Depois de seguirmos os passos do navegador Fernão de Magalhães, que provou que o planeta é redondo, retomamos a Rota dos Gigantes do Vale do Lima até Ponte de Lima, terra natal de Francisco Pacheco, outro nome interessante da história portuguesa

Iniciamos este caminho – que percorre quatro municípios nortenhos atravessados pelo rio Lima e dá a conhecer figuras universais que, em algum momento da história, carregaram o nome de Portugal para os quatro cantos do mundo – na pequena e castiça Ponte da Barca (aqui).

A cerca de 20 quilómetros, para sudoeste, chegamos à “terra da ponte”. Não se trata de uma ponte qualquer. Foi uma ponte romana que deu nome à vila. Ponte de Lima contribui para a rota dos gigantes com o jesuíta Francisco Pacheco, que morreu como mártir, queimado em fogo lento, em Nagasáqui, no Japão.

O município criou um roteiro inspirado neste seu filho, nascido na freguesia da Correlhã no seio de uma família nobre, a que podem aceder aqui. É precisamente em frente à casa onde nasceu (1566) que se inicia esta visita, embora nada mais haja para ver que o grande portão, com o símbolo da Companhia de Jesus.

Francisco Borges Pacheco viveu nesta quinta até entrar nos Jesuítas, viajando depois até Goa, Macau e Japão. O seu trabalho de evangelização no império do sol nascente não foi fácil. Instigado pelos bonzos, o imperador mandou destruir as igrejas cristãs, queimar cruzes e imagens, desterrar (sob pena de morte) todos os religiosos que ousassem pregar nos seus domínios, confiscando os seus bens.

Tão pequenino que era o meu explorador, na sua primeira visita a Ponte de Lima

 

Após a expulsão dos missionários, Francisco deixou o cabelo crescer, adoptou a língua e os trajes orientais e regressou clandestino. Continuou a converter pessoas até ser descoberto e morto, em 1626.

Da sua casa na Correlhã seguimos para o centro histórico, a cerca de quatro quilómetros, parando na capela de Nossa Senhora das Neves e na Igreja de Nossa Senhora da Guia, até sermos recebidos pela bela Avenida dos Plátanos, na margem esquerda do rio, onde os peregrinos do Caminho Português de Santiago entram na vila.

Nesta avenida que nos recebe com um lindo manto de folhas douradas (o Outono chegou finalmente. comemoremos!) fica o Museu dos Terceiros, de arte sacra, instalado em duas casas religiosas associadas à Ordem Franciscana. Ali encontramos imagens dos santos mais inusitados, de São Ivo a Santa Bona, pinturas, objectos sacramentais e parafernália religiosa para todos os gostos.

 

Continuamos, decididos a não parar em mais nenhum templo, excepto na igreja Matriz, para espreitar o altar dedicado a Francisco Pacheco, entretanto beatificado pelo Papa Pio IX. Esta que é a maior igreja de Ponte de Lima fica já “dentro de muros”, onde chegamos a partir do Arco da Porta Nova que, há séculos, conduzia ao bairro da Judiaria.

Percorremos depois a Rua baptizada com o nome de Francisco, com os seus edifícios quinhentistas, até chegarmos ao largo de Camões, terminando o passeio novamente junto ao rio e à sua ponte, com um troço medieval e outro romano.

Despedimo-nos de Ponte de Lima e do seu santo, que deixou um legado português no Oriente. Vários séculos volvidos, encontraram-se vestígios da sua passagem no Japão: cânticos em português antigo a medalhas na língua de Camões.

 

Quando ir
O Minho é lindo em todas as estações mas no Inverno é chuvoso (daí ser tão verdinho). Assim, a altura mais agradável para visitar Ponte de Lima é na Primavera ou Outono. Pode aproveitar para uma visita ao Festival Internacional de Jardins, que acontece entre Maio e Outubro, ou ao Museu do Brinquedo Português.

Como chegar
A menos de uma hora do Porto, a vila tem bons acessos rodoviários, a partir de duas auto-estradas, A27 e A3.

Gastronomia
A cozinha limiana é famosa pelo seu arroz de sarrabulho, servido com rojões de porco. Não sendo consumidora de carne, não vos posso recomendar um lugar para o degustar, embora leia sempre boas críticas ao restaurante Alameda. A lampreia do rio Lima também é bastante apreciada.

Onde dormir
Ponte de Lima tem a beleza e o carácter da terra minhota, com os campos verdejantes entrecortados por aldeias e solares históricos. O concelho concentra o maior número de unidades de Turismo de Habitação e Turismo em Espaço Rural do país. Vale a pena dormir numa casa secular e acordar com o som dos passarinhos.

 

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