“Liberté, Egalité, Fraternité”, o marketing revolucionário continua a inspirar os sonhadores, que almejam por uma sociedade mais justa. Recordemos estes ideais enquanto buscamos os lugares significativos da Revolução Francesa, em Paris

Li algures que este mote da Revolução Francesa (1789-1799), entretanto adoptado pela república, não passa de um slogan inspirado no Iluminismo de fazer inveja a qualquer publicitário. Na verdade, foi um período histórico terrível, de ideologização da violência.

Porém, ninguém pode negar a força daquelas palavras, tal como não se pode negar o papel decisivo da Revolução Francesa no caminhar do mundo ocidental e como fonte de inspiração da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Argumentos suficientes para motivar uma espécie de roteiro revolucionário nas ruas de Paris.

Bastilha

Levantamos a bandeira da partida onde tudo começou, a 14 de Julho de 1789, data maior das festividades nacionais até hoje. A queda da Bastilha – a simbólica prisão do antigo regime absolutista – foi um dos eventos mais significativos da história de França.

Centenas de parisienses invadiram o local, mataram guardas e libertaram prisioneiros, mostrando, dessa forma brutal, o seu descontentamento em relação ao rei incompetente que os governava. A fortaleza do século XIV foi destruída depois disso, mas ainda é possível ver alguns vestígios na Praça da Bastilha (criada em 1792), na Praça Henri-Galli e na Rue Saint-Antoine.

No centro da praça foi erguida a Colonne de Juillet, não em honra de uma qualquer Julieta, mas em homenagem à revolução ocorrida em Julho de 1830.

© commons.wikimedia.org

Hotel de Ville

Na margem norte do Sena, o paço municipal de Paris foi palco de vários acontecimentos importantes durante a Revolução Francesa. Por exemplo, a 27 de Julho de 1794, data conhecida como 9 Termidor no calendário revolucionário, Robespierre e os seus seguidores foram presos no Hôtel de Ville, antes de serem condenados à morte pela Junta de Salvação Pública, terminando assim o período do Terror.

O prédio renascentista ficou bastante destruído durante um incêndio (1871), mas a reconstrução manteve o seu aspecto original. Hoje, continua a acolher os serviços municipais e mantém algumas partes expositivas.

 

La Conciergerie

Atravessando para a Île-de-la-cité, chega-se à Conciergerie, o palácio medieval que começou por ser residência real, onde depois se instalou o tribunal revolucionário e uma das suas prisões.

O edifício fazia parte do Palais de Justice e, durante o Terror, ficou conhecido como a antecâmara da morte. Alguns dos prisioneiros mais famosos foram Maria Antonieta, que dali saiu directa para a guilhotina, Charlotte Corday, a condessa du Barry, Danton e o próprio Robespierre. Há quem use a metáfora de Saturno, que devorou seus próprios filhos, à Revolução Francesa. Definitivamente, não foram tempos fáceis….

A Conciergerie manteve a função prisional até ao início do século XX, quando passou a ser considerada monumento nacional. Hoje, pode visitar-se uma reconstituição dos cárceres revolucionários, nomeadamente a cela de Maria Antonieta, e também estão por lá lâminas de guilhotina.

Dica: vale muito a pena aproveitar o bilhete combinado e visitar também a incrível Sainte-Chapelle.

Horário: 9h30-18h00 Bilhete: 9€ (adulto), grátis para portadores do Paris Museum Pass e menores de 18 anos, 15€ (bilhete combinado com a Sainte Chapelle)

Tuilleries

Depois de serem obrigados a deixar Versalhes, os reis Luís XVI e Maria Antonieta instalaram-se no Palácio das Tulherias onde permaneceram dois ou três anos, até o lugar ser cercado, invadido e saqueado. O casal acabou na prisão e o resto, já se sabe: Luís XVI foi o único rei na história de França a ser executado, pondo um fim a mais de mil anos de monarquia francesa.

Destruído por um incêndio, o prédio acabou por ser demolido, mas o seu belo jardim sobreviveu para contar a história. Para além de ser um parque muito agradável, que se estende entre o Arco do Carrossel e a Praça da Concórdia, ainda é enfeitado por lindas esculturas de Rodin e tem o Museu de Orangerie, instalado num dos seus pavilhões.

Praça da Concórdia

No final do Jardim, a meio do caminho entre o Louvre e os badalados Champs Elysées, fica a bela Place de la Concorde, com duas fontes que celebram as águas e o fabuloso obelisco de mármore, decorado com hieróglifos. No seu país de origem, marcava a entrada do grandioso templo de Luxor (recordem-no aqui), até ser oferecido como presente do governo egípcio à França no século XIX.

Desenhada em 1755 (curiosamente, no mesmo ano do terramoto de Lisboa), a maior praça da capital francesa foi baptizada de Praça Louis XV em honra do Rei, cuja estátua equestre foi ali erguida.  Durante a Revolução Francesa a estátua foi derrubada e o lugar passou a ser conhecido como Praça da Revolução, tornando-se palco de momentos históricos sangrentos. Foi aqui que o rei foi executado na guilhotina, no dia 21 de Janeiro de 1793, bem como a sua Maria Antonieta, Robespierre ou a princesa Isabel de França.

Anos depois voltou a mudar de nome para Praça da Concórdia, como símbolo da reconciliação nacional, e a ter um clima festivo. Hoje recebe noivas em busca da foto perfeita, turistas encantados e até celebrações presidenciais, como aconteceu com Jacques Chirac e Nicolas Sarcozy.

 

Olha a pontinha do obelisco a despontar do lado esquerdo da foto

Palácio de Versalhes

Outro lugar maravilhoso que faz parte desta série de acontecimentos históricos é o Palácio de Versalhes, cuja grandiosidade irritou um povo faminto. Mas dele pouco posso falar, já que ainda não o conheço.

Se puderem, espreitem ainda o Panteão de Paris, onde muitos dos nomes ligados ao Iluminismo e à revolução francesa estão sepultados (post aqui) ou o Café Procope, frequentado por Voltaire, Rousseau, Danton e Marat. Fica no nº 13 da rue de l’Ancienne Comédie, no coração do bairro boémio de Saint-Germain-des-Prés.

 

 

 

 

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