Terra de gigantes, ruínas e celtas, a Irlanda do Norte transporta-nos para uma realidade paralela de mitos e lendas. Depois de um dia na região, temos algumas dicas para partilhar

A Irlanda do Norte entrou definitivamente no imaginário colectivo graças aos cenários épicos do Game of Thrones. Os fãs da série viveram momentos memoráveis aqui: o nascimento do assustador bebé de Melisandre, a viagem de Sansa e Littlefinger para o Eyrie, a coroação de Robb Stark como rei do Norte, o encontro entre os seus filhos e os lobos…

Mas estas paisagens já eram maravilhosas milhares de anos antes de George R.R. Martin escrever “As crónicas de gelo e fogo”, obra que inspirou a série com quase 25 milhões de espectadores.

Pessoalmente, a ilha esmeralda povoa os meus sonhos desde a juventude, quando devorei as obras de Marion Zimmer Bradley e de Juliet Marillier. As suas estórias elevaram as paisagens irlandesas à categoria de místico. Mas a realidade, de castelos medievais e normandos, florestas densas e lagos escondidos superaram as expectativas.

A Irlanda do Norte, uma das quatro nações constituintes do Reino Unido (ou seja, a moeda oficial é a libra esterlina), é servida de aeroporto. Se chegar de avião a Belfast, vale a pena reservar tempo para conhecer esta capital de passado violento, cuja situação se estabilizou a partir dos anos 90.

Belfast: Conflito Político Tour de Três Horas a Pé

Para quem entra no país a partir da vizinha República da Irlanda, pode alugar um carro ou optar por um dos muitos tours com saída de Dublin. Algumas dessas excursões incluem paragem em Belfast. Mas isso exigiria madrugar um dia após outro passeio, maravilhoso mas cansativo, às falésias de Moher e Galway.

O day tour que escolhemos com destino à Irlanda do Norte incluiu as seguintes atracções no condado de Antrim: Castelo Dunluce, Calçada dos Gigantes (Giant’s Caseway), ponte Carrick-a-rede e Dark Hedges.

 

game of thrones

O trono da série estava no The Dark Hedges Hotel, em Junho de 2019

Castelo Dunluce

Sabemos que entrámos na Irlanda do Norte quando as placas da auto-estrada passam a marcar milhas em vez de quilómetros. Algumas horas e milhas depois, fizemos uma paragem junto às ruínas do Castelo Dunluce, construído sobre as falésias pelos MacQuillan, uma família escocesa de mercenários.

Testemunha de uma história turbulenta, o castelo foi conquistado pelo clã MacDonnell na década de 1550. O seu percurso inclui a lenda de uma banshee e a estória de como as cozinhas desmoronaram sobre o mar numa noite de tempestade.

Vale a pena conhecer este monumento nacional, deambular pelas ruínas, subir às torres gémeas e percorrer os seus caminhos empedrados. Os visitantes podem explorar as ruínas arqueológicas da cidade há muito abandonada e ainda descer até à gigante Mermaid Cave (pelo que li, há escadas de acesso).

Infelizmente não tivemos tempo para visitar o interior, apenas uma breve paragem para algumas fotos. Mas deu para perceber por que este cenário integrou as filmagens do Game of Thrones e é procurado para tantos ensaios de casamento.

Horário: 9h30-17h00 | Bilhetes: £5.50 (adulto), £3.50 (4-16 anos, seniores e estudantes), grátis (menores de 4 anos). Preços especiais para famílias e grupos | O castelo não possui site.

 

Castelo de Dunluce

Giant’s Caseway – Calçada dos Gigantes

A menos de 10 minutos do castelo fica Bushmills, vilarejo conhecido pela sua destilaria de whisky, a mais antiga do mundo. Quem visita a região de forma independente pode visitar o espaço, onde se produz whisky há mais de 400 anos, e fazer uma prova. Não esquecendo que alguém terá que conduzir depois.

Dali à Calçada dos Gigantes é um pulinho. Esta é a única atracção da Irlanda do Norte que eu considero imperdível: castelos há muitos, paisagens oceânicas também. Mas estas formações geológicas são únicas: 40 mil colunas de basalto hexagonais que rompem do oceano!

Para lá chegar, a partir do centro de visitantes, é preciso escolher um dos trilhos ou apanhar o autocarro shuttle (£1 por trajecto). Nós fomos caminhando e achámos o percurso adorável, com pistas para descobrir a forma de um camelo nas rochas, a bota do gigante Finn MacCool ou um conjunto de chaminés.

Património mundial da UNESCO, a calçada resultou de erupções vulcânicas há mais de 65 milhões de anos. Mas como é que ficaram perfeitamente alinhadas, como uma escadinha? Criatividade da mãe natureza? Ou obra do gigante que queria ligar a Irlanda à Escócia para enfrentar um adversário?

