Loulé: na terra de Duarte Pacheco

Loulé fica em pleno barrocal algarvio, entre o litoral e a serra. A Quinta do Lago, o Vale do Lobo e Vilamoura, destinos de férias internacionalmente conhecidos como “Triângulo Dourado”, fazem parte do concelho.  É também a terra de Duarte Pacheco

Sim, estou a falar do Engº Duarte Pacheco. Não me lapidem por suprimir o grau ao senhor (os portugueses são muito agarrados a rótulos académicos). Neste caso, o engenheiro acoplou-se de tal forma ao nome, que muitos ficam confusos sobre a identidade da personagem, se retirarem o título.

Aos amigos estrangeiros, esclareça-se que Duarte José Pacheco foi ministro das Obras Públicas e Comunicações no governo de Salazar. Apesar de ser uma figura da ditadura, o seu trabalho garantiu-lhe o reconhecimento popular.

O “Marquês de Pombal do século XX” modernizou os serviços de correios, revolucionou o sistema rodoviário do país. Foi também o responsável por várias obras emblemáticas como o Estádio Nacional do Jamor, o Parque de Monsanto, a Fonte Luminosa e a Avenida de Roma, em Lisboa.

Este visionário contribuiu ainda para a construção do aeroporto de Lisboa e encomendou o primeiro plano para uma ponte sobre o Tejo. Mais. Foi o responsável máximo da Exposição do Mundo Português de 1940 (acumulava funções como ministro e Presidente da Câmara da capital), mega-evento só superado pela Expo 98.

 

Breve roteiro na cidade

Podemos encontrar ruas e avenidas com o seu nome um pouco por todo o país. Em Loulé, a sua cidade natal a cerca de 20 km de Faro, para além de uma rua e de uma escola, ergueram-lhe um monumento e criaram uma Casa Memória, no edifício onde nasceu.

Este passeio começa precisamente junto ao monumento em sua honra, onde é fácil encontrar estacionamento, ainda que pago. A melhor forma de descobrir uma cidade é a pé, certo? O dito monumento parece incompleto, simbolizando a obra inacabada do estadista que morreu novo, e está emoldurado por uma frase do ditador seu amigo.

Uma vida velozmente vivida e inteiramente consagrada ao progresso pátrio.

Descemos a avenida, rumo ao Mercado municipal. Os mercados são sempre lugares muito animados mas este. Bem, este é realmente especial. O edifício, do início do século XX e inspiração neo-árabe, é lindo de todos os ângulos. Alguém conhece outro mercado de peixe e hortaliças tão belo?

Demoramos por ali, ouvindo os pregões e o burburinho das pessoas perante bancas fartas, com o belo peixe do Algarve, os seus frutos, licores e doces. Não resistimos a uma fatia de bolo de mel e nozes, que vamos saborear num banco de jardim, em frente à tal Casa Memória de Duarte Pacheco. Dizem que ali projectou várias obras mas, infelizmente, a exposição está fechada devido a obras.

 

Casa Museu de Duarte Pacheco em Loulémapa do Algarve
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Um pouco adiante, espreitamos o claustro do Convento do Espírito Santo, onde funciona o Instituto Superior D. Afonso III – adoro quando aproveitam bem os edifícios históricos – e seguimos para a Rua 5 de Outubro, para explorar as lojinhas de artesanato com os seus pratos coloridos.

Neste trajecto, tropeçamos na estátua de António Aleixo junto ao histórico bar Calcinha, muito frequentado pelo poeta-cauteleiro (vendia cautelas da lotaria e era quase analfabeto). O querido poeta do povo viveu e morreu em Loulé. Aliás, o concelho foi berço de vários nomes ilustres, a saber, o anterior Presidente da República (Cavaco Silva) e a escritora Lídia Jorge, recentemente considerada uma das “10 grandes vozes da literatura estrangeira” pela francesa Le Magazine Littéraire.

A manhã quase se fina nas nossas mãos, enquanto fotografo as muralhas do castelo. Escondemo-nos do calor no Jardim dos Amuados, tão pertinho da Igreja Matriz de Loulé! Uma placa explica que o nome do jardim tem raízes populares: o povo achou graça ao facto dos bancos estarem agrupados aos pares, costas com costas.

O jardineiro responsável pelo espaço, meia idade, muito pronto a partilhar a sua filosofia de bolso com os turistas, acha que o Jardim dos Amuados se chama assim porque os casais de namorados podem chegar zangados mas saem de mãos dadas, pazes feitas e assunto arrumado.

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castelo de Loulé

 

E com esta lição nos despedimos, porque é hora do almoço. Espetada de salmão e gambas na despretensiosa Churrasqueira Angolana. Recomendo!

