Se gosta de caminhadas e do contacto com a natureza, vai adorar este trilho que começa na Ecovia do Vez, apanha os Passadiços do Sistelo e termina naquela aldeia tantas vezes chamada de “pequeno Tibete português”

A pequena aldeia de Sistelo, no concelho de Arcos de Valdevez, tornou-se um fenómeno turístico depois de ser reconhecida como uma das 7 Maravilhas de Portugal, na categoria de aldeias rurais, em 2017.

Os seus lindos e centenários socalcos têm uma função utilitária: permitem o aproveitamento inteligente da água, para produzir cereais e alimentar o gado. Mas a verdade é que resultaram numa paisagem única não só na região do Alto Minho, como a nível nacional. Desde então, a pitoresca aldeia junto à nascente do Vez foi invadida por turistas.

Em vez de chegar de carro, porque não caminhar até lá, aproveitando a Ecovia do Vez, criada para promover estas paisagens integradas em território Reserva Mundial da Biosfera da UNESCO?

A Ecovia desenvolve-se nas margens de dois rios, começa ainda antes dos Arcos de Valdevez e pode ser dividida em três etapas num total de 32,7 km. A primeira começa no limite do concelho junto do rio Lima, em Jolda S. Paio (coordenadas GPS: 41°47’30,889” N – 8°30’13,374” W), prolongando-se durante cerca de 12 quilómetros.

O segundo troço começa no centro dos Arcos de Valdevez (41°50’48,103” N – 8°24’58,258” W) e vai até à ponte medieval de Vilela, o que pressupõe palmilhar 9,8 km. Nós fizemos a terceira etapa até à aldeia de Sistelo, um percurso que ronda 10 quilómetros.

 

Ecovia do Vez

Trilho Vilela – Sistelo, pela Ecovia do Vez

Estacionado o carro perto da ponte de Vilela (41°55’10,739 N – 8°26’27,387” W), vislumbrámos uma praia fluvial bastante apetecível. Estávamos no auge do Estio, altura em que a afluência traz consigo mais carros e dificuldades de estacionamento (no regresso, tive que esperar que encontrassem o dono do veículo que estava a barrar a saída do meu).

Merenda a tiracolo, iniciámos o percurso, belíssimo, que nos conduziu por paisagens bucólicas e tranquilas, o silêncio quebrado apenas pelo murmúrio da água, límpida, no seu caminho para a foz. Cruzámos moinhos de água, pequenas cascatas e represas que convidavam a um mergulho.

A maior parte do percurso foi feita em passadiços de madeira, com um interregno chato em alcatrão e alguma terra batida. A dificuldade média é provocada por algumas subidas íngremes, incluindo a subida final, para Sistelo. O Pedrinho aguentou-se estoicamente, acredito que o calor foi o nosso principal inimigo…

Na parte final da caminhada, “encontrámos” os Passadiços do Sistelo, um percurso circular de 2 quilómetros (PR25) que parte do cruzeiro, bem no centro da aldeia. Faltava enfrentar a subida final, em calçada de pedra, sob ramadas de vinhas. Parámos várias vezes com expressões de surpresa perante a paisagem sublime.

Se gosta de trilhos leia também Pitões das Júnias | Gerês – trilho com crianças

 

paisagem da Ecovia do Vez

Dica: no pico do Verão, recomendo iniciar o percurso bem cedo

produtos regionais

Passadiços que conduzem a Sistelo  

Eis finalmente o Sistelo com os socalcos que lhe deram a alcunha de “pequeno Tibete”, as vaquinhas a pastarem, os campos cultivados. Homem e natureza em perfeita harmonia, numa ruralidade pura. O som do gado ao longe e o chilrear dos pássaros a encherem a alma.

A riqueza de Sistelo reside também nas casas e espigueiros tradicionais, onde se seca o milho, nas capelas, nos carros de bois que cruzam os caminhos, nos lavadouros colectivos. Vale a pena conversar com os poucos moradores desta encantadora aldeia, tomar uma bebida fresca no único café de Sistelo (à data do percurso).

Por entre o casario de granito destaca-se a imponente Casa do Castelo, do final do século XIX, um palacete onde viveu o primeiro, e único, Visconde de Sistelo. Esteve fechada durante um longo período, mas acredito que isso mudará, com o seu desabrochar turístico. Porque a tarde se finava e as pernas pediam descanso, faltou subir ao miradouro Chã da Armada, onde dizem ficar a mais bela vista panorâmica.

Outro percurso interessante, que gostaria de fazer apesar da dificuldade, é o Trilho das Brandas de Sistelo (PR 14), que parte da aldeia e passa pelas brandas de Rio Covo, do Alhal e da Cerradinha. Esses terrenos que serviam de apoio à pastorícia, durante o Verão, são mais uma das riquezas culturais desta região ímpar, em pleno Parque da Peneda-Gerês.

O Sistelo faz parte de um grupo de Aldeias encantadoras do Norte de Portugal, pelas quais se vai apaixonar perdidamente.

 

Casa do Castelo de Sistelo

Dicas úteis

Como chegar de carro: a partir dos Arcos de Valdevez, siga pela EN 101 (em direcção a Monção) e depois pela EN 202-2.

Ecovia do Vez: existem acessos em vários pontos do percurso, não sendo necessário pagar qualquer taxa ou bilhete de entrada. Alguns troços não são adequados a carrinhos de bebé ou acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida.

Trilho Vilela – Sistelo: pode fazer o percurso contrário, mas terminar a caminhada na aldeia facilita o acesso aos táxis para regressar a Vilela (há contactos afixados na aldeia, em vários locais). O custo da viagem de táxi deverá rondar os 15€.

Nós fomos convidados para uma caminhada organizada que, habitualmente, tem um custo de 10€ por adulto e 6€ por criança, inclui merenda com produtos regionais (a broa e o mel regional são maravilhosos) e o transporte de regresso para os condutores (que terão que regressar à aldeia para apanhar os amigos/família). Mas é perfeitamente possível fazer o percurso de forma independente, até porque o turismo local fornece toda a informação necessária.

 

socalcos do Sistelo, no final da Ecovia do Vez

 

Onde comer e ficar: à data da nossa visita, a aldeia possuía apenas um café/restaurante. O ideal será levar merenda ou regressar aos Arcos de Valdevez para um almoço tardio ou jantar. Se pretender pernoitar em Sistelo, terá que optar por alguma unidade de turismo rural, pois não existem hotéis na aldeia. Uma alternativa será voltar ao centro do concelho, ficando, por exemplo, no Luna Arcos Hotel, com boa relação qualidade-custo. Este é um bom ponto de partida para explorar a região  Alto Minho: roteiro e dicas de viagem

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