Sevilha, confidências da capital da Andaluzia

Sevilha é a terra do barbeiro Fígaro e da Carmen de Bizet. Sevilha foi Hispalis para os romanos e Isbilya para os mouros. O seu porto fluvial foi uma espécie de alfândega entre a Espanha e o Novo Mundo. Sevilha foi também Dorne, em Game of Thrones

Com tão distintas faces, Sevilha é também a alma da Andaluzia, lugar de todos os clichés espanhóis: flamenco, touros, tapas e castanholas. Sevilha é monumental, intensa e barulhenta, como os tamancos sobre um tablao. Vamos conhecê-la? Cliquem nos links para mais informação sobre preços e horários.

Chegamos à capital andaluza ao lusco-fusco. Do interior do táxi, o nosso olhar é atraído para o minarete que rasga o horizonte. A Giralda, a torre rendilhada erguida pelos árabes em 1198, resplandece sob os últimos raios dourados de sol.

Voltaríamos ali depois de uma boa noite de sono para revisitar (no caso do Pedro, conhecer pela primeira vez) a maior catedral de Espanha e a terceira maior do mundo. Construída em cima de uma mesquita, conserva vários apontamentos que revelam a sua origem islâmica. De resto, esta essência árabe da cidade será assunto para outro post.

 

 

Da catedral gótica à judiaria, ao som do flamenco

Há muita gente no interior do templo, em especial junto do túmulo de Cristovão Colombo. Quatro figuras, em representação dos reinos da Espanha católica do século XV (Castilla, León, Aragón e Navarra) carregam o sarcófago do navegador, na sua vida do além.

Também subimos ao topo da Giralda, a senhora de Sevilha que oferece uma vista magnífica sobre a região, ainda que nada agradável sob as implacáveis temperaturas de Fevereiro. Teríamos outra vista igualmente esmagadora no topo do Metropol parasol, o conjunto de cogumelos gigantes que “nasceu” na Plaza da Encarnación em 2011 e que dizem ser a maior estrutura em madeira do mundo. Mas voltemos à Giralda…

Dali conseguimos vislumbrar a porta do Real Alcazár e também o Arquivo das Índias, espaço que guarda milhares de documentos das colónias espanholas e o memorável Tratado de Tordesilhas. O tratado que dividiu o mundo em duas zonas de influência, portuguesa e espanhola, está fechado a sete chaves, mas pudemos ver uma cópia.

 

 

Demoramo-nos no perfumado pátio das laranjeiras – que juntamente com a Porta do Perdão é uma das testemunhas mais charmosas do passado árabe – onde a Giralda fica ainda mais fotogénica, antes de rumarmos ao Bairro de Santa Cruz. O quarteirão judeu é ideal para tapear. Sim, estou a falar dessa arte espanhola de ir de bar em bar, comendo pequenas tapas!

Mesmo de barriga cheia, a zona que corresponde à antiga judiaria é encantadora, com as ruazinhas estreitas, os inesperados pátios sevilhanos, os azulejos mudéjares, os muros caiados e surpresas em cada esquina, como uma loja de torrões artesanais…

Porque seria um pecado ir a Sevilha e não assistirmos a um espetáculo, terminamos o dia no Museo del Baile Flamenco. As cores, os sons, os ritmos e o bailado sobre o chão de madeira são dramáticos e intensos. Quase nos esquecemos de respirar…

 

© Museo del Baile Flamenco. Não é permitido fotografar o espectáculo

 

Da Praça de Espanha ao Guadalquivir

O segundo dia amanhece frio, com um vento cortante. Mas o sol brilha no alto e levantamos o rosto para receber o seu beijo caloroso. Uma breve caminhada, atravessando a ponte de S. Telmo, e estamos novamente no coração de Sevilha.

Lá em baixo, no al-wādi al-kabīr, o “grande rio”, atletas saem disparados como setas, impulsionados por remadas vigorosas.

Espera-nos o Real Alcázar, que juntamente com a Catedral, a Giralda e o Arquivo das Índias, foi classificado Património Mundial da Unesco. No interior reside um dos grandes motivos que nos levou a Sevilha. O Pedro estudou recentemente o domínio muçulmano da Península Ibérica e eu quis mostrar-lhe alguns vestígios dessa civilização, especialmente exuberante no Salão dos Embaixadores.

Haveríamos de nos sentar no Parque de Murillo e no Parque Maria Luísa, haveríamos de deambular na majestosa Praça de Espanha, onde um grupo de artistas demonstrava que o flamenco é da rua, do povo, dos sevilhanos. Mas nada se compara ao esplendor árabe do real alcázar…

Seguiríamos depois pelas margens deste rio generoso, mas incapaz de aplacar o implacável sol sevilhano durante o Verão, até à Torre do Oro. Esticaríamos a caminhada até à ponte de Triana sem honrar a Praça de Touros com mais do que uma fotografia da praxe, antes de mergulhar num dos bairros mais tradicionais e castiços de Sevilha. Falo do Bairro de Triana, local de nascimento do flamenco.

