Depois das escarpas impactantes da Costa da Morte, terminamos a nossa pequena aventura galega na península do Grove, banhada pelas cálidas Rias Baixas.

Diz-se que são obra de Deus, que Ele estendeu a mão e, com os seus dedos, as formou num impulso de generosidade. Perdoemos a hipérbole natural de um povo apaixonado pela sua terra, sem deixar de reconhecer que existem ali recantos belíssimos.

A bênção divina estende-se às águas, ricas, que sustentam a comunidade de pescadores. As plataformas de criação de marisco dão um toque peculiar à paisagem e atraem turistas aos magotes. Anualmente, no mês de Outubro, chegam aos milhares para uma festa gastronómica que começou em 1953.

À distância de uma pequena ponte fica a isla de La Toja, que os galegos teimam em chamar A Toxa, a região turística mais elitista da Galiza, com o seu balneário termal, os SPAs, um casino e  campos de golfe verdinhos. E pensar que, até ao século XIX, a ilha era uma mera pastagem para o gado.

A descoberta destas águas nada tem de glamouroso: um padre terá deixado aqui o seu burro, agonizante, à espera da morte. Quando regressou à ilha, foi com surpresa que encontrou o asno alegre e com o pelo brilhante. Foi curado pelas águas milagrosas!

 

 

Para além das termas, nasceu aqui uma fábrica de produtos de beleza, famosa por causa do sabonete de cor negra e por usar água termal. Hoje, a produção é toda feita na Alemanha e na Eslovénia e a fábrica virou loja-museu. Da ilha, os sabonetes apenas carregam o nome e os sais minerais.

O sol ainda está meigo quando saímos da loja, perseguidos por um leve aroma perfumado. Quero espreitar a ermida de San Sebastián antes que o primeiro autocarro chegue e vomite dezenas de turistas. A igreja românica do século XII nada tem de sumptuoso, mas queria mostrar ao Pedro porque é tão singular: está coberta de conchas de vieira.

O material, que abunda por estes lados, faz o pequeno templo brilhar num tom nacarado. No interior, modesto, mora uma Virgem do Carmo pequenina emoldurada por uma grande concha. O pequeno explorador admira as vieiras de perto, lendo em voz alta os nomes inscritos (foto no Instagram d’O Berço). Na verdade, um pequeno aviso na porta pede aos visitantes para não escreverem nas conchas, mas o ser humano tem esta sede de deixar sempre a sua marca por onde passa…

O primeiro grupo chega, quebrando o encanto e o silêncio. É a nossa deixa para rumarmos até outras paragens.

 

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Site da marca La Toja aqui

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