Castelo de Almourol: em modo Templário

Muita gente entrou em “modo templário”, se tem o Canal História em casa, por causa da recém-estreada série sobre a Ordem do Templo. Fomos explorar um dos seus lugares: o Castelo de Almourol

Confesso que sou afectada por toda a aura de mistério que envolve aquele poderoso movimento de cavalaria. Por causa da sua natureza dupla, eram religiosos mas também guerreiros, e da sua influência sobre os poderosos do seu tempo. Por causa ainda da sua sede magnífica (o Templo de Salomão, em Jerusalém) e, claro, o seu fim abrupto e sangrento.

Durante a visita relâmpago à Barquinha festejámos o Dia da Criança, comemos bolo, falámos (sem surpresas) de livros, pusemos muita conversa em dia. Mas arranjou-se o bocadinho necessário para revisitar o Castelo de Almourol, uma das “casas” dos enigmáticos guerreiros.

Viviam-se os dias turbulentos da reconquista cristã, quando D. Afonso Henriques lhes entregou as chaves de um castelo plantado numa pequena ilha no Tejo. Tantos séculos volvidos, é irónico que continue nas mãos dos militares (Escola Prática de Engenharia de Tancos)…

Como tantos outros lugares que passaram pelo domínio árabe, abundam as lendas sobre esta Al-morolan (pedra alta). Não resisto a partilhar uma das minhas preferidas.

 

imagem dos Templários e foto junto do Castelo de Almourol

© Canal História (imagem da esquerda)

“Nos primeiros tempos da Reconquista, D. Ramiro, um cavaleiro cristão, regressava orgulhoso de combates contra os muçulmanos quando encontrou duas mouras, mãe e filha. Trazia a jovem uma bilha de água, que, assustada, deixou cair quando lhe pediu de beber rudemente o cavaleiro. Enfurecido, acabava de tirar a vida às duas mulheres quando surgiu um jovem mouro, filho e irmão das vítimas, logo aprisionado. D. Ramiro levou o cativo para o seu castelo, onde vivia com a própria esposa e filha, as quais o prisioneiro logo planeou assassinar em represália. Entretanto, se à mãe passou a ministrar um veneno de acção lenta, acabou por se apaixonar pela filha (…)

Correspondido pela jovem, que entretanto tomara conhecimento dos planos do pai, os apaixonados deixaram o castelo e desapareceram para sempre. Reza a lenda que, nas noites de São João, o casal pode ser visto abraçado no alto da torre de menagem e, a seus pés, implorando perdão, o cruel D. Ramiro”.

(Portugal antigo e moderno: diccionário geographico, estatistico, chorographico, heráldico, archeológico, histórico, biographico e etymologico de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande número de aldeias)

O Castelo de Almourol, um dos mais belos de Portugal, está a ser restaurado. Se as ambições locais se concretizarem, as suas margens serão embelezadas e unir-se-ão ao Parque de Esculturas Contemporâneas da Barquinha, onde o pequeno explorador se divertiu num Dia da Criança memorável.

 

escultura junto ao rio

© barquinhaearte.pt – “Rotter”, de Cristina Ataíde

escultura inspirada no Castelo de Almourol

© barquinhaearte.pt – “Castelo”, de Pedro Cabrita Reis

 

Parque de Esculturas de V. N. da Barquinha

O Parque foi inaugurado por Cavaco Silva no Verão de 2012, sob fortes medidas de segurança, por causa dos cidadãos que ali se juntaram para apupar o Presidente e a primeira dama. O espaço já era fantástico, sete hectares de tranquilidade e sombras, embalados pela canção do rio e pelo grasnar dos patos. Depois, vieram as esculturas, 11 peças no total, assinadas por alguns dos artistas portugueses mais conceituados.

Entre eles, consta a Joana Vasconcelos – sim, aquela que levou um lustre gigante feito de tampões à bienal de Veneza – com os seus Trianons inspirados nos pequenos mas luxuosos pavilhões de Verão da aristocracia francesa, recorrendo a materiais de produção maciça.

