Com uma vista magnífica sobre o rio Minho e rodeado por montes tranquilos, o Boega hotel, que já foi um albergue para peregrinos, prometia um fim-de-semana perfeito. Será que cumpriu?

As expectativas crescem ao cruzarmos o portão gigante brasonado, sobem um pouco mais enquanto percorremos o longo caminho empedrado, apreciando o ar senhorial da mansão do século XVII e, finalmente, atingem um patamar estratosférico quando a vista se abre perante os nossos olhos.

O rio parece desfilar lá em baixo; a pequena Ilha dos Amores, com a sua carga poética, irrompendo o manso percurso com uma explosão de verde e, na outra margem, a vila galega de Goián. Estamos a pouco mais de uma hora do Porto, mais perto ainda de Espanha e, no entanto, sentimo-nos isolados num cenário de um livro, pois tudo o que se ouve é o vento e os pássaros.

Grandes jardins envolvem o típico solar minhoto , nos arredores de Vila Nova de Cerveira (roteiro para explorar a região aqui), servido de piscina, parque infantil, campo de ténis e até uma capela privada, repleta de lindos azulejos. A grande propriedade é atravessada por um antigo caminho de Santiago. Parece que tudo se conjuga para nos apaixonarmos pelo lugar.

Mas sabem o que se diz acerca de grandes expectativas?

 

© Boega Hotel.  Que delícia deve ser esta piscina num dia de sol

 

Construído em torno de um claustro com uma fonte de desejos, a acomodação está dispersa por três edifícios, com um total de 29 quartos: a Casa do Presidente com os seus 5 quartos; a Casa Principal com um quarto para recém-casados, uma suite e quatro quartos duplos superiores e a Casa de Campo, mais recente, com 16 quartos duplos e duas suites.

Nós ficámos na Casa Principal, num quarto bastante espaçoso, com cama extra e uma vista incrível. Contudo, achámos a mobília demasiado gasta. A secretária, por exemplo, tinha uma perna partida. A casa de banho também precisava de uma renovação. Acredito ser possível preservar a alma antiga da casa de uma forma mais eficaz, aproveitando os tectos em madeira escura e as paredes de pedra, mas usando uma decoração mais intemporal e elegante. Ainda assim, dormimos tranquilamente e num colchão confortável.

“O Peregrino”, o restaurante do hotel, possui um ritual muito próprio, anunciando o jantar com uma sineta. Fiel à gastronomia tradicional portuguesa, a ementa pode até ser maravilhosa, mas não tivemos oportunidade de provar, porque o menu do jantar é fixo e só tem um prato. Como no dia em que lá estivemos a opção era carne, que eu eliminei do meu prato há já algum tempo, acabámos por dar um salto à vila de Caminha.

 

Ao contrário da decoração dos quartos, gostei do carácter da sala de estar

 

Na manhã seguinte entrámos então no restaurante, para o pequeno-almoço, que em nada se destacou. Pão, uma torradeira minúscula, ovos mexidos e salsichas já um pouco frios, leite, café, chá… o normal, sem nada a lembrar-nos que o Boega tem quatro estrelas.

Lá fora, a chuva continuava a cair, pelo que nos quedámos na sala de estar, onde uma acolhedora lareira ardia, a ler e a conversar. Enfim, acabámos por regressar a casa, com as energias retemperadas pela pausa tranquila, mas sem quaisquer vestígios da paixão que o hotel prometia acender no peito. Instalações médias, sinal wifi inconstante, pequeno-almoço medíocre, tendo em conta a generosidade gastronómica da região.

É verdade que o S. Pedro não ajudou, pelo que não conseguimos desfrutar dos lindos jardins e da piscina, o que poderia ter melhorado consideravelmente a experiência. Tudo somado, apenas a vista incrível – com o verde da paisagem minhota e o azul do rio embrulhados num silêncio restaurador – e o colchão confortável salvaram esta review de um hotel que podia ser incrível

Boega Hotel: site
Morada: Quinta do Outeiral | 4920-061 Gondarém
GPS: N 41º 55’ 1.0”   O 8º 45’ 22.2”
Telefone: (+351) 251 700 500

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