Estamos na província mais a norte de Portugal. Com tradições seculares, paisagens majestosas, mar e montanha, mesa farta – o Alto Minho tem tudo para fazer um visitante feliz.

Verde Minho, verde vinho, diz o povo, aludindo a duas riquezas de uma das regiões mais genuínas do país: a natureza verdejante, mesmo em ano de seca, e o vinho, que alcança a sua plenitude nos concelhos de Melgaço e Monção, com a casta Alvarinho.

Aqui há natureza, há praia mas também cidade, há tradição mas também modernidade. E arte: a singela Vila Nova de Cerveira é conhecida como “vila das artes”, por causa da bienal mais antiga da Península Ibérica. Por aqui também há tranquilidade e silêncio, algo que venho a valorizar cada vez mais.

Portanto, proponho um roteiro de quatro dias, o mínimo para aproveitar a região, sabendo que ficará muito por conhecer. Camilo Castelo Branco dedica generosos adjectivos à capital da região, no seu livro Os Brilhantes do Brasileiro:

 “Aquelas noites estivas da gentilíssima Viana, que se reclina à beira-mar, sob um pavilhão de verdura, e se remira no espelho do seu Lima, são noites para poetas, e poetas se fazem ali súbito inflamados por tantas maravilhas da natureza, raro cumuladas num só paraíso”.

Seduzidos pelas palavras de Camilo, começamos este roteiro precisamente em Viana do Castelo  (clique nos links para aceder a posts mais completos sobre cada localidade).

 

Dia 1 Viana do Castelo – Caminha – Vila Nova de Cerveira

E que linda manhã de passeio no centro histórico repleto de casas senhoriais, com uma paragem para provar as famosas bolas de Berlim da confeitaria Natário. Se leva crianças, não deixe de incluir uma visita ao navio Gil Eanes. Subir ao santuário de Santa Luzia é igualmente obrigatório, com ou sem crianças.

A tranquila Serra da Arga (em cima) e o Forte da Lagarteira, em Vila Praia de Âncora (segunda imagem)

 

Deixamos o rio Lima para trás, seguindo para norte junto à costa, em direcção a outro rio: o Minho. Ao longo de cerca de 40 km, é possível fazer um roteiro pelos fortes do litoral, ou pelo menos fotografar alguns deles.

São seis os fortes que protegeram as povoações numa época em que os larápios chegavam por mar: Castelo de Santiago da Barra (Viana do Castelo), Fortim (Areosa), Forte de Paçô (Carreço), Forte do Cão (Gelfa), Forte da Lagarteira (Âncora) e o Forte da Ínsua (Caminha). Estas sentinelas perderam a sua função, mas continuam belíssimas e firmes no seu posto.

Ainda chega a tempo para um almoço tardio em Caminha, onde sugerimos o Restaurante Primavera, para um belo peixe grelhado.

Em alternativa, siga pelo interior, e faça um piquenique na tranquila Serra da Arga. É possível que perca a rede de telemóvel, mas ganha em sanidade mental. Termine o dia em Caminha ou mesmo Vila Nova da Cerveira; ambas são pequeninas, uma hora chega para conhecer o centro histórico.

Nesta última, recomendo um clássico: a Casa das Velhas. O restaurante é famoso por causa da sua posta de carne, mas posso garantir que faz um bom bacalhau. E tem uma vista que vale milhões.

 

Dia 2 Sistelo – Soajo


 

As terras altas do Minho são famosas por causa do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG). Para chegar lá, tem que passar por encostas povoadas de densos laranjais e pacatas aldeias.  Antes de mergulhar na natureza profunda, proponho uma longa paragem em duas delas: Sistelo e Soajo.

A pequena aldeia de Sistelo é conhecida como o “Tibete português” por causa dos seus socalcos: uma enorme escadaria verde que desce dos pontos mais altos até ao vale, onde se cultiva o milho e pasta o gado, e que torna a paisagem única.

A aldeia faz parte da reserva da Biosfera Gerês-Xurés e, no início do ano, foi classificada como monumento nacional. Uma boa forma de explorar a região é fazendo uma caminhada pela Ecovia do Vez, com passadiços que se prolongam por mais de 30 km. Nós fizemos parte do percurso no Verão passado, experiência que podem ler em Da Ecovia do Vez aos Passadiços do Sistelo. E por falar na aldeia, o Pedro Henriques, do blog Espírito Viajante, tem um post belíssimo que podem espreitar aqui.

Há uma única tasquinha na aldeia, que serve petiscos e refeições, desde que a aldeia foi descoberta pelos turistas. Portanto, não tem que se preocupar com as escolhas para comer.

