaariana, a comunidade chinesa em Angola e o singular Memorial Dr. António Agostinho Neto (MAAN), dedicado ao primeiro presidente pós-independência.

Na Páscoa, rumámos a terras helvéticas em família (tão bom quanto raro), explorando um pouco a Suíça que, descobrimos, é muito mais do que chocolates, relógios e canivetes. Tivemos oportunidade de conhecer Zurique com o seu belo lago, seguindo depois para a capital, Berna, onde fizemos uma visita guiada ao Bundeshaus, o seu belo, imponente e absolutamente simétrico Palácio Federal.

No sul, encantámo-nos com a multicultural e francófona Genebra, capital da paz, onde fizemos um roteiro relojoeiro muito original. Houve tempo ainda para um saltinho a Basileia, a capital cultural do país nas margens do rio Reno, onde a Suíça se confronta com a França e a Alemanha, antes de nos despedirmos com cenários cinematográficos em Lucerna, onde babámos perante uma parede que escorria chocolate…

Aproveitámos também para dar um passeio no Liechenstein, esse micro-país sem exército ou moeda própria, aeroporto ou rede de comboios, governado por um príncipe-empresário que se pode encontrar na rua como qualquer cidadão comum. Na capital, Vaduz, propus mesmo um roteiro artístico com arte moderna, selos, ovos Fabergé e esculturas de Botero.

 

 

O ponto alto do Verão foi uma ida aos Açores, onde voltei a acreditar no paraíso. Estivemos apenas em São Miguel, a maior das 9 ilhas que compõem o arquipélago, que nos encantou com a sua beleza natural, as paisagens atlânticas e vulcões mais ou menos adormecidos, com os seus edifícios históricos em Ponta Delgada e com os seus sabores.

Ainda em Portugal, desta vez continental, destacámos a região do vinho verde, passando pela centenária Quinta da Aveleda, traçando a nossa própria Rota do Românico e conhecendo Amarante, com os seus inusitados doces fálicos. Um pouco mais a norte, fizemos ainda a Rota dos Gigantes do Vale do Lima em quatro localidades minhotas, pela mão de personagens históricas que levaram o nome de Portugal aos quatro cantos do planeta: Ponte da Barca, Ponte de Lima, Viana do Castelo e Arcos de Valdevez.

Ao longo do ano, fizemos várias incursões a Espanha, percorrendo parte do Caminho Português de Santiago, pela costa – Baiona, Pontevedra, parando para conhecer as ilhas Cíes, tão lindas que os romanos lhes chamavam “ilhas dos deuses” – dando um salto à Costa Branca para conhecer o maior palmeiral da Europa e voltando a Madrid, para um roteiro infantil capaz de agradar a visitantes de todas as idades.

 

Madrid

 

O Berço do Mundo em 2017
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