Cem dias entre céu e mar, de Amyr Klink

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Cem dias entre céu e mar?Porque é que alguns seres humanos precisam de se lançar no desconhecido, ultrapassar todas as barreiras, superar obstáculos hercúleos, pôr em risco a própria vida?

O brasileiro Amyr Klink, filho de um libanês e de uma sueca, oferece a melhor das respostas, na obra Mar sem fim: 360º ao redor da Antártica‎ (2000):

 

excerto de "Cem Dias entre céu e mar"

 

A sua citação tem tanta mais força porque ele fez precisamente isso. Ele desafiou os elementos e, perante a incredulidade da família e dos amigos, tornou-se o primeiro homem a atravessar o Atlântico sul (a remo) e a circum-navegar a região polar Antárctica.

Acabo de ler Cem dias entre céu e mar (1985), onde o autor relata a primeira dessas travessias, absolutamente extraordinárias. Foram mais de 3500 milhas (cerca de 6500 Km) desde o porto de Lüderitz, na Namíbia, até ao litoral baiano, a bordo de um minúsculo barco a remos.

Imaginem mais de três meses a remar durante oito horas diárias, completamente sozinho numa imensidão sem fim, vencendo tempestades, ondas gigantes e ventos ensurdecedores. Apesar dos fracassos anteriores, nomeadamente dos ingleses Michael McIntayre e John Hornby!

Como deve ter sido reveladora esta odisseia, uma verdadeira viagem de auto-conhecimento, pois Amyr não tinha mais ninguém por companhia que não a si próprio.

rota entre a Namíbia e a Bahia feita pelo autor

Mais do que a capacidade de se superar, o economista e navegador brasileiro concluiu, com esta experiência, que poucas coisas são suficientes para vivermos bem e em paz (p. 119).

Pensando bem, que mais poderia alguém no mundo desejar do que olhar nos olhos das baleias, conversar com as gaivotas sobre os azimutes da vida, procurando durante cem dias e cem noites um único objectivo e, subitamente, tê-lo diante dos olhos, ao alcance dos pés, numa tranquila tarde de terça-feira? (p. 152).

Esta belíssima obra foi-me oferecida por uma amiga brasileira, a Marisa Pereirinha, que aproveitou a sua viagem a Portugal – veio finalmente conhecer a terra onde os seus pais nasceram – para desvirtualizar a nossa amizade.

A fortuna conjura para que certas pessoas se encontrem. Senão veja-se, a Marisa desconhecia que eu nasci na Namíbia, perto da fronteira com Angola, e ofereceu-me, maravilhosa coincidência, um livro que narra uma viagem entre a Namíbia e o Brasil, dois lugares por onde eu passei durante a minha curta existência! Mais do que uma aventura, este livro presenteou-me com valiosas descrições da minha terra natal.

 

excerto da obra
Como o Amyr, só posso exclamar: “é preciso tão pouco para sermos felizes”.

 

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2019-08-16T10:49:36+00:00

22 Comments

  1. ✿ chica 23 Agosto, 2014 em 23:13 - Responder

    Incrível mesmo esse despojamento de tudo, da família, amigos e viver tanto tempo só no mar! Adoro o mar, mas não conseguiria. bjs, tudo de bom,chica

  2. Marisa Pereirinha 24 Agosto, 2014 em 0:41 - Responder

    Que deliciosa surpresa, minha querida. Me identifiquei com você por causa das suas postagens porque também adoro viajar, e quando não posso viajar de fato, faço isso através de livros e fotos. Seu blog é fantástico e muito bem escrito porque você consegue de forma simples, mas com tamanha sensibilidade descrever os lugares onde passa, que ao terminar de ler, fico com a sensação de ter viajado junto. Não sei se você se recorda, mas o trecho que destacou foi meu primeiro comentário na sua página do facebook “O Berço do mundo”. Li quase todos os livros de Amyr Klink, mas esse e “Mar sem fim” são os meus preferidos, que bom que gostou.
    "Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só nem nos deixa sós. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas há os que não levam nada. Essa é a maior responsabilidade de nossa vida, e a prova de que duas almas não se encontram ao acaso. "
    Antoine de Saint-Exupéry

  3. Ruthia 24 Agosto, 2014 em 7:47 - Responder

    Com certeza vou comprar o "Mar sem Fim", que deve ser outra aventura e tanto.
    Também acredito nessa sabedoria do Principezinho… Muito obrigada pelo carinho.
    Beijinhos

