A costa oeste da Irlanda brinda-nos com paisagens puras e selvagens, dias ventosos e poéticos. Visitámos as falésias de Moher e a vibrante cidade de Galway num único dia. Desejámos ficar uma semana

Do lado oposto da capital, a costa oeste irlandesa desdobra-se em recantos impactantes. Estradas estreitas e caminhos rurais, ladeados por pastagens, moinhos e antigos mosteiros, substituem a auto-estrada, abrindo caminho para uma Irlanda mais autêntica.

A “ilha esmeralda” convida a passeios solitários, entre a natureza e o azul do oceano Atlântico, que espreita a intervalos regulares. Para quem não é amante da natureza, há muitas outras actividades interessantes, começando por um roteiro pelos pubs tradicionais.

A pequena e artística Galway é um bom ponto de partida para explorar esta costa ocidental. Ali perto ficam as ilhas Aran, onde os 1200 habitantes falam sobretudo gaélico irlandês. E ainda as falésias de Moher, a região de Burren e o Parque Nacional Connemara, com três mil hectares de pastagens, florestas, pântanos e montanhas, túmulos megalíticos e um cemitério do século XIX.

A própria cidade é muito animada, com eventos como o St. Patrick’s Day (Março), as corridas de Galway (Verão), o Festival das Ostras (Setembro), o Festival de Jazz, o Festival de Comédia ou o Halloween (Outubro). Por algum motivo lhe chamam “Festival City”.

Para quem tem apenas alguns dias na Irlanda, pode optar por uma excursão de um dia, com saída de Dublin. Nós fizemos a Cliffs Of Moher, Atlantic Edge Ocean Walk & Galway City Day Tour, que demorou cerca de 12 horas, com a Wild Rover Tours.

 

costa oeste da Irlanda

As impressionantes falésias de Moher

A primeira grande paragem do dia aconteceu nas falésias de Moher, no condado de Clare, uma das semifinalistas das 7 maravilhas naturais do mundo e a atracção mais visitada do país.  As falésias estendem-se por vários quilómetros, elevam-se a 120 metros acima do nível do mar, no ponto mais alto, e oferecem vistas espectaculares.

Parece que estamos no “fim do mundo”, onde tudo se precipita para o abismo, sob chicotadas de vento, mesmo nos meses de Verão. Permanecemos humildes perante esta demonstração da força da natureza, com mar até onde a vista alcança, o cheiro forte a maresia e os pássaros que dominam os céus.

Tomando o caminho da direita, existe um percurso pavimentado que conduz à Torre O’Brien (1835). A torre tem acesso pago (2€) mas estava em manutenção, aquando da nossa visita. Se optar por este trilho, será acompanhado por um muro alto de protecção.

No sentido oposto, para Sul, fica o Cliffs Coastal Trail que, na nossa opinião, tem uma vista ainda mais bonita. Com sorte, encontrará aí os voluntários da  Birdwatch Ireland; falámos disso no post Irlanda com Crianças: a ilha esmeralda em família.

 

vista das falésias de Moher

trilho nas falésias

 

A certa altura, um aviso recorda que estamos a sair dos domínios do parque. As protecções são menores e o trilho deixa de ser pavimentado. Já lá morreu gente, por se aproximar demasiado da escarpa em busca de uma selfie arrojada! Mas, de facto, o trilho não é perigoso, desde que haja um pouco de bom senso e se mantenha as crianças debaixo de olho.

Estivemos duas horas nas falésias de Moher, que passaram num ápice, entre caminhadas, cliques e um lanche. Se quiser fazer um piquenique, há mesas disponíveis para isso, perto do centro de visitantes.

A musical Galway

Seguimos depois pela costa rumo a Galway, cidadezinha com um ambiente apaixonante e música em cada esquina. Começámos a visita à beira-mar, junto ao Arco Espanhol, com uma visão sobre as águas com cisnes e hookers. Não é o que estão a pensar… são simples barcos de pesca tradicionais J.

Uma curiosidade sobre os dois arcos do século XVI que restam da antiga muralha. Eles foram parcialmente destruídos em 1755 por um tsunami resultante do terremoto que destruiu Lisboa (caramba)!