O conceito agrada-me mas o resultado… pufff… só me remete para as fitas de plástico que antigamente pendiam das portas da cozinha para afastar as moscas e que, em pouco tempo, ficavam nojentas com a gordura e o pó.

Há por lá outras mais interessantes, do meu ponto de vista. É o caso do Contramundo, de Rui Chafes (cujo trabalho, de resto, aprecio bastante), e Sobre a Floresta, as árvores de granito e bronze, de Alberto Carneiro.

O que acharam das peças? Qual é a vossa escultura favorita?

 

trabalho de Joana Vasconcelos

© barquinhaearte.pt – “Trianons”, de Joana Vasconcelos

escultural de Rui Chafes

© barquinhaearte.pt – “Contramundo”, de Rui Chafes

 

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2019-10-01T13:09:58+00:00

25 Comments

  1. Marta Iansen 9 Junho, 2014 em 16:36 - Responder

    Lenda genial, não conhecia. Quando às esculturas, gostei muito da última. Belo efeito na imagem noturna.

  2. Joana 9 Junho, 2014 em 20:52 - Responder

    Ainda bem que gostaste da visita. A lenda que escolheste é a mais conhecida. Por causa dessa lenda há por aí malta esquisita, como eu, que sempre planeou passar a noite de são joão dentro do castelo 😀
    Mas verdade seja dita, e modéstia à parte, é o castelo mais lindo de Portugal.

    Beijo enorme

    p.s – vi que descobriste a foto que te falei 😀

    • Ruthia 9 Junho, 2014 em 21:55 - Responder

      A foto de dois idosos senis e alheados da realidade do país? Não sei a que te referes 🙂

  3. ✿ chica 10 Junho, 2014 em 10:00 - Responder

    Passar por aqui é aprender um pouco mais sempre.Lindo tudo e gostei também da última foto! beijos,linda semana,chica

  4. Calu B. 10 Junho, 2014 em 13:50 - Responder

    Ruthia,
    te confirmo com toda veracidade que este tema muito me atrai: os templários e sua aura personalíssima.Li algumas poucas referências históricas e outras mais romanceadas, confesso que me ative às segundas por vestirem-se do poder mitológico que o assunto retrata.
    Este belo lugar ficará muito atrativo com toda história acerca dele.Gostei mais das obras: "Sobre a floresta" e "Contramundo."
    Passear contigo é muito agradável.
    Bjkas festivas,
    Calu

  5. Anne Lieri 10 Junho, 2014 em 14:36 - Responder

    Ruthia,belas peças e é dificil escolher uma: fico com aquela barquinha vermelha . Adorei conhecer a história de Joana e as fotos estão incríveis! bjs,

  6. ALUISIO CAVALCANTE JR 10 Junho, 2014 em 18:14 - Responder

    Olá

    São belas
    as palavras
    que nos acariciam
    o coração…

    Obrigado por semear o belo
    em um mundo tão carente
    de sentimentos bons.

  7. Adriana Balreira 10 Junho, 2014 em 22:25 - Responder

    Ruthia,
    Que local lindo. Não conhecia. E que história! E as peças que agora estão lá são bem diferentes mesmo. Adorei.
    beijos
    Adriana

  8. Sissym Mascarenhas 11 Junho, 2014 em 2:36 - Responder

    Ruthia,

    Eu adoro viajar ao passado, porque a cultura européia é riquíssima. Sempre gostei de ver filmes medievais que trata tudo com um certo ar de mistério, amor, paixão, honra e conquistas. Sobre o Contramundo, parece um insetão, um enorme besouro.

    Bjs

    • Ruthia 11 Junho, 2014 em 6:27 - Responder

      Parece mesmo um besouro ou um bicho de conta gigante. Mas ficou interessante, né?
      Bjs

    • Sissym Mascarenhas 12 Junho, 2014 em 20:51 - Responder

      Sim. Eu curti muito este post, tambem o salvei para ler novamente. Costumo fazer isso.