  4. Adriana LARA 24 Agosto, 2014 em 12:18 - Responder

    ele é mesmo sensacional…. um ícone aqui no Brasil, em se tratando de mar, travessias, viagens…. bjs desejando excelente domingo
    tititi da dri

  5. Adriana Balreira 24 Agosto, 2014 em 13:10 - Responder

    Que delicia de presente vc ganhou. Além de conhecer pessoas, vc ainda ganhou um belo livro com uma belissima história. Fico imaginando a aventura dessa viagem só! Uma odisséia mesmo.
    Beijos
    Adriana

  6. Cris Braghetto 24 Agosto, 2014 em 14:38 - Responder

    Realmente, você ganhou dois presentes, uma linda amizade real e um livro repleto de maravilhosas aventuras. Fiquei tão interessada que vou adquirir o livro. Me lembrei do seu pequeno explorador, que, com tanto incentivo, tem tudo para ganhar o mundo. Quando vier a São Paulo será um prazer acompanhá-la. E você tem razão, eu também me identifico muito com seus escritos, que são culturais e ricos. Um lindo domingo para você também. Beijos.

  7. Raphael Mourão 24 Agosto, 2014 em 14:57 - Responder

    Adoro viajar, não me importa o meio que vou e esse daí sabe fazer belas viagens
    ]Gostei do seu blog e agradeço a visita ao meu, já estou seguindo e se gostar do meu siga

    Beijos

    Rafael
    http://brasilbao.blogspot.com.br

  8. Anne Lieri 24 Agosto, 2014 em 18:49 - Responder

    Eu conheço esse livro e é magnífico! A parte que uma baleia passa debaixo do barco dele é de arrepiar!…rss…belas lições de vida pra todos nós! bjs,

  9. Jussara Neves Rezende 24 Agosto, 2014 em 18:53 - Responder

    Eu a ler e a imaginar que sua amiga conhecia o lugar de seu nascimento… que bela descrição da Namíbia! Tenho que concordar com vc quando diz que 'a fortuna conjura para que certas pessoas se encontrem'. Achei os trechos que vc citou muito poéticos. Nunca havia imaginado ler algo do autor, mas de agora passei a desejar.
    Outro dia vc me perguntou se seria da minha estada em Portugal a minha paixão por Florbela… foi o contrário, minha querida. Foi por amor aos escritores portugueses, muito mais do que algum dia cheguei a amar os brasileiros, e por conhecer Portugal através de sua literatura, que desejei aí estar por um tempo. Na verdade, conheci Portugal antes de aí chegar… e continuo a amá-lo para além da saudade!
    Abraço!

  10. Sissym Mascarenhas 25 Agosto, 2014 em 21:19 - Responder

    Ruthia,

    adoraria ler novamente este livro, na época, foi uma sensação, alias, uma liçao de vida tambem. Como ele mesmo disse, devemos viajar para deixarmos de ser arrogantes ou pequenos. Aprendi que só abre a mente quem evoluiu por dentro, não adianta ver tantas diferenças, passar por tantas culturas diferentes, e não mudar dentro de si.

    Querida, sobre meu blog, vou voltar ao formato anterior, embora esteja gostando de usar o G+, até poder arrumar de outra maneira com mais opções.

    Bjs

  11. MARILENE 26 Agosto, 2014 em 1:19 - Responder

    Já passei pela experiência de conhecer amigas virtuais e gostei muito. Posso imaginar seu contentamento.
    Não havia pensado, antes, em ler a obra. Talvez porque veja a beleza do mar, sem apreciar navegar por ele, ainda mais sozinha. Estar só nos permite uma comunicação diferente com o mundo e conosco, mas para viajar gosto de ter companhia. Bjs.

  12. Stephanie 26 Agosto, 2014 em 1:51 - Responder

    Ruthinha, eu ainda não tive a oportunidade de ler o livro dessa viagem maravilhosa, mas acompanhei muito na época pelas redes e tv. Mas foi uma aventura e tanto, né?! E uma experiência única e inesquecível!!!
    Beijinhos, Té

  13. Zilani Célia 27 Agosto, 2014 em 22:22 - Responder

    OI RUTHIA!
    O MAIS INCRÍVEL DISSO, PARA MIM, É A APROXIMAÇÃO DE VCS, "TEM RAZÕES QUE A PRÓPRIA RAZÃO DESCONHECE" NÉ AMIGA?
    O "AMYR" É UM DESBRAVADOR MODERNO, NAVEGOU DE UM MODO NUNCA FEITO POR NINGUÉM, É PASSIVO DE TODA NOSSA ADMIRAÇÃO.
    DEVE SER MUITO BOM SEU LIVRO.
    ABRÇS

  14. M. 28 Agosto, 2014 em 15:07 - Responder

    Sem dúvida, Ruthia, por vezes nem nos apercebemos da nossa pequenez no universo! Quem puder, deve viajar o mais possível (embora eu dispensasse bem conhecer alguns países, por não estar preparada para ver como, em comparação, o nosso país é mesmo um paraíso!)!
    Beijinhos e parabéns pelo livro, adorei a dedicatória!

