Memorial Agostinho Neto. Porque é 4 de Fevereiro

O feriado de 4 de Fevereiro – nome do aeroporto internacional de Luanda – assinala a luta pela independência de Angola. Que melhor lugar para recordar esta data histórica do que o Memorial ao Agostinho Neto, alegremente conhecido como o foguetão?

O singular Memorial Dr. António Agostinho Neto (MAAN) ergue-se num grande descampado da Praia do Bispo, sem deixar ninguém indiferente. A torre de 120 metros vê-se de vários pontos da capital (recordem as minhas primeiras impressões sobre Luanda aqui). Possivelmente, foi inspirada no poema “A Caminho das Estrelas” escrito pelo próprio homenageado:

Seguindo
o caminho das estrelas
pela curva ágil do pescoço da gazela
sobre a onda sobre a nuvem
com as asas primaveris da amizade

Simples nota musical
indispensável átomo da harmonia
partícula
germe
cor
na combinação múltipla do humano

Preciso e inevitável
como o inevitável passado escravo
através das consciências
como o presente

(…)
A liberdade nos olhos
o som nos ouvidos
das mãos ávidas sobre a pele do tambor
num acelerado e claro ritmo
de Zaires Caláaris montanhas luz
vermelhas de fogueiras infinitas nos capinzais violentados
harmonia espiritual de vozes tam-tam
num ritmo claro de África

Assim
o caminho das estrelas
pela curva ágil do pescoço da gazela
para a harmonia do mundo.

 
 
 

O primeiro Presidente pós-independência foi ali perpetuado em bronze, sob uma pérgula branca, a içar a bandeira nacional, para que todos recordem a data da emancipação do povo angolano, as suas lutas e esperanças…

Dezenas de garças e alguns corvos reclamam o grande relvado para si, indiferentes ao grande elefante de pedra que se prostra, respeitoso, em frente a este memorial. É que, no interior da estrutura desenhada pelos soviéticos, repousam os restos mortais do “poeta maior”.

Mais do que um museu/mausoléu, o espaço pretende dar a conhecer a história angolana e perpetuar a vida e obra de Neto, enquanto poeta e estadista. Assim, as paredes estão estampadas com os textos da Proclamação da Independência e os seus poemas.

Para além disso, o MAAN propõe-se como centro artístico, com uma programação que inclui exposições, concertos, palestras, workshops que vão do teatro à dança contemporânea, bem como programas de férias para crianças.

Apesar da importância do monumento, Património Histórico e Cultural de Angola, onde se realizam os desfiles em datas simbólicas como a de hoje, os luandenses não resistem a gracejar com a sua forma peculiar.

O memorial foi inaugurado em Setembro de 2012, no dia em que Neto festejaria 90 anos

 

“Centro Espacial Angola 82: “Praia do Bispo, do you copy?” “Foguetão” na rampa de lançamento.  Ao comando, o piloto que, pelo MPLA, liderou a independência nacional. E esse compasso de espera eterno de décadas, combustível liquefeito em ignição. Hoje, a nave espacial ganhou sentido. Já todos a reconhecem pelo nome: Memorial Dr. António Agostinho Neto. E vai a caminho do sol.” (Pedro Cardoso, em redeangola)

Site do Memorial: aqui | Visitas: terça a sexta 9h às 16h00 | Sábados, Domingos e Feriados 10h às 16h00 | Bilhete: 300 kwanzas (valor simbólico, inclui guia, valores de janeiro 2018)

 

Planeie a sua próxima viagem

Faça as suas reservas através dos links parceiros. Não paga nem mais um cêntimo e para mim faz toda a diferença

  • Encontre os melhores hotéis no  Booking. É onde eu faço as minhas reservas
  • Se precisa de transporte próprio, alugue um carro com a Rentalcars 
  • Reserve os seus bilhetes para monumentos e tours, evitando filas, usando o Get your Guide 
  • Faça um seguro de viagem com a Iati seguros (beneficia de 5% de desconto com este link).

Este post pode conter links de afiliados

2019-10-01T12:24:46+00:00

35 Comments

  1. Catia Mauricio 4 Fevereiro, 2017 em 21:06 - Responder

    Gostei do post beijinhos!

    ❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤
    Meu cantinho Lusitana❤Blog
    “Página- FACEBOOK”

  2. Elvira Carvalho 4 Fevereiro, 2017 em 21:46 - Responder

    Como sabe, tenho paixão por Angola, especialmente por Luanda. Na impossibilidade de lá voltar fico encantada com os seus posts.
    Um abraço e bom Domingo.

    À margem, o Rui não é filho da Teresa. Como deve ter percebido o Rui e o Mário são a mesma pessoa.

