Adentramos na zona histórica da Corunha, na costa da Galiza, que o turismo local descreve como “um romântico remanso de tranquilidade dentro da moderna e agitada urbe” e que pulsa forte na Praça María Pita.

Estranho seria se o edifício do Ayuntamiento não estivesse numa praça monumental, de traçado geométrico, como em todas as outras cidades espanholas dignas desse nome.

A heroína María Pita vela, em bronze, sobre a multidão de turistas e habitantes. O monumento tem a seus pés uma chama que simboliza a liberdade, aludindo ao seu papel durante o cerco inglês do século XVI.

Reza a história que os ingleses tomaram de assalto a cidade velha em 1589, liderados por Sir Francis Drake. Quando a muralha cedeu e tudo parecia perdido, a valente senhora matou o alferes que carregava a bandeira inimiga, gritando em galego “quen teña honra, que me siga. O episódio terminou com a retirada da tropa invasora e a ascensão da María Pita ao panteão dos heróis, onde mora também a nossa portuguesíssima padeira de Aljubarrota.

A galega não ficou esquecida nas brumas da história como prova a praça, o monumento, assim como a casa museu e mesmo o Airbus A340 da Iberia que carregam o seu nome.  O episódio é referido num outro recanto da cidade – o Adro do Silêncio, que antecede o Convento de S. Domingos.

 

 

Este é o adro dos silencios. O adro máis alto da cidade alta.

Escoitade o vento rifando nas árbores e o lento camiñar das procesións. Sentide a teoloxía dominicana e os rezos e os votos à Virxe do Rosario. Apreixade a arte barroca, monumental e altiva, e a auga silente deste adral.

Ouvide o paso marcial de cando Drake queimara o vello granito. Abrazade o voo das aves que bos axexan.

Entre as Bárbaras e San Carlos tedes labrada aos vosos pés a cidade abeirada polo mar que debala ao voso carón e a memoria de nós que está nos vellos farois e nas cunchas do chan. E na luz que aquí é morna e amiga. O voso tempo é agora o voso espazo, esta praciña anegada de paz da que sodes señores e habitantes únicos.

Cando vos sentedes aquí, aloumiñados pola luz gráxil e o vento queixoso da cidade, aniñará en vós a dozura solemne da xente que pasea e a historia sempre louca que paira en cada recuncho.

 

Escusado será dizer que repousámos longamente nesta pequena praça, embalados pelo som de uma fonte que serviu para enganar o estio. Como resistir à doçura destas palavras, como que sussurradas, propositadamente para nós?

Dali descemos novamente até à orla marítima [porque o mar nunca está muito longe], com as suas belas galerias galegas: as varandas em vidro e madeira, para proteger as casas tanto do sol como do vento invernoso. Começaram por ser usadas pelos pescadores, mas popularizaram-se de tal forma que hoje as temos como uma encantadora marca arquitectónica galega. Felizmente há tradições que resistem à voracidade dos tempos modernos!

Antes de nos aventurarmos na Costa da Morte, fica prometido um último episódio sobre esta Corunha deliciosa, em plena Galiza.

 

Rota da cidade velha aqui

 

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