Convento do Carmo em Lisboa

Vencemos uma das colinas que caracterizam Lisboa, para chegar às mais comoventes ruínas da capital: eis-nos no Largo do Carmo, palco da Revolução dos Cravos.

Temos o mapa 9 do Explorar Lisboa na mão, porque eu queria muito, muito, mas muito conhecer a Igreja e Convento do Carmo. Na verdade, conhecer as ruínas, pois o templo gótico foi devastado pelo terremoto (1755) que ia varrendo a cidade do mapa.

O abalo foi tão grande que foi sentido em Espanha (recordem os estragos causados na catedral de Salamanca), e a ele seguiu-se um maremoto e muitos incêndios porque, em Dia de Todos os Santos, milhares de velas ardiam nas igrejas. Daí nasceu o ditado “cair o Carmo e a Trindade”, para aludir a uma grande desgraça, por referência a duas igrejas muito próximas e que ficaram seriamente danificadas.

A belíssima igreja nunca chegou a ser reconstruída, pelo que as ruínas permanecem como memória pungente da tragédia. Os gigantes arcos em ogiva conduzem o olhar para as alturas, mas é o céu que serve de tecto às pedras, resultando em fotografias com uma pátina melancólica, mas definitivamente interessantes.

Entretanto, duas partes da construção foram reaproveitadas. A primeira acolhe um Museu Arqueológico, onde repousa o túmulo do rei D. Fernando I e um espólio arqueológico interessante que inclui duas múmias do Peru (juro! foram as primeiras múmias que o Pedrinho viu, mas não se mostrou nada incomodado. A imagem já está no Instagram).

A outra parte habitável do edifício foi convertida em quartel. Marcelo Caetano refugiou-se ali dos militares revoltosos durante o 25 de Abril e o capitão Salgueiro Maia dirigiu o cerco, como recorda a placa comemorativa no largo.

Descermos para a baixa lisboeta, parando para comprar um chocolate a um vendedor indiano que só falava inglês e para conhecer a emblemática estação de comboios, com os seus painéis de azulejos e a linda fachada manuelina, onde há pouco tempo um doido por selfies espatifou a estátua do rei D. Sebastião. O Pedrinho respondeu com prontidão à questão acerca do mito que envolve o monarca desaparecido em Marrocos: “ele vai voltar num dia de nevoeiro”.

O mapa levou-nos também ao Teatro D. Maria II e à Ginjinha inventada pelo galego Espinheira. Na porta conta-se a estória de Matheus (feio, magro e tísico) e do seu anafado irmão, que gozaria de uma esplêndida saúde por beber 6 copos de ginjinha por dia!

Por fim, levou-nos ao hospital das bonecas e ao turístico café Nicola. Tenho a dizer que o pequeno explorador soltou deliciosas gargalhadas perante a quadra do Bocage e ainda hoje a recita de cor, a quem o quiser ouvir… Certo dia, um polícia perguntou ao Bocage quem era, de onde vinha e para onde ia. A célebre resposta:

Eu sou o Bocage
Venho do Nicola
Vou p’ro outro mundo
Se dispara a pistola

Site do Museu Arqueológico do Carmo aqui | Bilhete: 3,5€ (adulto)

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26 Comentários

  1. Ana Christ

    Ruthia, vi a triste notícia do "adorador de selfie" que destruiu a estátua de Dom Sebastião. Que tristeza, não?
    Falando em Dom Sebastião, temos aqui no Brasil uma lenda segundo a qual ele não desaparece. Ele foi, isso sim, morar nas dunas de uma longínqua ilha no Maranhão, chamada Ilha de Lençóis e aparece até nas dunas, durante as noites de lua cheia. Uma rica produção cultural maranhense foi produzida a partir dessa lenda e até hoje os moradores de Lençóis acreditam mesmo nisso (se disser que é lenda, eles ficam bravos! rsrs)! Compartilho com você um CD só com músicas inspiradas nessa estória (ou história? rs)! Eu me emociono toda vez que ouço: https://www.youtube.com/watch?v=nmkT9XsB5Fc

    Beijos,
    Ana Christ
    do blog Nativos do Mundo

    1. Ruthia

      Que pequena maravilha, Ana. Obrigada por partilhar connosco essa estória. S. Sebastião a mover multidões, tantos séculos depois.

  2. Lúcia

    De Lisboa, eu gosto de tudo. Postagem, como sempre impecável! Ah ! a Ginginha, gosto com elas e sem elas…(até trouxe, pro Ceará). Beijo, Ruthia!