    • Ruthia 4 Fevereiro, 2017 em 23:41 - Responder

      Percebi no capítulo seguinte. A Elvira tem o condão de nos deixar em suspense:)
      beijinho

  3. Sissym Mascarenhas 5 Fevereiro, 2017 em 12:47 - Responder

    Ruth ia
    Na verdade, antes de ler seus artigos, eu nada sabia sobre este lugar. A mídia sempre fala de mesmas rotas enquanto a diversidade é quase infinita.

    Bjs

    • Ruthia 5 Fevereiro, 2017 em 14:44 - Responder

      Não são só os media, Sissym. Na verdade, Angola é um país pouco turístico, o processo do visto é muito burocrático, então atrai poucos viajantes.
      As possibilidades são tantas que não temos tempo e dinheiro para explorar tudo quanto gostaríamos.
      Beijo para a fadinha

  4. Uma bela reportagem e fiquei a conhecer um pouco melhor Angola.
    Um abraço e boa semana.
    Andarilhar || Dedais de Francisco e Idalisa || Livros-Autografados

  5. Beatriz 8 Fevereiro, 2017 em 1:44 - Responder

    Olá Ruthia!
    Angola é um lugar, dentre muitos, que gostaria de conhecer na África! Como é bom festejar a liberdade! Nenhum país deveria viver subjugado a outro. Ainda bem que o tempo das colonizações já passou…
    Beijinhos Ruthia e obrigada por mostrar um pouco mais deste país!

    Bia <º(((<

    • Ruthia 8 Fevereiro, 2017 em 7:32 - Responder

      Olá Bia.
      Mas alguns países mais fortes acham que ainda têm o direito de explorar os recursos das outras nações. Novas formas de colonialismo. Enfim…
      Grata pela sua presença
      Beijinhos

  6. Beatriz Bragança 8 Fevereiro, 2017 em 10:43 - Responder

    Querida Ruthia
    Obrigada pela lição de História.
    Confesso que desconhecia tudo isso.Muito obrigada por partilhar.
    É grandioso o monumento!
    Um beijinho
    Beatriz

    • Ruthia 8 Fevereiro, 2017 em 11:40 - Responder

      Beatriz!!!! Saudades suas. Como está? Espero que esteja tudo bem e que regresse em breve ao nosso convívio virtual.
      Beijinho

  7. Adriana LARA 8 Fevereiro, 2017 em 14:23 - Responder

    e a gente não imagina encontrar tudo isso em Angola… tal qual outros povos pensam do Brasil, nós pensamos dos Africanos! Um erro crasso imaginar a deficiência/ausência de cultura e espaços culturais…
    amei conhecer mais este pedacinho do mundo através de tuas belas palavras! bjs

  8. Anna BaS2 9 Fevereiro, 2017 em 11:41 - Responder

    Muito bom seu post.
    Tenho o sonho de conhecer algum país da Africa… E adoro quando alguém fala sobre esse lugar.

    Eu não sou mto fã de visitar mausoléus, mas iria só para tirar uma foto com esse elefante lindo! Ficou bem bacana!

    • Ruthia 9 Fevereiro, 2017 em 13:12 - Responder

      A sala do mausoléu é uma ínfima parte do complexo, onde não é permitido tirar fotografias. O resto do espaço, que funciona como museu, é muito informativo e permite conhecer um pouco melhor a história do país

  9. Fábio Jr. Alves 9 Fevereiro, 2017 em 12:21 - Responder

    Este memorial é lindo e o post ficou maravilhosamente escrito, adorei poder viajar com você neste post e aprender mais sobre este momento tão importante de Angola.

    • Ruthia 9 Fevereiro, 2017 em 13:12 - Responder

      Grata Fábio. É uma data muito significativa, realmente

  10. Eloah Cristina 9 Fevereiro, 2017 em 14:38 - Responder

    Lindo texto! Inspirador e cheio de conhecimento para passar. 🙂

  11. Ana Raquel Fortes 9 Fevereiro, 2017 em 16:17 - Responder

    Adorei o post! Principalmente a riqueza com o que você escreveu o texto. Parabéns!

    =*
    Keul
    http://www.turistandonomundo.com.br

    • Ruthia 12 Fevereiro, 2017 em 12:04 - Responder

      Muito obrigada Ana Raquel, pela visita e pelo amável comentário.

  12. Alessandra 9 Fevereiro, 2017 em 16:46 - Responder

    Muito legal saber mais sobre a história de um país como Angola. A língua nos aproxima apesar de todas as diferenças, né?! Adorei o post. Abs.

  13. Olinda Melo 9 Fevereiro, 2017 em 16:53 - Responder

    Cara Ruthia

    O dia 4 de Fevereiro é, realmente, um dia muito importante na História de Angola. Recordei-o num espaço que não o virtual. Penso que, também, em tempos o abordei no Xaile de Seda. Mas, aqui, inserido na sua viagem, documentado com o pulsar da cidade, aliado à referência a Agostinho Neto, poeta e revolucionário, sentimo-lo em toda a sua pujança.