 

 

Como ir

Sevilha é servida por um pequeno aeroporto e tem ligação de comboio a Madrid (mais sobre a capital espanhola aqui). Para quem vem de Portugal, sobretudo do sul, pode compensar chegar de carro, através da A1-Via do Infante, até Vila Real de Santo António, e depois A49, em Espanha.

Quando ir

De invernos frios e verões inclementes, a melhor altura para visitar Sevilha é a Primavera e o Outono. A Semana Santa e a Feira de Abril (dedicada aos agricultores e criadores de gado) são os momentos mais festivos da cidade. No entanto, o número de pessoas triplica nesta altura, com reflexos nos preços da oferta hoteleira.

 

 

Onde ficar

Nós ficamos alojados no Hotel Monte Carmelo (Virgen de la Victoria 7), a uma curta caminhada do centro histórico, um hotel de 4 estrelas com um serviço impecável. Em breve faremos um post mais detalhado.

Onde comer

Em Sevilha há muitos lugares incríveis para comer tapas. Para quem quer comer bem e próximo do centro histórico, sem pagar uma fortuna, sugerimos a Taberna del Arenal (Almirante Lobo, 2), que possui prato do dia por 10€/pessoa. O valor inclui entrada, várias opções de prato principal, bebida, café ou sobremesa. Outras dicas infalíveis são o Espacio Eslava (Calle Eslava, 3) e a genuína Casa Morales (Garcia de Vinuesa, 11).

 

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2019-04-14T19:41:47+00:00

31 Comments

  1. Gabriela Torrezani 17 Fevereiro, 2019 em 10:48 - Responder

    Eu amoooo Sevilha! Amo, amo, amo! Uma das cidades mais lindas da Espanha, com uma diversidade enorme de gente, monumentos e história… Acho que o Real Alcázar é um dos lugares mais lindos que já visitei e tomar um vinho à beira do Rio Guadalquivir é super agradável… 🙂

    • Ruthia 17 Fevereiro, 2019 em 18:42 - Responder

      Eu também voltei apaixonada pelo Real Alcázar. A cidade é muito simpática, um dia quero visitar durante a Feira de Abril

  2. Andrea Rodrigues 17 Fevereiro, 2019 em 14:16 - Responder

    Sou apaixonada pela Espanha, já fiz Madrid e Barcelona, e agora quero desvendar o restante. Teu post me fez desejar conhecer a linda Sevilha logo.

    • Ruthia 23 Fevereiro, 2019 em 16:17 - Responder

      A região de Andaluzia rende um lindo road trip. Pode incluir Sevilha, Cádiz e Gibraltar, por exemplo.

  3. Christian Gutierrez 17 Fevereiro, 2019 em 15:43 - Responder

    Adorei conhecer Sevilha a capital da Andaluzia. Qual a atração turística que vocês mais gostaram de lá? Pra mim é a praça da Espanha.

    • Ruthia 17 Fevereiro, 2019 em 18:42 - Responder

      A Praça de Espanha é linda, mas para mim nada se iguala ao Real Alcázar, sobretudo a ala de arquitectura mudejár

  4. Bruna 17 Fevereiro, 2019 em 16:15 - Responder

    Sevilha é uma das cidades que mais amo no mundo. Adoro tudo, dos clichês à herança moura e especialmente o clima festivo e amigável! Eu visitei a cidade uma vez em abril durante a alta temporada das touradas e é bem complicado, Tudo fica lotadíssimo!

    • Ruthia 17 Fevereiro, 2019 em 18:43 - Responder

      Dos clichés, apenas dispenso as touradas. O flamenco é surreal de tão dramático

  5. Leo Vidal 18 Fevereiro, 2019 em 11:48 - Responder

    Eu fiquei completamente apaixonado por Sevilha. Desde a parte histórica à parte moderna, um grande aprendizado e vivência. Assisti a um show de flamenco na Plaza de España e foi sensacional.

  6. Vitor Martins 18 Fevereiro, 2019 em 12:05 - Responder

    Que dicas excelentes!É um lugar que nunca fui, mas que está nos meus planos faz muito tempo!

  7. Luciana Rodrigues 18 Fevereiro, 2019 em 14:21 - Responder

    Que descoberta interessante saber que o túmulo de Cristovao Colombo está em Sevilha!

    • Ruthia 18 Fevereiro, 2019 em 14:56 - Responder

      Na verdade, o cadáver do navegador passou por grandes aventuras, antes de ser transladado para Sevilha. O governo da República Dominicana diz que o corpo está no país. Depois fizeram testes de ADN, que confirmaram que os restos mortais de Sevilha são mesmo de Cristovão Colombo, mas que a quantidade ali depositada corresponde apenas a 15%… vai ver ele está espalhado por vários lugares!

  8. Juliane 18 Fevereiro, 2019 em 15:05 - Responder

    Este post veio a calhar, estamos planejando uma visita a Sevilha ainda este mês. Meu sonho conhecer!! Parabéns pelo relato, deu mais vontade ainda de ir!

  9. Marta 18 Fevereiro, 2019 em 16:36 - Responder

    Vejo que o pequeno-já-quase-grande-explorador teve um modo interessante de expandir os conhecimentos de história. Fotos belíssimas, como sempre!

