Estas belas ruínas podiam ser em Itália ou na Turquia. Mas  ficam no interior de Portugal, numa vila ligada a grandes momentos históricos da nação. Estamos em Figueira de Castelo Rodrigo

Um feriado a meio da semana é fantástico. Um feriado a meio da semana, com um tempo primaveril, é ainda melhor. O que fazer então quando o nosso pequeno explorador não quer sair de casa? Suborná-lo.

Foi isso mesmo que fiz. Um gelado em troca de um passeio sem dramas. Ainda vou pagar caro este suborno que, diga-se, é um pecado de educação. Qualquer dia pergunto ao Pedro “vamos visitar aquele novo museu?” e ele responde-me “se me deres um Hot Wheels”. Mas vá, um dia não são dias, nem sempre se consegue ser um modelo pedagógico.

O destino foi a aldeia histórica de Castelo Rodrigo que, como tantas outras pequenas localidades beirãs, tem as suas muralhas medievais, as suas amorosas casinhas de pedra, a sua nostalgia de glórias passadas. Mas cada uma das aldeias históricas tem um pormenor que a torna especial. Castelo Rodrigo tem misteriosas ruínas que apelam à nossa imaginação. Em tempos foi o palácio de um marquês, de seu nome Cristovão de Moura.

 

igreja da aldeia histórica

 

Um pouco de história de Figueira de Castelo Rodrigo

Para os seus humildes vizinhos e conterrâneos, o nobre era um traidor, graças à lealdade demonstrada a Espanha, durante a dinastia dos Filipes. Assim, quando a notícia da restauração da independência (de 1640) chegou a estes confins, a população vai de deitar fogo à residência.

Nesta aldeia – que foi vila e sede de concelho durante mais de 600 anos – pode-se visitar também a pequena Igreja de N. Senhora do Rocamador. O templo foi erguido em honra de Notre-Dame de Rocamadour, muito venerada em França. Criado por frades de Salamanca no século XII, serviu de apoio aos peregrinos que se dirigiam a Santiago de Compostela. Diz a lenda que o próprio Francisco de Assis terá aqui pernoitado, quando fazia o seu caminho de fé.

Tudo isso visitámos com alegria. Mostrei ao Pedrinho as amendoeiras que rodeiam a aldeia, perseguimos gatinhos velozes, respirámos ar puro, colhemos flores silvestres. Houve ainda tempo para um saltinho ao centro de Figueira de Castelo Rodrigo, a cerca de três quilómetros, para ver o gigante ninho da cegonha e comprar o tal gelado que fomos comer à Serra da Marofa.

 

entrada das ruínas
entrada da aldeia

Pedras que parecem gente…

 

Lendas da serra da Marofa

A dita Marofa, de onde se aprecia uma linda paisagem e uma tranquilidade sem igual, é também lendária. Diz o povo que um rico judeu, chamado Zacuto, comprou e estabeleceu-se no alto da serra com a sua linda filha, de seu nome Ofa.

Ora um fidalgo local apaixonou-se pela menina e, quando a família se converteu ao cristianismo (D. Manuel provocou muitos cristãos-novos), pôde cortejá-la livremente. Sempre que ia visitar a sua amada ao alto da encosta, o fidalgo dizia à mãe e amigos: “vou amar Ofa”. E foi assim que a serra de Castelo Rodrigo passou a ser conhecida como Serra da Marofa.

Um Cristo foi colocado ali no alto, com a mão direita a abençoar a aldeia histórica que abandonámos há pouco e a esquerda a sede de concelho. Foi sob o seu olhar que cometi o segundo pecado do dia. Um pecado doce, um “Beijo Apaixonado”. Na verdade, é uma edição limitada com molho de frutos vermelhos, mirtilos e pedaços de merengue, envoltos num gelado cremoso, coberto pelo tradicional chocolate Magnum.

 

serra da Marofa

 

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