Atualizado em 15 Março, 2022

Liverpool reinventou-se, a partir de um passado portuário. Hoje é um dos destinos culturais mais vibrantes da ilha de Sua Majestade. Vamos conhecer a terra natal dos Beatles?

Liverpool, casa dos Fab4 e de grandes amantes de futebol, não é a cidade mais bonita do Reino Unido, mas tem uma energia fantástica. É também um destino incrível para quem gosta de música, arte e museus. Some-se a tudo isto um centro compacto, fácil de explorar, uma frente marítima agradável e uma população acolhedora.  

O marketing turístico desta cidade no noroeste de Inglaterra vive muito dos seus meninos bonitos: os Beatles. Há vários pontos turísticos ligados à banda, um Hard‘s Day Night Hotel e um McCartney’s Hotel & Bar, o John Lennon Airport, mecânicos Penny Lane ou empresas de mudanças Eleonor Rigby.

As estátuas de bronze dos músicos enfeitam a cidade, sem esquecer o Monumento pela Paz, em homenagem a John Lennon, em frente à Echo Arena.

Mas há mais para experimentar em Liverpool, com destaque para três regiões. O centro, com várias ruas de comércio (Metaquarter), a Mathew Street e arredores (onde encontra o Cavern Club) e a região portuária.

Eis alguns programas simpáticos em Liverpool. Não os vou chamar de “imperdíveis”, porque este é um conceito muito relativo. Mas aposto que vai querer incluir pelo menos alguns, durante a sua visita. Cliquem nos links das atracções, para informação actualizada sobre preços e horários.

1. Beatles

Entrando no espírito, começamos com um programa musical, no The Beatles Story. Trata-se do museu mais completo do mundo sobre a banda, um espaço premiado, organizado cronologicamente, com memorabilia exclusiva, como o último piano utilizado por John Lennon e uma colecção de óculos seus.

Vive-se ali um ambiente vintage (anos 60), com recriações de The Casbah, da Mathew Street e The Cavern. É mesmo possível entrar no Yellow Submarine. O museu é bastante interactivo, cada um tira da experiência o que quiser, escolhendo as explicações adicionais que quer ouvir, nos auscultadores que recebe à entrada.

A narração em inglês é feita pela irmã de John Lennon e há várias participações de Paul McCartney, da primeira mulher do autor de Imagine, de George Martin (o produtor, considerado o 5º Beatle), entre outros.

A visita continua no Pier Head, onde fica a curta, mas divertida, Fab 4-D Experience. O pequeno filme narra a atribulada viagem de Mike até Albert Dock, ao som dos Beatles, num estranho autocarro que se transforma em submarino para atravessar o rio Mersey (Yellow submarine) e nos conduz por cenários bizarros com morangos (Strawberry Fields), céus estrelados (Lucy in the sky with diamonds) e cemitérios (All the lonely people).

Os beatlemaníacos vão querer mergulhar ainda mais na vida da banda, com uma Magical Mistery Tour. Ao longo de duas horas, um autocarro multicolorido com banda sonora condizente percorre vários pontos relacionados com os Beatles.

As casas de infância, as escolas frequentadas pelos músicos, a famosa rua Penny Lane e o pequeno jardim Strawberry Field (grandes hits) também fazem parte do itinerário, para além da igreja St. Peter, onde Lennon e McCartney se encontraram pela primeira vez, o pub Empress (fez capa do primeiro álbum a solo de Ringo Starr) e, claro, The Cavern Club.

2. Música

Honrando o legado de uma das maiores bandas britânicas de todos os tempos, Liverpool organiza regularmente eventos de música e festivais. No centro da cidade, na famosa Mathew Street, sente-se essa vibe musical.

Sim, é lá que fica The Cavern Club, mas também muitos outros bares com música ao vivo. Mesmo em frente existe um pub com nome parecido, que engana muitos turistas incautos, até porque tem uma estátua em bronze do John Lennon quase à porta.

Sobre o lugar onde os Beatles foram descobertos, há mais de 60 anos, o nome diz tudo: é preciso descer três lanços de escadas para chegar à cave, que já funcionara como armazém e abrigo anti-bombardeamento durante a II Guerra Mundial. 

O bar subterrâneo abriu em 1957 como uma junção de jazz e skiffle, antes de desempenhar um papel fundamental no nascimento dos Beatles e de uma revolução musical. Lennon e McCartney tocaram aqui antes de formarem a banda e, já como grupo, fizeram quase 300 concertos naquele palco.