    • Ruthia 19 Fevereiro, 2019 em 13:16 - Responder

      Não conheço melhor estratégia de tornar a história interessante que conhecer in loco a sua influência. Aposto que nunca mais se esquece das influências árabes na Península Ibérica

  10. Mariazita 18 Fevereiro, 2019 em 17:57 - Responder

    Não sei quantas vezes já fui a Sevilha (algumas com o pretexto de levar os netos à Ilha Mágica … 😉)
    Mas sei que a primeira vez era ainda solteira e, com a família, pernoitámos lá. à noite fomos assistir a um espectáculo de flamenco. INESQUECÍVEL.
    Sevilha é, de facto, uma cidade encantadora. Não me canso de a visitar. Há sempre algo de novo para ver…

    Estou muito grata pela presença na festa de Aniversário do meu “pimpolho”. Ele gostou muito de te ver lá… 😘
    Obrigada!

    Desejo uma semana feliz
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

    • Ruthia 19 Fevereiro, 2019 em 13:17 - Responder

      Esta foi a minha segunda vez em Sevilha, mas ainda não conheço a Ilha Mágica. Pretexto perfeito para voltar

  11. Lulu Freitas 19 Fevereiro, 2019 em 13:51 - Responder

    Que saudade de Sevilha! O calor de lá é realmente inclemente. Estive vistando em maio e estava quentíssimo. A cidade é linda, sua combinação de estilos (comum em outras cidades espanholas) me parece mais viva aqui com seus palácios e a bela Praça de Espanha. Uma cidade imperdível.

  12. Mariana 19 Fevereiro, 2019 em 14:31 - Responder

    Sou apaixonada por Sevilha! Amo de paixão aquele lugar. Já fui algumas vezes, mas não conheço o Metropol parasol e sempre me encanto com as fotos da vista do lugar. Quero voltar logo para ver esse skyline lá do alto! <3

  13. Carla Mota 19 Fevereiro, 2019 em 14:46 - Responder

    Também gostei muito de Sevilha. Adorei o ambiente andaluz e toda a experiência em si. Tive a sorte de ir durante a Feria de Sevilha e foi ainda mais extraordinário. Super recomendo.

    • Ruthia 19 Fevereiro, 2019 em 15:22 - Responder

      Já vi fotos, a cidade parece ficar ainda mais colorida. E o preço do hotel não disparou por causa disso?

  14. MICHELE 20 Fevereiro, 2019 em 2:29 - Responder

    É um lugar que nunca fui, mas que já faz muito tempo está nos meus planos! Amei o texto e já quero arrumar as malas!

  15. Andrea 21 Fevereiro, 2019 em 13:26 - Responder

    Que bacana saber um pouquinho mais desse canto que adoro no seu relato…Me fez ter vontade de estar lá, já, imediatamente…adorei.

  16. Aline Dota Naganawa 21 Fevereiro, 2019 em 13:30 - Responder

    Estou pesquisando sobre Sevilha, pois quero muito conhecer. Quantos dias você acha ideal (ou o mínimo) para conhecer a cidade?
    Adorei suas fotos!

    • Ruthia 21 Fevereiro, 2019 em 14:09 - Responder

      Em três dias já consegue ficar com uma boa impressão da cidade, conhecer os principais pontos turísticos e assistir a uns shows de flamenco

  17. Roberta Lan 21 Fevereiro, 2019 em 20:37 - Responder

    Que coisa mais linda! Da próxima vez que eu for a Algarve, eu vou aproveitar para esticar até Sevilha, com certeza!

  18. Rui Pires 22 Fevereiro, 2019 em 11:50 - Responder

    Um interessante roteiro para quem como eu nunca lá esteve, mas tem em mente ir.
    Essa última imagem mostra-nos provavelmente o lugar onde o amor salta à vista…
    Um bom fim de semana Ruthia.
    Bjs

    😉
    Olhar D’Ouro – bLoG

    • Ruthia 22 Fevereiro, 2019 em 18:10 - Responder

      A Plaza de Espanha é um lugar lindo para namorar, ambiente fantástico, barcos para um passeio, estantes com livros e o sol andaluz…

  19. Marcia Picorallo 23 Fevereiro, 2019 em 14:14 - Responder

    Se eu tivesse uma só região par conhecer da Espanha seria a Andaluzia! Não sabia que o parasol era de madeira, pensei que fosse metálico! Aproveitei e li também o post sobre o Flamenco, ehehe Obrigada por compartilhar. bj

    • Ruthia 23 Fevereiro, 2019 em 16:16 - Responder

      Mesmo ao pé do parasol não parece ser feito de madeira. Enfim, deve ser um composto capaz de resistir às intempéries. Mas tem metal também, sobretudo para juntar tudo.

  20. Jorge Fortunato 28 Fevereiro, 2019 em 21:48 - Responder

    Ruthia
    Que bom ler este texto. Em breve vou aproveitar muito suas preciosas dicas.
    Abraços do
    Jorge Fortunato

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