Romântica e medieval, Óbidos é uma das vilas amuralhadas mais bem preservadas de Portugal. Vamos conhecer a terra da ginjinha e do chocolate

A cerca de 80 km de Lisboa, no distrito de Leiria, Óbidos permanece intemporal e feminina. Pequena e doce, com as suas ruelas de pedra e as casinhas caiadas de branco. Foram precisamente as mulheres que a tornaram tão única e charmosa.

D. Dinis ofereceu-a à futura esposa, Isabel. Depois, fez parte do dote de outras rainhas como D. Filipa de Lencastre, D. Urraca ou D. Leonor. Óbidos é o setting perfeito para estórias de princesas empreendedoras. Por exemplo, o aqueduto da Usseira, primeiro sistema de abastecimento de água local, foi financiado pela rainha D. Catarina no século XVI.

Hoje Óbidos permanece como um pequeno tesouro português, com as suas longas muralhas e o seu castelo a encenarem grandes eventos como o Festival do Chocolate (Abril), o Mercado Medieval (Julho, Agosto), o Festival Literário (Setembro, Outubro) ou Óbidos Vila Natal (Dezembro, Janeiro).

A ambiência muda, assim que entramos na cidadela. Para isso é preciso atravessar a bela Porta da Vila, revestida a azulejos do século XVIII e coroada por um varandim barroco. As notas de uma handpan enchem a arcada. É sempre mágico ouvir este instrumento e a pequena vila até já recebeu uma residência de músicos da especialidade.

 

Instintivamente, percorremos a rua Direita, a uma hora tão matutina que as hordas de turistas ainda não chegaram. Algumas lojinhas não abriram sequer portas, o que nos permite sentir a serenidade e apreciar os detalhes coloridos da vila.

Esta rua comercial conduz os visitantes até ao Paço dos Alcaides. Mas antes de lá chegarmos, várias pérolas nos aguardam no caminho.

Uma delas é a Igreja de Santa Maria onde, em 1444, duas crianças reais se casaram. D. Afonso V tinha 10 anos e a sua prima Isabel tinha 8. O templo principal de Óbidos carrega séculos de espiritualidade, desde tempos visigóticos. Chegou a ser uma mesquita, antes da vila ser definitivamente tomada aos árabes pelo nosso primeiro rei.

Ao lado fica o Museu Municipal, conhecido pelo espólio da pintora Josefa d’Óbidos, sevilhana de nascimento que se instalou e morreu na vila (está sepultada na Igreja de S. Pedro), desafiando uma sociedade pouco tolerante para com o talento artístico de uma mulher.

No final desta rua fica a inusitada Livraria Santiago. Subimos as escadas de uma igreja mas, lá dentro, os altares e o púlpito abençoam estantes de livros, obras empilhadas, poltronas confortáveis que convidam à leitura. Nesta igreja-livraria se escreveu a primeira página de um sonho singular: transformar a vila no coração da literatura em Portugal. Em 2015, a Unesco classificou-a como cidade criativa na área da literatura. Puff… o sonho de uma vila literária tornou-se realidade.

 

Maravilha de Portugal

Chegamos, enfim, à estrela local, uma das sete maravilhas de Portugal. O castelo medieval sofreu muitas alterações ao longo dos tempos, sobretudo depois do terremoto que devastou a capital. Afinal, Lisboa não está assim tão longe.

No século passado foi recuperado e tornou-se a primeira pousada num edifício histórico, oferecendo noites dignas da realeza. Nós não tivemos o privilégio de pernoitar ali, mas não desperdiçamos a oportunidade de subir às muralhas centenárias. São cerca de 2 km com vistas fantásticas sobre o próprio castelo e as redondezas.

Dali se avista o redondo Santuário do Senhor Jesus da Pedra (século XVIII), com as suas três capelas. Fomos conhecê-lo posteriormente. Existe uma lenda sobre um lavrador que diz ter sido chamado pela cruz de pedra deste templo, cuja devoção acabou com a seca da região. A estranha representação do Cristo crucificado recebeu até a veneração dos reis portugueses.

Mas antes de abandonarmos a cidadela é inevitável passear pelas esquinas pitorescas, descobrir pórticos manuelinos, casas alvíssimas e floridas, pequenos largos onde o tempo corre lento. Rendemo-nos ao charme destas ruas apertadas carregadas de história, com fontes de onde brotam lendas, bancos de pedra onde se fazem juras de amor.

 

 

Apaixonamo-nos pela Livraria do Mercado, instalada num antigo quartel de bombeiros. As paredes estão cobertas de livros, novos e usados. Caixas de fruta servem agora de estante, depois de terem servido o mercado biológico que funciona no mesmo espaço.

Paramos também para cumprir a tradição: uma ginjinha de Óbidos em copo de chocolate negro. Excepto para o pequeno explorador, que apenas molha a ponta do dedo. Quase todas as lojinhas têm o licor à venda, bem como copinhos de chocolate, para levar para casa.

Para além das lojas de artesanato, há por ali muitos cafés e restaurantes, que transbordam em esplanadas. Muitas são casas familiares que servem a caldeirada com o peixe que chega da Lagoa de Óbidos.

De facto, nem só de história se faz esta visita. A natureza é um dos bens mais preciosos da região! Já se falou da Lagoa, uma das mais belas do país. Mais do que uma zona balnear de águas calmas, a Lagoa oferece várias opções de desportos aquáticos, como vela, windsurf, canoagem, jetski…. Ali perto existem também várias praias: de Covões (selvagem), do Bom Sucesso, d’El Rei (com vários greens para os amantes de golfe) ou de Rei Cortiço.

A visita a Óbidos pode ser conjugada com vários outros destinos na região centro. Outras sugestões aqui.

 

 

Como chegar

De carro: desde Lisboa, apanhe a A8 no sentido Leiria e tome a saída 15. Do norte/Porto, apanhe a A1 e, chegando a Leiria, a A8.

De autocarro:  A Rodoviária do Oeste faz o trajecto desde Lisboa, com saída no Campo Grande (linha verde do metro). O bilhete custa cerca de 8€ e a viagem dura cerca de 1 hora. É possível chegar ainda de comboio, mas esteja ciente que a estação fica um pouco distante.

 

Comer em Óbidos

Os pratos mais tradicionais são a caldeirada de peixe e as enguias fritas. Para os amantes de carne, existe a opção do ensopado de cabrito ou de borrego, espargos com presunto e cabrito assado. Para terminar, a Ginjinha, claro!

Há por lá uma loja com macaroons inspirados nos sabores locais: ginjinha de Óbidos, maçã de Alcobaça, pêra rocha do Oeste, aguardente da Lourinhã. Apesar da criatividade, achei-os demasiado doces. Entendam, tinha visitado Paris há pouco tempo e no meu palato ainda reverberava a delicadeza da Ladurée.

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