Seguimos depois para o centro histórico, descobrindo algumas igrejinhas antigas, as ruas animadas com estudantes (é uma cidade universitária), turistas e músicos. Ao longo da Quay Lane, a rua pedonal, os pubs e os restaurantes multiplicam-se. São especializados em frutos do mar, sobretudo ostras, e em craic, termo irlandês que é sinónimo de diversão, boa conversa e companhia.

 

centro de Galway

igreja no centro de Galway

A Igreja de St. Nicholas, anglicana e medieval (séc. XIV)

 

Algumas pérolas para descobrir no centro de Galway? A casa de chá The Lighthouse, que também serve almoços, com comida orgânica e vegetariana. O Crane Bar para ouvir música irlandesa tradicional, e o McDonagh’s para os fish and chips mais frescos de sempre!!!

A histórica loja de Thomas Dillon para comprar um tradicional anel de Claddagh, que simboliza amor, lealdade e amizade. E a inspiradora Charlie Byrne’s Bookshop, com mais de 100 mil obras expostas. Esta livraria tem uma “hora do conto” pensada para crianças com necessidades especiais, com grupos mais pequenos e em horários mais tranquilos. Adoro.

Infelizmente, o nosso tempo limitado em Galway não permitiu esticar o passeio até aos edifícios históricos da universidade ou passear nas margens do rio Corrib, o mais curto da Europa, da universidade até ao centro. Mas se tiverem oportunidade, apreciem este caminho de ruas coloridas e casas pitorescas.

Terminámos o passeio na Praça Eyre Square, onde os locais se juntam para comer, conversar e desfrutar do sol, antes do regresso a Dublin.

 

estudantes em Galway

Detalhe em Galway

Apreciação do passeio com a Wild Rover Tours

A costa oeste foi uma linda surpresa e um dos programas mais interessantes que fizemos na Irlanda. O autocarro saiu pontualmente de Dublin. Tinha wifi, que funcionou razoavelmente durante todo o trajecto. O único senão que tenho a apontar foi o tempo escasso que pudemos permanecer em Galway.

Ao contrário de outras empresas que oferecem day tours, fomos acompanhados por um guia e um motorista. Experimentámos outra empresa para visitar a Irlanda do Norte e era o próprio motorista que fazia de guia, debitando factos históricos e curiosidades, enquanto conduzia.

O guia que nos acompanhou às falésias de Moher e Galway (Kevin) não só demonstrou um profundo conhecimento sobre o seu país, como nos envolveu na sua narrativa de forma apaixonante e com um humor fora de série. O Pedrinho achou-lhe tanta piada, que quis tirar uma foto com ele! E ainda nos deu dicas preciosas de bons restaurantes e pubs, tanto em Galway como em Dublin. Avaliei-o com 5 estrelas no Tripadvisor.

Eis algumas das suas dicas em Galway: McDonagh’s (fish and chips, experimentámos e vale realmente a pena), The Quays (para comer ostras), The Skeff (comida de pub) e O’Connell’s (pub).

 

guia da Wild Rover Tours

 

Site oficial Cliffs of Moher aqui | Consulte o site para consultar horários (alteram ao longo do ano) | Bilhete: a partir de 4€, os adultos; grátis até aos 16 anos (Verão de 2019)

Dica: o valor estará incluído no passeio, caso faça um tour. Os bilhetes não são “picados”, não há uma entrada propriamente dita, mas podem ter que ser apresentados a qualquer momento a algum funcionário do parque. O tour custa 55€ para os adultos e 40€ para as crianças com menos de 12 anos.

Planeie a sua próxima viagem

Faça as suas reservas através dos links parceiros. Não paga nem mais um cêntimo e para mim faz toda a diferença

  • Encontre os melhores hotéis no  Booking. É onde eu faço as minhas reservas
  • Se precisa de transporte próprio, alugue um carro com a Rentalcars 
  • Reserve os seus bilhetes para monumentos e tours, evitando filas, usando o Get your Guide 
  • Faça um seguro de viagem com a Iati seguros (beneficia de 5% de desconto com este link).

Este post pode conter links de afiliados