  9. Adriana LARA 11 Junho, 2014 em 14:30 - Responder

    sempre aprendendo algo contigo querida amiga, não conhecia a lenda…o lugar é fantástico
    bjs
    tititi da dri

  10. Carlos Hamilton 11 Junho, 2014 em 17:50 - Responder

    Uau viajei…………. Maravilha.

    Abraços

  11. Chris Ferreira 11 Junho, 2014 em 23:47 - Responder

    Oi Ruthia,
    Que história fantástica!
    Que lugar lindo!
    Boa semana para você!
    Beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com.br/

  12. Stephanie 12 Junho, 2014 em 2:42 - Responder

    Ruthinha, eu fico com a peça Sobre a Floresta 🙂
    E tenho que concordar que esse castelo é belíssimo mesmo!!!
    Beijinhos, Té

  13. MARILENE 12 Junho, 2014 em 5:28 - Responder

    Adoraria visitar o Castelo de Almourol. Eu me sentiria em outros tempos, imaginando o que ali já ocorreu. Gostei da lenda, com seu foco no amor. As peças são todas ricas, de diferentes estilos, o que nem me permitiu comparação, para efeito de escolha. São trabalhos que muito admiro. Bjs.

  14. Patricia Galis 12 Junho, 2014 em 13:24 - Responder

    Que lugar fascinante….amo seus posts pois viajo com vc.
    Tbm adoro ler sobre templários e tudo que diz respeito a esse período.
    Minha irmã foi para Espanha da cidade de Toledo e me trouxe uma espada que amo de paixão, copia dessa época.

  15. Nilson Barcelli 12 Junho, 2014 em 16:57 - Responder

    Confesso que os Templários também me fascinam.
    E ainda mais por saber que a sua participação nos descobrimentos portugueses não está suficientemente explorada e contada. O que é certo e sabido, é que o Infante D. Henrique vinha a Tomar tirar apontamentos dos desenhos das caravelas. E, ao que consta, também terão financiado o pinhal de Leiria e outras coisas relacionadas com os descobrimentos.
    Magnífico post, gostei de tudo, embora só comente o início, para não ser fastidioso…
    Tem um bom fim de semana, querida amiga Ruthia.
    Beijo.

    • Ruthia 12 Junho, 2014 em 17:10 - Responder

      Comente o que quiser, caro amigo. Não me importo nada de comentários longos, sou daquelas pessoas que adora livros gordos e gente tagarela 🙂
      Obrigada pelo seu comentário tão pertinente e pela sua presença amável.
      Um abraço

  16. RUDYNALVA 14 Junho, 2014 em 22:49 - Responder

    Ruthia!
    Também sou fascinada pelos Cavaleiros Templários, suas histórias e lendas.
    Daria tudo para poder conhecer esses lugares instrutivos e aprender cada vez mais.
    A imagem que mais gostei foi "Contramundo", de Rui Chafes, parece um capacete futurista.
    cheirinhos
    Rudy

  17. Jussara Neves Rezende 20 Junho, 2014 em 0:21 - Responder

    O de que gostei mesmo foi da lenda, Ruthia. Adorei conhecer!
    🙂

  18. Beatriz Bragança 7 Julho, 2014 em 13:23 - Responder

    Querida Ruthia
    Uma bela reportagem,fotográfica e textual!
    Gostei da lenda,apesar de muito trágica!
    Um beijinho
    Beatriz

  19. Gilberto Duarte Pinheiro 17 Março, 2017 em 16:41 - Responder

    Quem me dera que esta fantástica lenda fosse em minha terra! Grato por tudo! Vou usar como metáfora em trabalho histórico na Ribeira Grande-Açores!

  20. Gilberto Duarte Pinheiro 17 Março, 2017 em 16:46 - Responder

    Quem me dera que esta fantástica lenda fosse em minha terra! Grato por tudo! Vou usar como metáfora em trabalho histórico na Ribeira Grande-Açores! Conheci a lenda através do Doutor Gaspar Frutuoso, no Livro Quarto «Saudades da Terra».

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