Descemos 683 degraus em direcção às entranhas da terra, para conhecer as grutas de Mira de Aire, as maiores de Portugal, e uma das suas 7 Maravilhas Naturais

Para o tema do 8 on 8 de Outubro, “Natureza”, escolhi uma região curiosa no centro do país. Ali ficam duas grandes serras de calcário – Serra de Aire e Serra dos Candeeiros – que vão sendo escavadas pelas chuvas, criando um labirinto de túneis subterrâneos.

Não há rios por aqui, pelo menos à vista de todos. As águas correm lá em baixo, criando poços chamados algares, lindos rendilhados de pedra e também as estalactites, à velocidade média de 1 cm por século. E a cada estalactite corresponde uma estalagmite, no chão. Que também vai crescendo, século após século, até que as duas se encontram, criando uma coluna!

Mas adianto-me. Primeiro é preciso chegar às grutas de Mira de Aire. O acesso não é o melhor e as indicações na estrada também não. Mas lá chegamos ao sítio dos Moinhos Velhos, onde alguns habitantes encontraram as ditas grutas em 1947.

Antes da visita guiada – não há visitas independentes, por razões de segurança – assistimos a um pequeno vídeo sobre a sua formação. Depois seguimos pela galeria, descendo 110 metros e já nos imaginamos um Júlio Verne. O facto da sua aventura ao centro da terra ter começado na Islândia não interessa nada.

Na verdade, quando os primeiros homens entraram aqui, lançando cordas grossas e descendo a pulso, depararam-se com uma janela para o abismo. Numa semi-escuridão, ouviram o eco das suas vozes e o barulho das pedras que caíam algures nas profundezas. Que grandes aventureiros.

De regresso do mundo da fantasia (mas há-de ter sido mais ou menos assim), é de referir que estas grutas abriram ao público em Agosto de 1974, depois de várias missões dos espeleólogos que as mapearam. Existem cerca de três mil lâmpadas e centenas de degraus, para que 600 metros possam ser visitados pelos turistas. Mas as galerias subterrâneas prolongam-se ao longo de 11 quilómetros…

Depois da Galeria Grande, conhecemos a Fonte das Pérolas, as Galerias do Polvo, o Rio Negro e uma área curiosa onde as estalactites parecem esparguete!

Descobrimos que os espeleólogos estão a explorar agora o Rio Negro e que acrescentaram mais 1 km de novas galerias na última década. Que há uma adega a cerca de 80 metros da superfície, porque esta humidade, escuridão e temperatura emprestam propriedades únicas ao vinho. E que é possível alugar o espaço para um jantar ou até um casamento. Pessoalmente, não gostaria de descer vestida de noiva para festejar numa gruta. Mas há gostos para tudo!

Dica 1

as grutas de Mira de Aire não são um lugar de fácil acesso, portanto nada de carrinhos de bebé ou cadeiras de rodas. Existe acesso ao túnel final da visita, através de elevador. Crianças pequenas poderão não gostar do ambiente das grutas. No nosso grupo havia um bebé que chorou grande parte da visita.

Dica 2

Grutas são lugares húmidos e com piso escorregadio, é aconselhável calçado adequado e um casaco leve. A temperatura ronda sempre os 17º C.

Infelizmente, as minhas fotos não fazem justiça à beleza destas grutas, que são extraordinariamente difíceis de fotografar.

 

Grutas de Mira de Aire: site | Horário: aberto todos os dias, Outubro-Março 9h30-17h30, Abril e Maio 9h30-18h00, Junho e Setembro 9h30-19h00, Julho e Agosto 9h30-20h00 | Bilhete: 6,80€ (adulto), 4€ (crianças 5-11 anos), grátis (crianças com menos de 5 anos) Preços de 2018

Como chegar: As grutas ficam a cerca de 110 km de Lisboa. Quem vier pela autoestrada A1 deve sair em Alcanena-Minde e seguir pela N243. Nós viemos de Porto de Mós e o acesso foi um pouco mais penoso.

Na região: aproveite para fazer uma visita a outras pérolas da região centro, como o Mosteiro da Batalha ou o Budha Garden.

 

Este post faz parte do 8on8, um projecto colectivo que une lindas viajantes em volta de um tema comum, no dia 8 de cada mês. Espreitem os restantes textos sob o tema “Natureza”, desfrutem, partilhem e inspirem-se (por ordem alfabética):
Espiando pelo Mundo – [8 on 8] A natureza na África do Sul
Convidado: “De Mochila e Caneca” – A beleza do Atacama em 8 imagens

 

 

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