Amante de chocolate e de viagens? Então vai babar com o roteiro de hoje, inspirado no alimento dos deuses. Eis alguns paraísos para os chocólatras

Sabia que existe um turismo do chocolate? Há pessoas que viajam para conhecerem fazendas de cacau, chocolatiers famosos, museus de chocolate, ou que fazem programas para aprender mais sobre o seu pecado favorito. E para degustar, claro.

O chocolate inspirou vários espaços museológicos pelo mundo, do famoso Museu de la Xocolata em Barcelona, com impressionantes esculturas de chocolate, ao Cadbury World em Birmingham. As autoras do blog Estrangeira escreveram um post completo sobre este último: Cadbury World: o fantástico mundo do chocolate em Birmingham.

O marketing turístico dos países produtores de cacau, como o Equador ou São Tomé e Príncipe, é muito orientado para essa actividade. Veja-se o caso do Peru que, para além de “ChocoMuseos” em Cusco e Lima, organiza tours pelas explorações de cacau e possui chocolatiers populares, entre os quais se destaca a Roselen, considerada uma das dez melhores chocolatarias do mundo pela National Geographic Travel.

Depois há eventos específicos inspirados nesta delícia, como o Salon du Chocolat de Paris ou o Festival Internacional de Chocolate de Óbidos. [leia também Óbidos, recantos da vila das rainhas]

Eu nunca viajei com esse único propósito, mas não me importo nada de incluir momentos chocólatras nas minhas viagens. Alguns lugares têm tudo para atrair os amantes de chocolate, garantindo experiências gulosas. Cliquem nos links das atracções, para mais informação sobre horários e preços.

 

Museu do Chocolate de Colónia, Alemanha

A famosa fonte do Museu de Chocolate de Colónia, Alemanha.

Museu do Chocolate (Colónia, Alemanha)

O Schokoladenmuseum fica nas margens do rio Reno, em Colónia, num edifício antigo recuperado que evoca a proa de um barco. O espaço nasceu graças a Hans Imhoff, um fabricante de chocolates que assumiu a fábrica Stollwerk, sediada em Colónia, na década de 1970. Sob a sua direcção, a Stollwerk tornou-se uma das principais fabricantes de chocolate da Europa.

Para além de retratar milénios da história do “alimento dos deuses”, o museu interactivo e multisensorial integra hoje uma mini fábrica da Lindt, que processa cerca de 400 kg de chocolate diários. Ao longo de três pisos, somos transportados para o mundo do cacau/chocolate, começando por uma floresta tropical, com a temperatura e humidade correspondentes, em homenagem aos países produtores.

Mesmo numa visita independente ficamos com uma visão geral da maquinaria, processo de fabrico e transporte (existem também visitas guiadas). Um dos pontos altos da visita é a fonte que jorra chocolate: pequenos waffers são mergulhados para nossa degustação e contentamento.

 

No último piso, existem jogos didácticos para as crianças e várias campanhas publicitárias antigas.  Também é possível encomendar chocolate personalizado, escolhendo os ingredientes.

Para encerrar a visita, há uma loja repleta de chocolates, sobretudo da Lindt, e um café com uma linda paisagem sobre o rio. O Chocolat Grand Café serve chocolate quente, pecaminosos bolos, brownies e fondue de chocolate, mas também sopas, saladas, waffles e gelados. O chocolate quente básico custa 4,70€ e a fatia de bolo da casa 4,30€ (valores de Março de 2020).

Museu do Chocolate: site | Nota: o museu está fechado até 19 de Abril de 2020, por causa da pandemia

Leia também Visitar Colónia | Alemanha: todas as dicas

 

loja Lindt

Aqui pode encomendar o seu chocolate personalizado.

Mestria chocolateira na Suíça

A Suíça é um destino óbvio para chocólatras. Muitas das suas famosas marcas organizam visitas às fábricas, para quem deseja aprender e degustar. Alguns dos tours mais populares são à Maison Cailler em Broc, na parte francesa do país, à Läderach e à Camille Bloch na cidade de Courtelary, a cerca de uma hora de Berna.

A Läderach oferece também workshops em várias localidades suíças. E dizem que os workshops de pralinés da Lindt em Zurique são superconcorridos, apesar de não serem propriamente baratos.

Numa nota mais simples, recomendo uma visita à Sprüngli, incluída na lista de 10 melhores chocolatarias do mundo. Para além do chocolate, esta luxuosa marca é famosa pelos seus Luxemburgerli, que dizem ser melhores do que os macarons franceses. Na dúvida, é provar os dois.

Aliás, basta entrar numa das muitas chocolatarias do país para ouvir um coro celestial. O olfacto é logo activado: somos inundados pelo irresistível aroma do mais puro chocolate. Depois, as papilas gustativas começam a trabalhar, face à abundância de bombons, barras, cascatas e esculturas de chocolate. Aproveitem para pedir uma amostra do sabor que querem comprar.