Demolido, fechado e reaberto várias vezes, hoje, The Cavern Club tem um ambiente fabuloso, com música ao vivo durante todo o dia, famílias inteiras a tirarem fotografias (as crianças podem entrar até às 19h30), e muitos apreciadores de música, de cerveja, ou de ambas. Antes e depois da sua demolição, muitos famosos se apresentaram ali, ao vivo.

3. Waterfront | Royal Albert Dock

As margens do rio Mersey, onde antigamente ficava o porto da cidade, em particular as Royal Albert Dock (ou as “docas do Alberto”, para usar a expressão do meu marido), são um dos locais mais simpáticos de Liverpool.

A zona portuária mereceu um grande projecto de recuperação, convertendo armazéns em espaços culturais, restaurantes, galerias de arte. Resultado: a Cidade Mercantil de Liverpool foi classificada pela UNESCO como Património Mundial, em 2004.

Esta é uma das áreas mais movimentadas da cidade, ponto de partida e chegada dos autocarros turísticos, como The Beatles Story, de que falei anteriormente, vários museus nas redondezas, uma roda-gigante e as estátuas de bronze dos Fab4.

Na outra margem existe outro país: Gales. “Quando o vento está de feição, conseguimos ouvi-los cantar” – explica um guia turístico de pronúncia cerrada e melena ruiva, rindo-se muito quando alguns turistas apuram o ouvido.

4. Tate Liverpool e (muitos) museus

Entre outras maravilhas, a Albert Dock acolhe o Tate Liverpool, satélite do museu de Londres. O edifício histórico foi convertido num gigante moderno para abrigar obras de arte de todo o mundo, num acervo em constante evolução que já destacou Gustave Klimt, Pablo Picasso, Andy Warhol e Claude Monet.

#Dica: Liverpool tem a maior concentração de museus e galerias de arte do Reino Unido fora de Londres. A maioria tem entrada gratuita.

Ainda próximo do Albert Dock, destaca-se o Museum of Liverpool, num moderno edifício, que retrata 800 anos de história de uma terra de estivadores, marinheiros e aventureiros. O Liverpool International Slavery Museum, o Museu Marítimo de Merseyside e o recente British Music Experience também ficam nas margens do rio.

Acrescente-se, no centro da cidade (St. George), o World Museum e a Walker Art Gallery. Escrevi um artigo com mais pormenores sobre estes espaços: Liverpool. Museus e Superlambananas.

© The Guardian

5. Sefton Park

O mais amado dos moradores de Liverpool, o Sefton Park é considerado “grade one” pela English Heritage, porque os 80 hectares parecem obra da natureza e não do homem. Caminhos sinuosos são ladeados de majestosas faias e outras árvores nativas. Existe um lago, réplicas de estátuas de Eros e Peter Pan e um café.

Dizem que, na Primavera, milhões de narcisos dourados rodeiam o lago e tapetes de campainhas emprestam uma impressão rural. Infelizmente visitei Liverpool no Inverno, pelo que não pude comprovar.

Um dos destaques do Sefton Park é a Palm House, um fabuloso edifício vitoriano com painéis de vidro, que abriga uma colecção histórica de plantas de todo o mundo e acolhe muitos eventos. O acesso ao parque faz-se pela Queens Drive, Greenbank Drive, Aigburth Drive, Lark Lane e Elmswood Road.

© cultureliverpool.co.uk

6. Catedral Anglicana e Catedral Católica

Liverpool não tem uma, mas duas catedrais deslumbrantes, uma em cada extremidade da Hope Street, no coração do lindo bairro georgiano, com as suas ruas em calçada, casas e pubs tradicionais.

Numa extremidade vemos a Catedral de Liverpool, anglicana, o maior edifício religioso da Grã-Bretanha. Construída entre 1904 e 1978, possui os arcos góticos mais altos e mais largos do mundo, o maior órgão do Reino Unido e vitrais impressionantes (para além de uma vista magnífica da torre com 101 metros)!

Na outra ponta, fica Catedral Metropolitana, católica, construída na década de 1960 e com uma arquitectura interessante. Em tempos, foi notícia por acolher um festival de cerveja no seu recinto, por outro lado, a catedral anglicana possui um pequeno café  no interior.

A própria Hope Street abriga alguns dos melhores bares e restaurantes de Liverpool: The Quarter, Papillon, Moose Coffee, The London Carriage Works, Buyers Club, Pen Factory e o famoso Philharmonic Pub (com uma série de pequenas salas temáticas, musicais, com intrincados detalhes), onde Sir Paul McCartney fez um concerto-surpresa em 2018, como parte do Carpool Karaoke de James Corden.

