Um leão moribundo, um esconderijo de dragões, a ponte de madeira coberta mais antiga da Europa e uma parede a escorrer chocolate. Seleccionei todos estes ingredientes para vos oferecer a despedida perfeita da Suíça.

O adeus acontece em Luzern, Lucerne ou Lucerna, o meu lugar preferido no país dos helvécios, porque quis reservar o melhor para o fim. Esta cidadezinha de travo medieval fica entre duas montanhas famosas: Rigi (1.797 metros) e Pilatus (2.120 metros), a montanha dos dragões. Diz-se que ali repousam seres míticos desde tempos imemoriais, sendo os mais procurados os seus dragões com o dom da cura.

Para procurar dragões, esquiar, fazer escalada, ver o Lago dos quatro Cantões ou outra das muitas actividades propostas, basta seguir até à pequena localidade de Kriens e subir até ao topo num dos teleféricos mais íngremes do mundo. Em alternativa, é possível apanhar um belo e romântico comboio desde Alpnachstad, a 20 minutos de barco de Lucerna, um trajecto igualmente íngreme inaugurado no século XIX e que rasga a paisagem alpina.

Mas voltemos a Lucerna que, como se não bastasse estar emoldurada por belas cordilheiras brancas, ainda tem um lago cristalino que completa o primor da paisagem e o rio Reuss, que a separa em dois. Comprovamos tudo isso a partir das muralhas medievais, onde se destaca a linda torre do relógio (as quatro torres abertas ao público são de acesso gratuito)!

 

 

O nosso encantamento cresce à medida que exploramos o seu centro histórico, com fachadas coloridas de afrescos, as pontes de madeira, relógios aos milhares e chocolate a escorrer, literalmente, das paredes (juro! vejam o vídeo).

A ponte da capela – Kapellbrücke (1333) – a mais velha ponte treliçada da Europa, é o cartão-de-visita da cidade, sobrevivente a um aparatoso incêndio nos anos 90 e ladeada pela peculiar torre da água, octogonal, que já foi prisão, câmara de tortura, torre de observação e arquivo municipal.

A poucos metros, a sua companheira de madeira – Spreuerbrücke também exibe, orgulhosamente, pinturas religiosas do século XVII, como forma de declarar a sua crença católica, numa região onde a reforma protestante se revelou muito forte. Tanto uma como a outra são percorridas diariamente pelos habitantes, na sua azáfama diária, a que se juntam os turistas, ávidos da sensação de estarem a pisar história.

Não muito longe, a barroca Igreja dos Jesuítas ou a renascentista e paroquial Hofkirche St. Leodegar comprovam a herança católica de Lucerna.

 

 

E dali subimos a colina para estacarmos, finalmente, junto ao leão moribundo, que Mark Twain descreveu como “the saddest and most moving piece of rock in the world“. Eis a prova de que a pedra consegue mexer com os nossos corações ou, para sermos justos, é o talento dos escultores que é capaz de nos levar às lágrimas. Talhado na face da colina, o expressivo animal parece prestes a soltar o último suspiro…

Em jeito de legenda, lemos a inscrição em latim Helvetiorum Fidei ac Virtuti, à lealdade e bravura dos suíços, já que o gigante leão de Lucerna (1820) foi esculpido para recordar a morte heroica de quase um milhar de homens, guardas suíços, massacrados durante o ataque ao Palácio das Tulherias, em plena revolução francesa.

Os mercenários suíços, tão famosos pela sua disciplina e lealdade, defendiam várias famílias reais. De resto, ainda hoje, permanecem inabaláveis na defesa do Vaticano. E isso diz qualquer coisa.

 

 

Montanha de Rigi: site | bilhete teleférico (de Vilznau) ou comboio (de Weggis): 54 CHF a 72 CHF (adulto), grátis (até 16 anos) em Julho e Agosto
Montanha de Pilatus: site | bilhete de comboio ou teleférico: 72 CHF (adulto), 36 CHD (entre 6 e 16 anos)
Leão e pontes de madeira: acesso grátis
Igreja de Hof St. Leodegar: site | seg-dom 7h00-19h00 | entrada gratuita

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