Eu tive o meu momento chocólatra em Lucerna, onde me deparei com uma parede a escorrer (literalmente) chocolate, em frente à qual, Ferreros Rocher voadores agitavam as suas asas!

Leia aqui o conjunto de posts que resultaram da última viagem à Suíça.

 

Chocólatras amam a Suíça

Uma parede a escorrer chocolate… parece saída dos meus sonhos.

 

Museu do Chocolate (Astorga, Espanha)

Por incrível que pareça, o chocolate é um dos produtos mais tradicionais da cidade de Astorga, cuja produção é secular. Existe mesmo um Museu do Chocolate, instalado no palacete de um dos empresários do ramo: um dos muitos edifícios modernistas da cidade leonesa, por influência de Gaudí.

O cacau chegou a Espanha no século XVI, vindo das colónias sul-americanas, e depressa se reconheceu o seu potencial económico. Sabiam que o chocolate era tomado amargo no México, e só com a chegada dos espanhóis foi adicionado o açúcar? Que este passou a ser tomado quente e rapidamente se transformou num artigo de luxo?

Para além da evolução histórica, no museu podemos ver a maquinaria tradicional e os utensílios usados para misturar, artesanalmente, pasta de cacau com açúcar. O espaço possui também material publicitário de diversas fábricas históricas da região.

Nós visitámos este museu acolhedor há alguns anos e escrevemos sobre a experiência em Astorga do Chocolate. Se vai visitar esta cidade da comunidade de Castilla e León, inclua este pequeno museu, que parece uma casinha de chocolate. A visita termina com degustação!

 

Museu do Chocolate de Astorga

Chocólatras em Bruxelas (Bélgica)

Os fanáticos do chocolate gostarão de conhecer a fonte do chocolate belga. Bruxelas é o destino perfeito para eles, com o Museu do Cacau e do Chocolate – mais conhecido como Choc-Story -, além de muitos chocolatiers famosos. Existem mais de 500 chocolatiers só na capital, um para cada 2 mil habitantes, mais ou menos.

Os belgas estão entre os maiores consumidores de chocolate: 11 quilos anuais, em média, o que será a 3ª taxa de consumo mais alta do mundo. A história do chocolate na Bélgica começa em 1857, quando Jean Neuhaus abriu a sua chocolataria em Bruxelas – a loja original fica na Galerie de La Reine. A casa Neuhaus seria responsável pela invenção do famoso praliné, anos depois.

O roteiro chocólatra na capital belga inclui as galerias Saint Hubert, a Place du Sablon e a Grand Place. Ali ficam as principais e mais recomendadas casas: Mary (que se diz ser a preferida da família real), La Belgique Gourmand, Leonidas, Godiva, Neuhaus, Wittamer, Corné Port-Royal ou La Maison des Maîtres Chocolatiers.

 

Chocolataria em Bruxelas

 

O chocolate belga contém, de uma maneira geral, 100% de manteiga de cacau e, graças a um processo de torrefacção do cacau mais longo, activa ainda mais as papilas gustativas. Sentir o chocolate a derreter na boca é uma espécie de epifania!

Das marcas que conheço, gosto particularmente da Neuhaus e da Leonidas; esta última um pouco mais em conta (julgo que não é artesanal) e, por isso, ideal como souvenir. Existem também lojas multi-marcas que vendem chocolates a peso.

O chocolate belga é um dos nossos 10 motivos para visitar a capital belga

 

Momentos chocólatrass na Bélgica

 

Fábrica do Chocolate (Viana do Castelo, Portugal)

O projecto Fábrica do Chocolate fica num edifício centenário, onde já se fabricou muito chocolate, e une hotel, restaurante e um museu, dedicados à temática. Ali se pode explorar um pouco das origens, história, curiosidades e sabores do chocolate.

Comecemos pelo pequeno hotel que, sublinhe-se, não conheço. Cada um dos 18 quartos é único, inspirado em marcas de chocolate, nas roças de cacau, no imaginário de “Charlie e a Fábrica de Chocolate” ou do clássico Hansel e Gretel. O hotel possui um SPA com tratamentos de chocoterapia e oferece outras experiências, digamos, gulosas e chocólatras.

Existe também um restaurante que experimentei e, confesso, não fiquei fã. Por exemplo, não tinha mousse de chocolate (para desgosto do pequeno explorador) e os pratos que deviam ser polvilhados com grué de cacau, faltou-lhes esse ingrediente caro. O preço que pagámos pela refeição não se justificou.

Por outro lado, achámos o Museu da Fábrica do Chocolate divertido, apesar de pequeno. O espaço – um circuito com cinco espaços diferentes – permite conhecer um pouco das origens do cacau e do processo de fabrico, simulando a produção da nossa própria barra de chocolate, que é entregue à saída.

 

Chocólatras vão gostar de fabricar o seu chocolate

 

Conhecem outros destinos ideais para chocólatras? Acrescentem nos comentários.

 

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