Perto das catedrais fica a Chinatown, onde o nome das ruas é escrito em inglês e mandarim. A comunidade chinesa resulta das fortes relações comerciais de outrora, especialmente com Shangai, uma das cidades-gémeas de Liverpool.

7. Estádio do Everton

O nome oficial é Goodison Park, mas este estádio, um dos mais antigos do Reino Unido (1892), é simplesmente conhecido como Estádio do Everton, por ser a casa do Everton Football Club.

Apelidado de Grand Old Lady, a velha senhora foi a primeira com duas arquibancadas em todo o estádio, três arquibancadas de um dos lados, um sistema de aquecimento para o relvado e o primeiro estádio inglês a receber um monarca, o rei George V.

Hoje com mais de 40 mil lugares, o Goodison Park recebeu cinco partidas do Mundial de Futebol de 1966, incluindo um jogo entre a Coreia do Norte e Portugal, para além de duas finais da Taça de Inglaterra (1894 e 1910). É possível fazer um tour no estádio ou inscrever-se num programa especial em vésperas de jogo, com jantar.

Esta não será a casa do clube durante muito mais tempo, que está a construir um novo estádio junto ao rio Mersey, com capacidade para 52.888 pessoas. Um projecto de 500 milhões de libras na Bramley-Moore Dock que se quer inaugurar na temporada 2024-25.

Superlambananas

8. SuperLambBananas

Terminamos este top8 em Liverpool à procura da SuperLambBanana original, amarela, uma das peças de arte pública mais populares e instantaneamente reconhecíveis em Liverpool. Obra do japonês Taro Chiezo, artista instalado nos EUA, a escultura pretendia representar, com algum humor, a séria questão contemporânea da engenharia genética.

Dizem que a primeira SuperLambBanana está agora instalada na Tithebarn Street, junto ao LJMU Avril Robarts Library/Learning Resource Center (se passarem por lá, confirmem). Mas existem outras mais pequenas, espalhadas pela cidade. Com certeza, encontrará mini SuperLambBananas em qualquer um dos Centros de Informação Turística de Liverpool.

Dicas úteis sobre Liverpool

Como chegar

A cidade de Liverpool é servida de aeroporto, com ligações a várias cidades europeias, incluindo de companhias low-cost como a Ryanair, Vueling ou Easyjet. O autocarro 500 liga o aeroporto John Lennon à waterfront e centro da cidade, em cerca de meia hora.

Também pode chegar a Liverpool de comboio ou autocarro. A partir de Londres, a viagem de comboio demora cerca de 2 horas e meia, desde a Euston Station (National Rail ou Virgin Rail). Eventualmente a viagem de autocarro, com partida da Victoria Coach Station, pode ficar um pouco mais económica. Pode optar pelas empresas Megabus e Eurolines.

Onde ficar

Escolhemos o Dolby pela sua localização – na Queens Dock a uns 10 minutos a pé da Mann Island, da Albert Dock e do centro da cidade – e também pelo preço. Foi uma escolha simpática. Construído no típico tijolo vermelho, o hotel é simples mas asseado, possui internet gratuita nos quartos e um serviço de bar/restaurante muito razoável.

De qualquer forma, a oferta é abundante, o Booking tem mais de 500 opções de alojamento em Liverpool.

Comer em Liverpool

A comida em Liverpool é muito parecida ou que se encontra em Londres e em grande parte da Inglaterra: afternoon tea, english breakfast, fish and chips, cauliflower cheese. Eventualmente, o prato mais tradicional será o “scouse”, ensopado de carne e legumes tradicionalmente servido com pão, usado para limpar o prato de todo o molho.

Embora seja um alimento básico em Liverpool, muitas pessoas acreditam que é baseado em ensopado irlandês ou num prato norueguês chamado lapskaus. Independentemente das origens, o scouse tornou-se o favorito dos marinheiros locais, e hoje pode ser encontrado em inúmeros pubs e cafés por toda a cidade.

Visite o site oficial do turismo de Liverpool, para mais ideias sobre o que fazer na cidade inglesa. Este post faz parte do 8on8, um projecto colectivo que une lindas viajantes em volta de um tema comum, no dia 8 de cada mês. Espreitem os restantes textos sob o tema “Top 8”, inspirem-se e partilhem: 

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