Já em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, esconde-se a pitoresca aldeia do Soajo com os seus centenários espigueiros comunitários, que vêem na foto de entrada. Ao todo são 27 (o mais antigo de 1782) e servem para secar o milho. Construídos em pedra, apoiam-se em vários pilares, directamente assentes na rocha, sobre os quais se abre uma peça redonda para evitar que os ratos comam os cereais (os roedores não conseguem andar de cabeça para baixo, julgo eu).

E que tal assistir ao pôr-do-sol no Santuário de Nossa Senhora da Peneda? O esforço para vencer as escadas é recompensado com a imponência da paisagem e, no caminho, ainda pode apreciar os abrigos usados pelos pastores.

 

Dia 3 Parque Nacional Peneda-Gerês

© maravilhasdogeres.pt

 

A primeira área protegida criada em Portugal, e a única com o estatuto de parque nacional, o Gerês oferece uma experiência única de contacto com a natureza. O silêncio, a riqueza vegetal – com imensos carvalhos, medronheiros, azevinho e espécies próprias como o lírio-do-gerês – o ar puro e a paisagem são um anti-stress notável.

Várias espécies povoam o parque que se estende por 70 mil hectares: dos javalis aos veados, dos texugos às lontras, das águias-reais aos morcegos (vivem ali 10 espécies ameaçadas de morcegos), das víboras aos lobos. Mas, para mim, o símbolo do Gerês são os garranos selvagens, esses cavalos que continuam livres na natureza como Deus os criou.

Há cinco portas de entrada para o Parque, que asseguram informação aos visitantes, já que o acesso é gratuito, à excepção de uma pequena taxa de 1,5€ aplicada a todos os veículos motorizados que pretendam atravessar a Mata da Albergaria (julgo que só é cobrada entre Junho e Setembro).

Nós entrámos pela Porta do Mezio, junto da qual existe um núcleo megalítico com uma dezena de monumentos distribuídos por cerca de 2 km (mal assinalados, por sinal), e um centro hípico.

Para além de caminhadas, em trilhos devidamente identificados, nada melhor do que descobrir os miradouros e as cascatas do Parque, sobretudo no Verão. Para mim, uma das mais bonitas é a Cascata de Fecha de Barjas, mais conhecida como Cascata do Taiti, na freguesia de Vilar da Veiga, concelho de Terras de Bouro (na mesma freguesia fica também a Cascata do Arado).

Não é possível chegar de carro, só a pé, e o caminho é difícil (vá de sapatilhas), mas chegado lá será recompensado com um refrescante banho na lagoa… só não espere água quentinha! Outras quedas de água do Gerês: aqui.

 

Dia 4 Arcos de Valdevez – Ponte de Lima

Terminamos esta aventura do Alto Minho de novo nas margens do Lima, em Arcos de Valdevez, uma pequena vila com mais de nove séculos. Caminhe na marginal do rio, onde um monumento evoca o torneio entre os primos e adversários Afonso VII de Leão e Afonso Henriques.

Suba depois pelas ruas estreitas, passando pelo Pelourinho até chegar ao Jardim dos Centenários, entre na igreja Matriz e depois sente-se para apreciar a magnífica vista sobre o rio e as montanhas. Para o almoço, recomendo o restaurante Foral de Valdevez, onde pode apreciar a carne de cachena e outros pratos regionais. Foi lá que provámos o doce típico (charutos dos Arcos) mas também os pode encontrar na centenária Doçaria Central.

À tarde, restam duas opções: Ponte da Barca ou Ponte de Lima. A primeira é mais pequena e resulta numa visita mais rápida. O melhor da pacata vila fica precisamente junto ao rio, com a bonita ponte do século XV, e uma pequena praia. Já Ponte de Lima tem uma ponte romana, um centro histórico muito bem preservado, e o Festival Internacional de Jardins, entre Maio e Outubro, que fazem desta uma das mais bonitas vilas do norte do país.

 

Como e quando ir: pode chegar a Viana do Castelo de comboio mas para fazer este roteiro é preciso carro, já que muitos destes lugares não têm ligações de transportes públicos. Recomendo visitar a região a partir de Maio, já que no Inverno chove muito por aqui.

Onde ficar: já ficámos no Luna Arcos Hotel e recomendamos vivamente. Pode pesquisar outras opções usando o Booking.

Onde comer: já comemos em imensos sítios no Alto Minho. Os que mais gostámos foram o restaurante Primavera (Caminha), Casa das Velhas (V.N. Cerveira), Foral de Valdevez (Arcos de Valdevez) e restaurante Vai à Fava (Ponte da Barca).

 

 

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