 

Calçada dos Gigantes na Irlanda do Norte

 

Para os amantes de caminhadas, existem quatro trilhos de diferentes níveis de exigência, que oferecem vistas impressionantes. Chegados à Calçada propriamente dita, recomenda-se cuidado não só por causa dos desníveis, mas também por causa do vento. A costa é sempre ventosa, mas no Outono e Inverno as rajadas podem tornar-se perigosas e, se acompanhadas de chuva, o piso torna-se realmente escorregadio.

Dica importante: o acesso à Calçada dos Gigantes é gratuito. Apenas terá que pagar bilhete se quiser visitar o centro de visitantes (para algum enquadramento científico), ter acesso ao áudio-guia e parque de estacionamento. Se for esse o caso, ou se quer fazer um donativo, aceda ao site do Giant’s Caseway, para reservar | Bilhetes: £12.5 (adulto), £6.25 (a partir 5 anos).

Destilaria Bushmills: site | Horário variável ao longo do ano | Bilhete: £9 (adulto), £8 (estudantes e seniores), £5 (8-17 anos). Atenção: só são admitidas crianças com mais de 8 anos.

 

Giant's Caseway

Ponte de corda Carrick-a-rede

Fizemos um almoço rápido à beira da estrada, no The Giants Barn Café. Custou-nos £15.45 por uma salada, um rosbife que parecia a sola de um sapato e uma garrafa de água. Recomendo que levem merenda e tomem só um café ou a sobremesa ali (os doces tinham bom aspecto).

Mas a desilusão não durou, porque seguimos por uma estrada linda, com pastagens de um lado, com plácidos rebanhos a pastar, e o oceano do outro. O nosso destino era a famosa ponte Carrick-a-rede.

Construída por pescadores de salmão há mais de 350 anos, hoje atrai muitos visitantes. O trilho que conduz à ponte é lindo – parámos várias vezes para fotografar – acessível a carrinhos de bebé e cadeiras de rodas quase até ao fim. Mas estas não têm como transpor as escadas finais e a própria ponte, que liga a terra à pequena e piscatória “ilha Rocky”.

 

vista na costa de Antrim

 

Que dizer desta ponte, feita de corda e madeira, e suspensa a 30 metros acima do nível do mar? Baloiça ao sabor do vento e do movimento dos visitantes. Não é para todos os corações. Mas no dia que visitámos o local, o sol brilhava no céu e uma brisa doce embalava a tarde, sem causar desassossego.

E a recompensa era simpática: uma vista fantástica para a ilha Rathlin, a costa escocesa (a cerca de 20 km) e a Causeway Coast. As fotos não fazem justiça à beleza do lugar. Portanto lá fomos nós e até convencemos uma adorável sexagenária indiana a fazê-lo, apesar do seu medo de alturas. Aliás, que companhia divertida foi a Rajinie, a distribuir guloseimas e gargalhadas por todo o autocarro, ao longo desta aventura na Irlanda do Norte.

Ponte Carrick-a-rede site | Horários: 9h30-20h00 | Bilhetes: £9 (adulto), £4,5 (crianças). Preços especiais para grupos e famílias (este valor é usado para a preservação do lugar)

 

ponte de corda na Irlanda do Norte

 

The Dark Hedges – o caminho do rei

A última surpresa deste dia também está relacionada com a série da HBO. A menos de uma hora de Belfast, uma estrada de faias centenárias transformou-se na Kingsroad, onde Arya se disfarçou de rapaz para evitar ser capturada, e com isso perdeu tranquilidade. Isso significa muitos turistas e dificuldades acrescidas na hora de fotografar.

De Dublin: Excursão Game of Thrones

A estrada com mais de 150 árvores conduz à Gracehill House, uma casa georgiana do século XVIII construída pela família Stuart. A avenida que pretendia impressionar as visitas tornou-se num túnel de ramos entrelaçados que produz um fascinante jogo de luz e sombra.

Dois séculos depois, continua a ser uma visão magnífica, fonte de inspiração para fotógrafos e compositores, conhecida como The Dark Hedges. Mas o melhor deste lugar é o seu fantasma: a Grey Lady, a dama cinzenta que desliza entre as árvores retorcidas. Dizem que se trata de uma empregada da casa vizinha que morreu em circunstâncias misteriosas séculos atrás, ou talvez a filha de James Stuart, referida em algumas genealogias como “Cross Peggy”. Quem quer que seja, dá um charme extra ao lugar.

Hoje, a propriedade faz parte de um complexo que inclui um hotel (The Hedges Hotel), parque de estacionamento para carros e autocarros, restaurante, e um campo de golfe de 18 buracos. No hotel pode conhecer uma das 10 portas Game of Thrones, feitas com madeira de árvores locais, derrubadas durante uma tempestade no Inverno de 2016. Cada uma das “Doors of Thrones” tem desenhos esculpidos com cenas da série.

The Dark Hedges site | acesso livre

 

Nota: valores em vigor no Verão de 2019

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