    Obrigada, Ruthia por tão bela e oportuna reportagem.

    Bjinhos

    Olinda

  14. Clara Lucia 9 Fevereiro, 2017 em 23:06 - Responder

    Ainda enxergo Angola de um jeito que não seja verdade. Então primeiramente muito obrigada por me informar de uma forma poética a beleza de lá. Certamente se eu estivesse por lá não veria com os olhos que vc vê, acho que me perderia em outras coisas, talvez coisas tristes, não sei, mas nem tudo é só tristeza, que bom!
    Ruthia, um lindo fim de semana e mais uma vez muito obrigada por nos mostrar o mundo de uma maneira poética e linda!
    Beijos

  15. Francine D. Agnoletto 10 Fevereiro, 2017 em 11:27 - Responder

    Fiquei curiosa para entender o título do post.
    Muito bom saber mais sobre a histório de um país como Angola

  16. Analuiza Carvalho 10 Fevereiro, 2017 em 13:12 - Responder

    Conheço tão pouco da história de Angola… Por conta de amigos que lá moraram, conheço um pouco, muito pouco, da cultura local, mas você me contou mais desse pedaço do mundo. Obrigada.

  17. Mariana Dutra 11 Fevereiro, 2017 em 13:08 - Responder

    Se fala tão pouco sobre Angola que o seu post caiu como uma luva hoje. Morro de curiosidade para conhecer o destino e saber mais sobre a história do país – e agora me senti um pouco mais perto de lá!

  18. Carla Mota 11 Fevereiro, 2017 em 13:34 - Responder

    Não conhecia essa história. Aliás, para pena minha, sei muito pouco sobre Angola. Obrigada pela partilha.

  19. Anónimo 11 Fevereiro, 2017 em 14:06 - Responder

    Que coisa boa começar o dia lendo um relato de um pedaço da história que vc desconhece! Gostei demais de saber m pouco mais.

  20. AC 11 Fevereiro, 2017 em 15:55 - Responder

    Confesso, Ruthia, que continuo a debruçar-me sobre a seguinte questão: o governo dum país novo deve privilegiar, essencialmente, o bem do seu povo ou, fruto de análises com algum histórico, deve preocupar-se em cultivar referências, a fim de preservar uma certa forma de poder?
    Provavelmente deve fazer ambas as coisas, a preservação do poder, em zona de múltiplos desequilíbrios, é que deixa muito a desejar.
    Mais uma bela reportagem, diga-se.

    Abraço

    • Ruthia 11 Fevereiro, 2017 em 16:18 - Responder

      Ai, dava aí uma tese de doutoramento. O que será que o povo desse país pensa? Há eleições este ano…

  21. Alessandra Maróstica 11 Fevereiro, 2017 em 16:11 - Responder

    Obrigada por compartilhar esta história. Eu nunca tinha ouvido falar, e fiquei feliz em saber destes detalhes através do seu post. Espero um dia visitar Angola!

  22. Maria João Proença 11 Fevereiro, 2017 em 16:34 - Responder

    É refrescante ler algo sobre Angola que não tenha a ver com política e que mostre alguns dos principais atractivos do país. Obrigada pelo post!

  23. Quarto de viagem 11 Fevereiro, 2017 em 23:13 - Responder

    que interessante, não sabia dessa data tão importante!
    Deve ser incrível conhecer esse país tão próximo do Brasil, tenho muita vontade de conhecer a África e principalmente Angola!

  24. Angela Sant Anna 12 Fevereiro, 2017 em 13:53 - Responder

    muito interessante essa história, não sabia que era uma data significativa. Angola é um dos países mais chatinhos para conseguir visto, um amigo meu ia para Luanda a trabalho e sempre precisava deixar o passaporte uns 6 meses antes da viagem

    • Ruthia 12 Fevereiro, 2017 em 14:17 - Responder

      Não é muito fácil conseguir visto mesmo. A burocracia é muita e os documentos solicitados podem mudar de um dia para o outro

  25. O Baú do Viajante Blog de viagem 13 Fevereiro, 2017 em 12:47 - Responder

    Vontade imensa de conhecer. Tem tanta coisa em comum entre Brasil e África e eu não vejo a hora de poder sentir esse continente de pertinho. Belo post

  26. Lulu Freitas 13 Novembro, 2018 em 16:26 - Responder

    O título me chamou a atenção. Pela curiosidade li e aprendi muito com você. Conheço pouco sobre Angola e adorei viajar junto no seu texto.

Deixe o seu comentário

Subscreva a Newsletter 

Receba por email conteúdo, novidades exclusivas e muita inspiração para viajar a solo e em família (em português)

Fechar (X)

*Não envio spam