Hoje conhecemos outra faceta da terra natal do “achador” do Brasil. Deixem que vos conduza por um Belmonte judaico, caso singular na Península Ibérica de permanência hebraica desde o início do século XVI até aos dias de hoje.

No post anterior – Belmonte dos Cabrais – afirmei que há dois grandes motivos para visitar esta pequena vila histórica. Primeiro: Belmonte é a terra natal do achador do Brasil. Segundo: tem uma vibrante comunidade judaica, que atrai visitantes de Israel e vários pontos do globo.

Esta pequena comunidade (talvez a primeira do país) já existiria no início da nacionalidade, levava aqui uma vida tranquila. Tornou-se próspera a partir do século XV, quando abrigou os judeus de Espanha, expulsos pelos Reis Católicos.

Pouco depois, D. Manuel I decretava igualmente a conversão obrigatória ao catolicismo em Portugal (1496), dando origem aos “cristãos novos”, pessoas que aparentemente seguiam os preceitos católicos mas que mantinham os seus rituais e tradições ancestrais em segredo. Um fenómeno de mera sobrevivência.

Da primitiva sinagoga resta apenas uma inscrição (1296). Outro templo surgiu entretanto, orgulhoso da antiguidade e resistência de uma comunidade que impregnou a história de Belmonte.

 

interior do museu judaico de Belmonte

© cafeportugal.net – interior do Museu Judaico

Na praça do Pelourinho, um candelabro de nove braços gigante (hanukkah) homenageia este grupo de crentes. Que continua bem presente em Belmonte, com um rabino a tempo inteiro e o seu belo Museu Judaico inaugurado em 2005.

O espaço testemunha a presença histórica dos judeus, as suas celebrações e costumes, honra a memória das vítimas das fogueiras inquisidoras e também do grande historiador Samuel Schwarz, que investigou todo o percurso da comunidade judaica na região. Apesar de pequeno, o Museu está muito bem organizado e é realmente bonito, com as suas vitrines azuis em forma de estrelas de David.

Na lojinha pode comprar-se várias lembranças alusivas ao Judaísmo. Estrelas de David, mezuzhas (para colocar no umbral das portas com uma pequena oração no interior), kippas, doces kosher…

Fiquei surpreendida com estes doces porque, no meu imaginário, as preocupações rituais judaicas com a comida se resumiam à carne e ao vinho. Em cada viagem tropeço na minha própria ignorância!

 

 

Gulosa como sou, não perdi a oportunidade para experimentar. Comprei um de frutos do bosque e posso dizer-vos que é muito bom. Já que é ritualmente puro, quero acreditar que não faz mal se eu comer duas grandes torradas com ele!

O interior beirão tem muitas aldeias históricas dignas de uma visita, mas nenhuma outra tem um passado ligado ao Judaísmo. O que acharam deste Belmonte judaico?

 

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