  15. António Manuel - Tómanel 28 Agosto, 2014 em 16:24 - Responder

    Hoje é dia de visita ao teu blog, por tal motivo, venho desejar-te um fim de semana cheio de alegria e, ao mesmo tempo, acalentar-te no sentido de, continuares com as tuas belíssimas publicações, como é o caso em apreço.
    Um abraço com dá Algarve.
    UM RAIO DE LUZ E FEZ-SE LUZ
    António Manuel – Tómanel

  16. Clara Lucia 31 Agosto, 2014 em 2:18 - Responder

    Sim, precisamos de muito pouco, mas pra viajar precisamos de um pouco mais, infelizmente.Mas pra não ficarmos na mesmice conhecemos gente que viaja e nos conta, como vc, Ruthia, que tão bem escreve e nos faz viajar por lugares que dificilmente iremos. Conhecendo um pedaço do mundo através de seus escritos, assim, dia a dia. Como não amar?
    Com certeza não sou uma dessas pessoas que se aventura por aí, muito menos no mar… medo! rsrs
    Beijos, e ótimo fim de semana!

  17. Marineide Dan Ribeiro 31 Agosto, 2014 em 12:42 - Responder

    Quero muito ler este livro…Deve ser muito enriquecedor…Esta aventura de explorar o mundo é simplesmente maravilhosa!

    Bom domingo!
    Bjussss

  18. Viajante 5 Setembro, 2014 em 23:40 - Responder

    Olá, olha eu aqui em minha primeira visita ao seu cantinho.
    Não lembro porque, mas, embora viajante inveterado, resisti em ler esse livro por muitos anos. Abri meu coração apenas no começo deste século. E o li finalmente. Na verdade, devorei as páginas em pouquíssimo tempo. Adorei, obviamente.
    Entre tantos livros empolgantes que li sobre o tema viagem, esse é daqueles que me incentiva a viajar, mas principalmente a relatar e a publicar minhas experiências vividas durante as viagens.
    Daí não parei mais, nem de viajar, nem de relatar.
    Um grande abraço.
    Augusto.
    http://viajantesustentavel.blogspot.com.br/

  19. Beatriz Bragança 6 Setembro, 2014 em 16:28 - Responder

    Querida Ruthia
    Mas que interessante! Que coincidência! A sua amiga oferecer-lhe um livro que tanta importância ia ter para si. A vida é assim:recheada de surpresas,muitas delas,felizmente boas!
    Admiro muito este homem.Gosto de viajar,mas seria incapaz de o fazer nas condições em que ele enfrentou o mar.Felizmente tudo correu bem e ele ficou maravilhado,orgulhoso e muito mais sábio.
    Obrigada pelo excelente artigo.
    Um beijinho
    Beatriz

  20. Marcia Picorallo 12 Maio, 2018 em 22:10 - Responder

    Ainda não li este livro, Ruthia, mas conheço a célebre frase do início de seu post e ela me diz tanto em tão poucas palavas.
    Me deliciei com o livro Paratii, que narra outra aventura de Amyr, desta vez para os pólos, você o leu?

  21. Luciana Freitas 23 Junho, 2018 em 17:58 - Responder

    Que texto lindo. Eu não li o livro mas o Amyr é uma daquelas pessoas que inspiram. Inspiram nos desafiarmos, a humildade de que somos tão pequenos nesse mundo tão vasto, a tolerância, a curiosidade. Que linda a coincidência no presente, linda história.

  22. gabitorrezani 26 Outubro, 2018 em 14:38 - Responder

    Eu li esse livro aos 14 anos, pois foi pedido no meu colégio, e foi MUITO marcante. Mesmo sendo uma menina bem jovem fiquei com as aventuras do Amir na cabeça, com esse conceito de viajar para perder a arrogância… Nunca me esqueço 😉

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