Templo de Hórus (Edfu) e os ciclos lunares

Em Edfu, uma cidade remota no sul do Egipto, fica um dos templos mais fabulosos de sempre: o templo de Hórus. A secura do ambiente conservou o edifício de uma forma invejável

Deixámos Luxor para trás e continuámos a subir o rio, em direcção a Assuão. O barco, o Nilo Carnival, tem poucos passageiros, o que nos permite viajar de uma cidade à outra com muita tranquilidade. Quem procura, encontra-me num de três sítios: sala de massagens, jacuzzi ou espreguiçadeira.

Depois do jantar, há sempre animação no bar: a Galabia Party, dança do ventre, dervixes rodopiantes mas nós, newly-weds, perdemos alguns,

A nossa próxima paragem é Edfu, a cidade de Hórus, que desempenhou um papel importante na antiga rota das caravanas, unindo o vale do Nilo às minas do deserto, e que foi sede do culto àquele deus que muitos comparam ao grego Apolo.

Nada mais lógico do que visitar o seu templo, da época ptolomeica. Construído entre 237 a.C. e 57 a.C., o Templo de Hórus é de uma majestade e uma pureza arquitectónica que não deixam ninguém indiferente.

Eu sei, são adjectivos que tenho usado com alguma frequência acerca desta aventura, mas não deixam de ser sentidos, nem tenho outra forma de descrever o quanto aquele país me deixou enlevada. O Egipto é uma lição de humildade, não conheço quem lá tenha ido e não se tenha sentido uma pequena formiguinha.

O templo de Hórus

A porta do santuário (pequenina, com apenas 37 metros de altura) é guardada por dois falcões, a forma comum de representar o deus regente dos céus e dos astros neles semeados. Praticamente todas as superfícies, dentro e fora do templo, estão cobertas de baixos-relevos e hieróglifos. Mas, infelizmente, algumas foram desfiguradas por cristãos, que as consideravam pagãs.

Foi naquele cenário grandioso, sob um céu azulão, que Farouk nos introduziu na mitologia egípcia. Diz a lenda que Ísis pousou, na forma de um pássaro, sobre a múmia do esposo Osíris e, destas núpcias post-mortem, nasceu Hórus. Os deuses são assim, conseguem ser fecundos mesmo depois de mortos!

Há uma estela no Museu do Louvre que narra este episódio, com o seguinte hino:

Oh benevolente Ísis
que protegeu o seu irmão Osíris,
que procurou por ele incansavelmente,
que atravessou o país enlutada,
e nunca descansou antes de tê-lo encontrado

Ela, que lhe proporcionou sombra com suas asas
e lhe deu ar com suas penas,
que se alegrou e levou o seu irmão para casa.
Ela, que reviveu o que, para o desesperançado, estava morto,
que recebeu a sua semente e concebeu um herdeiro,
e que o alimentou na solidão,
enquanto ninguém sabia quem era…

Mais tarde, Hórus matou o seu tio Set (ah, estas intrigas familiares) para vingar a morte do pai e assumir o poder. Numa das batalhas, Hórus perdeu o olho esquerdo, o olho da lua, o que poderá ter originado os ciclos lunares. Extraordinário como há uma explicação para tudo!

Dica: esta viagem aconteceu em 2006, altura em que contratámos uma agência. A realidade do país mudou um pouco, mas ainda é difícil fazer a visita de forma independente.

 

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2019-07-16T16:44:53+00:00

12 Comments

  1. toze 17 Julho, 2012 em 23:39 - Responder

    obrigado por partilhares um pouco do mundo e da sua cultura…

  2. Mirze Albuquerque 18 Julho, 2012 em 11:08 - Responder

    MARAVILHOSO!

    Obrigada!

    Beijos

    Mirze

  3. Adriana 18 Julho, 2012 em 11:25 - Responder

    novamente venho te agradecer a oportunidade de viajar contigo…são lições, tanto de história, quanto de vida, que nos dá! Muito obrigada, bjs
    tititi da dri

  4. Ruthia 18 Julho, 2012 em 11:25 - Responder

    Eu é que vos agradeço, amigos.
    Tozé, eu sei que me vens ler quando podes, mas esta é a primeira vez que deixas um comentário, o que me deixa muito feliz.

    Mirze é tão bom "tê-la" aqui novamente! Voltem sempre e sintam-se em casa…
    Beijinhos para os dois

  5. Eliana 18 Julho, 2012 em 18:32 - Responder

    Ok… eu não posso ler os teus artigos! :/ A viagem não é nada barata…. por isso vou viajando com as tuas palavras… 😉 *** ( ok, mais uma coisa para me ajudar a não pegar naquilo) 😛

  6. Ruthia 18 Julho, 2012 em 18:50 - Responder

    Eliana linda, a viagem não é propriamente barata, mas vale cada cêntimo. Não sei se um dia lá voltarei, mas não queria morrer sem pisar aquele chão mítico, sem sentir o bafo quente do deserto, sem me sentir uma formiguinha perante a majestade e a sabedoria dos antigos.
    O facto de ter sido a primeira grande viagem com o Miguel também lhe empresta uma carga afectiva enorme…

    Se as minhas humildes aventuras te ajudam nessa batalha contra o cigarro, sou uma blogger feliz!

    Beijinhos (também para a Dri que deixa sempre um comentário amável)

  7. M. 18 Julho, 2012 em 23:16 - Responder

    Há, de facto, sempre uma explicação para tudo! Viagens maravilhosas as vossas, que mais hei-de dizer? Talvez que, à parte a sala de massagens, eu alinhava em tudo 😉
    Beijinhos,
    Madalena

    • Ruthia 19 Julho, 2012 em 7:34 - Responder

      Oh Madalena, és a primeira pessoa que conheço que não gosta de massagens. Eu fazia uma por semana. São uma recauchutagem para o corpo (para tirar estes nós das costas e dos ombros) e para a alma 🙂
      Gosto muito de te ver sempre no meu cantinho
      Beijinhos

      • Dora 6 Julho, 2020 em 21:06 - Responder

        Olá, querida Ruthia! Um privilégio conhecer-te, e ao Miguel, nesta viagem, a primeira para fora do nosso país… e que aventura!
        O guia, o Farouk, sempre gentil.
        Queremos lá voltar e desta vez, levar os meninos.
        Espero um dia, voltar a ver-te. Um bj, Dora

    • M. 19 Julho, 2012 em 8:08 - Responder

      Ruth, só fiz uma vez, mas tive de pedir à senhora para fazer só da cintura para cima, porque não aguentava com cócegas!!!
      Beijinhos

    • Ruthia 19 Julho, 2012 em 11:50 - Responder

      🙂 Está tudo explicado então!

  8. Stephanie 20 Julho, 2012 em 6:07 - Responder

    Ah eu amo essas hidro-ofurôs rs, desejei estar ali viu 😀
    Ótima sexta!!
    Beijos

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