 

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2019-07-16T14:51:32+00:00

15 Comments

  1. Jussara Neves Rezende 29 Agosto, 2013 em 23:14 - Responder

    Ruthia, minha querida, seu texto é realmente delicioso! Percorre-se, através dele, com uma imensa naturalidade, os caminhos que vc percorreu e suas experiências quase viram nossas!
    Obrigada pelo passeio por Loulé e as explicações sobre quem foi esse visionário comparado ao Pombal.
    Amei!
    Ah!… adorei saber que seu resultado no teste dos livros foi igual ao meu, assim como saber que vc morou no Brasil em 2011 🙂
    Abraço!

  2. Beatriz Bragança 30 Agosto, 2013 em 9:26 - Responder

    Querida Ruthia
    Tanta informação sobre pessoas e lugares e tão minuciosa! Muito obrigada.Fiquei a saber coisas que desconhecia por completo.Parabéns pelas pesquisas,
    Obrigada pela partilha.
    Beijinhos da
    Beatriz

  3. ✿ chica 30 Agosto, 2013 em 11:20 - Responder

    Adorei as fotos , a do Pedrinho sentado ao lado pensativo, um amor! E a filosofia do velho jardineiro.Que lindo lugar! Faz mágicas! beijos,lindo fds! chica

    • Ruthia 30 Agosto, 2013 em 11:53 - Responder

      Tem umas tiradas/raciocínios/argumentos que nos levam a pensar que pode vir a ser filósofo, o nosso Pedrinho. Beijinho, querida

  4. Toninha Borges 30 Agosto, 2013 em 13:11 - Responder

    Que lugar maravilhoso.
    O Pedro está uma graça ao lado da vendedora.
    Abraço,
    Toninha

  5. Sinval Santos da Silveira 30 Agosto, 2013 em 15:49 - Responder

    Boa tarde,amiga!
    Fiquei maravilhado com teu trabalho.
    Abraços
    Sinval

  6. Jorge Luiz Fortunato 30 Agosto, 2013 em 17:31 - Responder

    Ruthia
    Que cidade gostosa, tudo tão tranquilo e esse sol brilhando no céu infinitamente azul.
    Gostando muito dessas férias com o menino Pedro.
    Abraços aos dois

  7. Anne Lieri 30 Agosto, 2013 em 20:30 - Responder

    Que beleza de passeio!Adorei ver o Pedrinho fazendo pose,imitando a estátua,que graça!Texto bem interessante e fotos magníficas,parabéns!bjs,

  8. Adriana 30 Agosto, 2013 em 20:37 - Responder

    que lugar esplêndido… e como sempre, um texto sensacional, que nos leva a viajar junto contigo.. fico a imaginar o que será quando estiveres na Itália….. Em Roma, uma amiga me mandou foto da praça Adriana…fiquei sabendo que é em homenagem ao imperador Adriano…me senti ilustre!!
    bjs desejando ótimo final de semana
    tititida dri

  9. Sissym Mascarenhas 30 Agosto, 2013 em 21:54 - Responder

    Ruthia,

    Que cidade mais agradavel!

    Bom final de semana!

    Bjs

  10. Luconi Marcia Maria 31 Agosto, 2013 em 1:48 - Responder

    Ruthia meu anjo viajei mais um bocadinho e aprendi, mas como disse adoro esculturas e as duas estátuas são lindas, perfeitas, bela postagem beijos Luconi ah teu almoço deve ter sido perfeito,salmão e camarão hummmmm dá água na boca

  11. Stephanie 31 Agosto, 2013 em 5:55 - Responder

    Hahahaha adorei a primeira foto, ficou muito legall ;D
    O Pedrinho está demais rs!!!
    Bom fim de semana querida Ruthinha.
    Beijos Té

  12. Paula Teixeira GonÇalves 31 Agosto, 2013 em 20:55 - Responder

    Não sabia nada sobre este insigne Duarte Pacheco. Quem sabe um dia visito a cidade e dou uma vista de olhos. Obrigado pela partilha.

  13. Toninho 3 Setembro, 2013 em 2:31 - Responder

    O bom desta grande familia sãoe sta viagens que fazemos de nossas casas.
    Uma bela partilha com uma otima descrição/recomendações.
    Grato e tenha uma linda semana Ruthia.
    Meu abraço,seguindo por aqui.

  14. Jorge Sancho Galego 26 Outubro, 2019 em 18:35 - Responder

    Todas as obras com assinatura Duarde Pacheco Nao podiam ser realisadas sem os obreiros/pedreiros… anonimos!?..E o jardineiro responsavel Nao tem nome?!

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