    1. Ruthia

      Eu gosto mais do vinho do Porto. Mas naquele dia, a bebida caiu-me que "nem ginjas"

  3. Zilani Célia

    OI RUTHIA!
    LINDAS TUAS FOTOS, ACHEI DEMAIS O HOSPITAL DAS BONECAS E FUI NO TEU INSTAGRAM
    E FIQUEI IMPRESSIONADA COM A MÚMIA, AINDA BEM QUE O PEDRINHO NÃO SE ABALOU COM A VISÃO, KKK
    ABRÇS

    1. Ruthia

      Impressionante como a senhora está bem conservada para a idade, não é?
      Abraço

  4. ✿ chica

    Beleza de viagem contido e o explorador, que tudo sabe e lembra … Adorei ver o hospital de bonecas… Lindo post! bjs, chica

    1. Ruthia

      O hospital das bonecas é realmente adorável. Eu também não conhecia. Este jogo fez-me descobrir "segredos" fantásticos.

  5. Adriana LARA

    ai amiga, mais um lugar para conhecer/visitar em Portugal…. já começo a contar os meses para estar por ai!!! bjs com saudades

    1. Ruthia

      A lista continua a aumentar, Dri. Um mês não vai chegar, haha
      Beijinho, querida

  6. Beatriz

    Olá Ruthia, como é bom andar por esta bela cidade sendo uma autêntica portuguesa! Pois só assim consegue-se ver detalhes que nós, pobres mortais, não vemos, por pura falta de conhecimento! Agora já sei onde ir da próxima vez que for a Lisboa, ADOREI os lugares por onde passou e vou anotar tudo!!!

    Beijinhos!

    Bia <°(((<

  7. Sissym Mascarenhas

    Ruthia,
    Quase duzentos anos antes de 1755 Portugal já havia sofrido um enorme terremoto e mesmo assim, com toda dificuldade da epoca, guardaram para o futuro vestígios de historia. Sobre a estátua do rei D. Sebastião, eu assisti um noticiário que falou a respeito. Tem coisas que são inacreditáveis.

    Vc e sua familia sabem unir a beleza e a historia para ensinar ao filho e aos amigos leitores tambem.
    Bjs

    1. Ruthia

      Na verdade, Lisboa fica num sítio de risco, por causa das placas tectónicas que ficam por perto. Lisboa sofreu outros sismos (60-63 aC, 1033, 1356, 1755 e 1969, por exemplo) mas o de 1755 foi o mais destruidor.
      E é considerado um dos mais fortes a nível mundial, com magnitude estimada entre 8,75 e 9,5.
      Foi muito triste a notícia sobre a estátua de D. Sebastião. O que se faz por uma foto.
      Abraço

  8. M.

    Ainda voltará D. Sebastião? Estou a imaginá-lo a voltar e a actualizar-se, acedendo à internet num smartphone 🙂
    Belo passeio! Experimentaste a ginjinha? "Diz" que dá saúde!
    Beijinhos

    1. Ruthia

      Experimentei, sim senhora. Antes do almoço. Foi o suficiente para ficar com a cabeça azoada.
      Beijinho

  9. Elvira Carvalho

    Mais um belo passeio, este por um sítio que conheço mais ou menos bem.
    Abraço

  10. Toninho

    Muito bom estar a ler e aprender mais e mais desta bela terra.
    O que se preserva conta historia minha amiga.
    Bela partilha.
    Meu carinhoso abraço no bom fim de semana.

    1. Ruthia

      Obrigada pela sua presença sempre tão delicada.
      Bom fim-de-semana, amigo mineiro

  11. Sara com Cafe

    Que belíssimo! Com certeza iria adorar o passeio… então, desfruta-lo!

    abraço.

  12. Carlos da Gama

    Cara Ruthia
    Mais uma crónica muito bela sobre Lisboa. Obrigado.
    Pesquisei um pouco sobre a Ruthia e fiquei impressionado pela s suas incursões pela escrita.
    A Ruthia escreve divinamente, acredite. Parabéns!
    Abraço do Carlos da Gama

    1. Ruthia

      Muito obrigada pela visita e pelo comentário tão simpático.
      Um abraço

  13. Jussara Neves Rezende

    "Bom é esperar por D. Sebastião,
    quer venha, ou não"
    Por ele esperarei sempre em manhãs de bruma, Pedrinho, enquanto houver mundo e poesia, mesmo que loucos destruam monumentos e me deixem com raiva :/

    1. Ruthia

      Esse esperar por algo que pode não vir, tem um quê de trágico, Jussara.
      Mas é como a esperança, que tantas vezes não tem razão de ser e persiste…

  14. Lulu Freitas

    Que fotos espetaculares da ruínas do Carmo! Adorei explora esse pedacinho de Lisboa com você. Achei uma graça a loja de ginjinha (confesso que experimentei e achei meio estranho… preciso ir em uma loja dessas para provar mais!). Ótimo post!

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Ruthia Portelinha

Viajante, chocólatra, leitora compulsiva, mãe. Está a aprender chinês porque sim.

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