Inhotim: o jardim-museu mais maravilhoso do Brasil

Imaginem um Éden dantesco, de 100 hectares, que une natureza e arte contemporânea. Somem-lhe lagos, orquídeas suspensas, esculturas, bancos-árvore e espécies botânicas raras. Chegamos a Inhotim

“Impossível conceber tamanho paraíso”, dirão. No entanto, ele existe e chama-se INHOTIM. Reserva ecológica, museu ao ar livre, centro de arte contemporânea ou jardim botânico. O Instituto não cabe numa definição, nasceu para ser saboreado. Portanto relaxem e deixem-se contagiar pelo espírito slow motion de Inhotim.

O complexo fica num lugarejo mineiro chamado Brumadinho, a 60 quilómetros de Belo Horizonte (MG). O caminho sinuoso não impede os visitantes de chegarem aos magotes. E entende-se porquê: o espaço é maravilhoso, com um projecto paisagístico perfeito, cinco lagos emoldurados pela vegetação, em contraste com galerias modernistas. Exageros? Google it e comprovem!

O espaço começou por abrir as portas às escolas, de forma tímida, em 2005. Hoje, possui uma equipa com mais de 700 funcionários, que inclui paisagistas, curadores, botânicos e tornou-se uma referência mundial de arte contemporânea, capaz de atrair a atenção do New York Times.

A cada esquina, as obras de arte misturam-se com a paisagem, em simbioses fantásticas, muitas delas criadas em função do espaço. Aliás, a própria natureza concorre em criatividade e beleza com a obra humana, revelando-se em toda a exuberância.

Para explorar a imensidão do recinto, o mapa e os carrinhos eléctricos são indispensáveis. Alguns poderão apreciar uma de duas visitas temáticas (são grátis): com foco artístico ou ambiental. Como arte e botânica não fazem parte do meu espectro intelectual, e levava o meu petiz de 3 anos pela mão, optei pela deambulação vagabunda. Foi um passeio pausado e feliz.

 

Património botânico de Inhotim

A certo ponto tropeço na Tamboril: não portugueses, não é um peixe, é uma espécie nativa. Sinto-me liliputiana perto da árvore, majestosa nos seus 90 anos! Não consigo descrever a riqueza botânica do Inhotim sem lançar mão aos números: mais de 4.200 espécies, 334 destas são orquídeas, e uma das maiores colecções de palmeiras do mundo com cerca de 1.400 variedades.

O acervo inclui ainda várias espécies raras ou ameaçadas, nomeadamente uma flor-cadáver de 3 metros, que se abre em todo o seu esplendor apenas 48 horas por ano, e que exala um cheiro putrefacto de carne em decomposição (infelizmente estive ali em Outubro e a flor gigante floriu em Dezembro).

Não fora o roncar do estômago subir de tom, para níveis quase embaraçosos, e teríamos esquecido a hora de almoço. Escolhemos o restaurante Tamboril, lindamente enquadrado num jardim de esculturas, que homenageia a sua homónima vegetal e tem um buffet delicioso. Acreditem, a comida mineira é das melhores do país.

Para além deste, existem outros restaurantes no complexo, com serviço à la carte e buffet, bem como bares, pizarias e omoleterias, para os visitantes com orçamento controlado. É que o Inhotim pode ser um parque mas não permite piqueniques.

 

bancos-árvores e a maior árvore do Inhotim

Um dos muitos bancos-árvore que convidam ao descanso. À direita, a majestosa Tamboril

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Fusca também é arte

Finda a lauta refeição, retomámos os caminhos do Inhotim, direitos ao som da terra. A instalação fica numa galeria que parece uma estação espacial, completamente despida. No centro, um pequeno buraco prolonga-se em direcção às entranhas da terra, onde microfones geológicos captam o seu pulsar. É como se escutasse o bater do coração do planeta!

Esta é apenas uma das 33 galerias que acolhem exposições temporárias. O Instituto criado na fazenda de “Nhô Tim”, como os íntimos chamam ao empresário e mecenas Bernardo Paz, possui um acervo artístico impressionante.

São cerca de 500 obras de arte de mais de 100 artistas, provenientes de 30 países e contextos sociais muito distintos. Fotografia, escultura, instalação, desenho, vídeo, pintura. As peças multiplicam-se dentro e fora das galerias, num diálogo permanente com os visitantes.

Outra proposta interessante surge logo à entrada, com a assinatura de Yayoi Kusama (que já expôs em todas as grandes casas de Nova York ao Japão, incluindo o Tate Modern londrino). Inspirada no mito de Narciso, que se enamora da própria imagem, a artista japonesa colocou 500 esferas de aço inoxidável sobre a água, construindo um enorme espelho que distorce, fragmenta e multiplica a nossa imagem.

 

Inhotim em Minas Gerais

 

A minha preferida é a instalação sonora Forty Part Motet, de Janet Cardiff:  40 altifalantes grandes numa sala, em que cada um transmite uma única voz. Trata-se de algo tão simples e, contudo, genial. Dizem que esta é uma das mais complexas obras polifónicas para coro jamais escritas (de um compositor inglês do século XVI).

A artista gravou o moteto na Catedral de Salisbury, usando um microfone para cada elemento do coro. Acabei por ouvir o tal do moteto três vezes (14 minutos x 3 = uma barbaridade de tempo), umas vezes saltando de altifalante em altifalante e, por fim, sentando-me com o meu filho bem no centro daquela parafernália acústica e simplesmente fechando os olhos.

Na minha aventura no Brasil, Inhotim foi a experiência mais maravilhosa. Se um dia voltar a Minas Gerais, podem ter a certeza, a minha primeira paragem será… adivinhem…. Inhotim!!

Dica – se puder, visite o Inhotim durante a semana. Tem menos gente e o bilhete é mais barato.

 

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2019-08-26T08:48:40+00:00

5 Comments

  1. Helena Branquinho 22 Maio, 2012 em 9:10 - Responder

    Adorei conhecer! Já está anotado no roteiro!:)

  2. Kathia Bazoni 23 Maio, 2012 em 18:00 - Responder

    Que lindo!!! Mais um lugar maravilhoso que preciso conhecer… Obrigada pela dica! Grande abraço.

  3. Ruthia 23 Maio, 2012 em 19:05 - Responder

    Helena, em breve poderás conhecer este lugar maravilhoso, se Deus quiser.

    Kathia, seja muito bem vinda! Colocarei outro texto sobre Inhotim ainda esta semana… E sim, vale realmente a pena uma visita demorada. Conceito de primeiríssimo mundo!
    Beijinhos para vocês

  4. MARILENE 26 Maio, 2014 em 5:26 - Responder

    Por incrível que pareça e morando tão perto, só estive lá recentemente. Hospedei uma grande amiga, que mora em São Paulo, e que veio a BH com destinos traçados, entre os quais Inhotim. Ficou deslumbrada, assim como eu. A riqueza que ali existe é inestimável. Bjs.

  5. Nativos do Mundo 12 Dezembro, 2015 em 0:00 - Responder

    Inhotim é um orgulho para nós, brasileiros! Já fui duas vezes e já planejo voltar! 🙂

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