Atualizado em 25 Abril, 2022

Sevilha é a terra do barbeiro Fígaro e da Carmen de Bizet. Sevilha foi Hispalis para os romanos e Isbilya para os mouros. O seu porto fluvial foi uma espécie de alfândega entre a Espanha e o Novo Mundo. Sevilha foi também Dorne, em Game of Thrones

Com tão distintas faces, Sevilha é também a alma da Andaluzia, lugar de todos os clichés espanhóis: flamenco, touros, tapas e castanholas. Sevilha é monumental, intensa e barulhenta, como os tamancos sobre um tablao. Vamos conhecê-la? Cliquem nos links para mais informação sobre preços e horários.

Chegamos à capital andaluza ao lusco-fusco. Do interior do táxi, o nosso olhar é atraído para o minarete que rasga o horizonte. A Giralda, a torre rendilhada erguida pelos árabes em 1198, resplandece sob os últimos raios dourados de sol.

Voltaríamos ali depois de uma boa noite de sono para revisitar (no caso do Pedro, conhecer pela primeira vez) a maior catedral de Espanha e a terceira maior do mundo. Construída em cima de uma mesquita, conserva vários apontamentos que revelam a sua origem islâmica. De resto, esta essência árabe da cidade será assunto para outro post.

Da catedral gótica à judiaria, ao som do flamenco

Há muita gente no interior do templo, em especial junto do túmulo de Cristovão Colombo. Quatro figuras, em representação dos reinos da Espanha católica do século XV (Castilla, León, Aragón e Navarra) carregam o sarcófago do navegador, na sua vida do além.

Também subimos ao topo da Giralda, a senhora de Sevilha que oferece uma vista magnífica sobre a região, ainda que nada agradável sob as implacáveis temperaturas de Fevereiro. Teríamos outra vista igualmente esmagadora no topo do Metropol parasol, o conjunto de cogumelos gigantes que “nasceu” na Plaza da Encarnación em 2011 e que dizem ser a maior estrutura em madeira do mundo. Mas voltemos à Giralda…

Dali conseguimos vislumbrar a porta do Real Alcazár e também o Arquivo das Índias, espaço que guarda milhares de documentos das colónias espanholas e o memorável Tratado de Tordesilhas. O tratado que dividiu o mundo em duas zonas de influência, portuguesa e espanhola, está fechado a sete chaves, mas pudemos ver uma cópia.

Demoramo-nos no perfumado pátio das laranjeiras – que juntamente com a Porta do Perdão é uma das testemunhas mais charmosas do passado árabe – onde a Giralda fica ainda mais fotogénica, antes de rumarmos ao Bairro de Santa Cruz. O quarteirão judeu é ideal para tapear. Sim, estou a falar dessa arte espanhola de ir de bar em bar, comendo pequenas tapas!

Mesmo de barriga cheia, a zona que corresponde à antiga judiaria é encantadora, com as ruazinhas estreitas, os inesperados pátios sevilhanos, os azulejos mudéjares, os muros caiados e surpresas em cada esquina, como uma loja de torrões artesanais…

Porque seria um pecado ir a Sevilha e não assistirmos a um espectáculo, terminamos o dia no Museo del Baile Flamenco. As cores, os sons, os ritmos e o bailado sobre o chão de madeira são dramáticos e intensos.

Quase nos esquecemos de respirar… Leia também Flamenco, o ritmo da Andaluzia.

© Museo del Baile Flamenco. Não é permitido fotografar o espectáculo

Da Praça de Espanha ao Guadalquivir

O segundo dia amanhece frio, com um vento cortante. Mas o sol brilha no alto e levantamos o rosto para receber o seu beijo caloroso. Uma breve caminhada, atravessando a ponte de S. Telmo, e estamos novamente no coração de Sevilha.

Lá em baixo, no al-wādi al-kabīr, o “grande rio”, atletas saem disparados como setas, impulsionados por remadas vigorosas.

Espera-nos o Real Alcázar, que juntamente com a Catedral, a Giralda e o Arquivo das Índias, foi classificado Património Mundial da Unesco. No interior reside um dos grandes motivos que nos levou a Sevilha. O Pedro estudou recentemente o domínio muçulmano da Península Ibérica e eu quis mostrar-lhe alguns vestígios dessa civilização, especialmente exuberante no Salão dos Embaixadores.

Haveríamos de nos sentar no Parque de Murillo e no Parque Maria Luísa, haveríamos de deambular na majestosa Praça de Espanha, onde um grupo de artistas demonstrava que o flamenco é da rua, do povo, dos sevilhanos. Mas nada se compara ao esplendor árabe do real alcázar…

Seguiríamos depois pelas margens deste rio generoso, mas incapaz de aplacar o implacável sol sevilhano durante o Verão, até à Torre do Oro. O blog Lugares de Memória tem um post muito interessante sobre as Torres de Sevilha: uma herança almohade, que detalha os pormenores sobre a torre do ouro e a torre da prata.

Esticaríamos a caminhada até à ponte de Triana sem honrar a Praça de Touros com mais do que uma fotografia da praxe, antes de mergulhar num dos bairros mais tradicionais e castiços de Sevilha. Falo do Bairro de Triana, local de nascimento do flamenco.

Como ir

Sevilha é servida por um pequeno aeroporto e tem ligação de comboio a Madrid (mais sobre a capital espanhola aqui). Para quem vem de Portugal, sobretudo do sul, pode compensar chegar de carro, através da A1-Via do Infante, até Vila Real de Santo António, e depois A49, em Espanha.

Quando ir

De invernos frios e verões inclementes, a melhor altura para visitar Sevilha é a Primavera e o Outono. A Semana Santa e a Feira de Abril (dedicada aos agricultores e criadores de gado) são os momentos mais festivos da cidade. No entanto, o número de pessoas triplica nesta altura, com reflexos nos preços da oferta hoteleira.

Onde ficar

Nós ficámos alojados no Hotel Monte Carmelo (Virgen de la Victoria 7), a uma curta caminhada do centro histórico, um hotel de 4 estrelas com um serviço impecável. Em breve faremos um post mais detalhado.

Onde comer

Em Sevilha há muitos lugares incríveis para comer tapas. Para quem quer comer bem e próximo do centro histórico, sem pagar uma fortuna, sugerimos a Taberna del Arenal (Almirante Lobo, 2), que possui prato do dia por 10€/pessoa. O valor inclui entrada, várias opções de prato principal, bebida, café ou sobremesa. Outras dicas infalíveis são o Espacio Eslava (Calle Eslava, 3) e a genuína Casa Morales (Garcia de Vinuesa, 11).

Gostaria de conhecer melhor o país de nuestros hermanos? Veja as 14 principais atracções culturais e atividades para fazer em Espanha.