Atualizado em 7 Abril, 2021

Muito próximo de Milão fica um dos mais belos lagos da Itália: o lago Como. As pequenas localidades à sua volta proporcionam das vistas mais deslumbrantes da Lombardia. Nós fomos confirmar. Em Varenna

As imagens deslizam pela janela do comboio deixando, aos poucos, a cidade grande para trás. A paisagem muda e eis que o lago surge sem aviso. Imaginava-o belo, mas raios, afinal é cinematográfico: os tons de azul que se multiplicam, as montanhas e as florestas, as vilas históricas com os seus castelos centenários, as casinhas coloridas…

Este Y invertido é perfeitamente emoldurado por montanhas imponentes. A primavera ainda não chegou e a neve enfeita os topos, criando um cenário mágico.

Na outra margem fica a Suíça e é para lá que dirigimos a nossa atenção, logo que descemos na pequena estação de Varenna-Esino. De lá, da outra margem, chegam os sorrisos e os abraços dos nossos sobrinhos queridos, que não víamos desde o Natal.

Escolhemos a pequena Varenna, um antigo vilarejo de pescadores, para este reencontro. Apesar de não ser tão popular como a cidade de Como ou tão chique como Bellagio (que serviu de inspiração ao hotel homónimo, em Las Vegas) é igualmente pitoresca e não tão apinhada de turistas.

De resto, as opções são muitas, ao longo das margens. Uma sucessão de villas com jardins exuberantes flanqueia este lago de origem glaciar. O lugar era o destino de férias da aristocracia lombarda já no século XVI. Outros privilegiados seguiram-lhes o exemplo: John F. Kennedy, Charlie Chaplin, o estadista alemão Konrad Adenauer, o charmoso George Clooney, Richard Branson (o big boss da Virgin). Quem os pode censurar?

Do medieval Vezzio

Percorremos o calçadão ao longo do lago com vagares de budista, espreitando as ruelas estreitas e floridas, até ao centro da pequena Varenna, onde ficam as suas singelas Chiesa di S. Giorgio e Chiesa di S. Giovanni Battista, o seu relógio de sol e o posto de turismo.

Muita conversa e um risotto com funghi depois (o pequeno explorador devorou uma lasanha num piscar de olhos), aventuramo-nos até ao Castelo Vezio, alcandorado sobre a povoação. Dali, a vista é ainda mais deslumbrante. Um fantasma contempla o mesmo cenário que nós. Outros fantasmas pontuam o recinto do castelo: trata-se de um trabalho de gesso feito cada Verão, usando turistas como molde, que depois se espalham por ali até que a chuva e a neve os desintegre.

As ruínas do castelo são pequenas, mas a subida à torre de menagem vale muito a pena. Por dois motivos. 1. A vista. 2. Os fósseis de Lariosauro, um réptil aquático do tempo dos dinossauros, que enfeitam as paredes da torre.

O bilhete inclui visita ao castelo e jardins e, se tivermos sorte, uma demonstração de falcoaria. Tivemos sorte. Conhecemos a majestosa coruja Artù e um velocíssimo falcão, impossível de fotografar durante o voo.

Sou muito crítica em relação a atracções turísticas que utilizam animais selvagens, mas notou-se o cuidado do tratador para com os seus companheiros de penas: proibiu ruído e fotos com flash. Para além disso, mais do que uma escola de falcoaria, aqui funciona um centro de recuperação destas aves de rapina ameaçadas de extinção. De apoiar, portanto.

Este foi o meu dia no lago Como. Faltou tempo para visitar o Jardim Botânico. Querem contar o vosso?

Horários comboios Milano-Tirano (aqui) | Bilhete: cerca de 13€ ida e volta (adulto) / 7€ (criança) | Sair em Varenna-Esino. Se preferir visitar Como, terá que partir da estação de Cadorna, em Milão.

Castelo de Vezio (aqui)  | Bilhete: 4€ (adulto) / 2€ (criança)