Não vamos a África para ver museus, monumentos ou palácios. A magia do continente reside nas suas gentes, na sua luz e na sua biodiversidade, como podemos constatar no Parque do Kissama

Deixamos o barulho e o trânsito de Luanda para trás. A estrada estende-se, à beira-mar, com um ou outro outdoor gigante a publicitar a Cuca, até os olhos poderem finalmente afagar a paisagem. O mar contrasta com a terra vermelha e vejo, finalmente, os majestosos embondeiros. Como são lindas, estas árvores que o Saint-Exupéry desdenhou.

Ora no planeta do principezinho havia umas sementes terríveis… eram as sementes de embondeiro. O solo do planeta estava infestado delas. Se só se reparar num embondeiro quando ele já for bastante grande, nunca mais ninguém se vê livre dele. Atravanca o planeta todo. Esburaca-o com as suas raízes (…)

Há que arrancar regularmente os pés dos embondeiros, mal eles se distingam dos das roseiras com as quais se parecem muito quando são novinhos (…) Às vezes não faz mal nenhum deixar um trabalho para depois. Mas, com embondeiros, é sempre uma catástrofe.

Relativizemos, é verdade que se tratava de um planeta muito pequenino. E por aqui ainda há espaço para estas árvores fantásticas. Mas hoje vamos falar do Parque Nacional do Kissama (ou Quiçama, ou Kiçama, ou ainda Quissama), a cerca de 70 km da capital.

Atravessado o rio Kwanza, que empresta o nome à moeda local, é só virar à esquerda para dar com o Parque, uma das sete maravilhas naturais de Angola. O percurso entre a entrada e a recepção é revelador da sua extensão: cerca de 40 km em terra batida. Na verdade, é só um dos maiores de África, ocupando mais de 990 mil hectares.

Infelizmente, a guerra civil dizimou grande parte da fauna local, em especial os elefantes, por causa das suas presas. Mas isso pertence ao passado. Graças ao projecto Arca de Noé, o Kissama está a ser repovoado depois de séculos de matança (o espaço começou por ser uma reserva de caça).

 

camião usado no safari no Parque Kissama

mapa de Angola

 

O safari no Parque do Kissama

Girafas e elefantes foram trazidos do Botswana e da África do Sul. Para além destes simpáticos habitantes estrangeiros, o Parque tem hoje pacaças, potamocheros e gungas (não faço ideia do que sejam), zebras, gnus, avestruzes, diversas espécies de antílopes, manatins e tartarugas-marinhas.

As diferenças na vegetação são também muito interessantes. O território de um bicho é tão diferente do de outro: manguezais, mata densa, savana, cactos, embondeiros e grandes zonas de arvoredo.

Não conseguimos ver as zebras nem as avestruzes e, como o safari não nos levou até ao mar, escaparam-nos as tartarugas marinhas e os manatins também. Fica para outra ocasião. Para além disso, alguns animais estavam demasiado longe para serem fotografados. Mas o que vimos e vivemos foi maravilhoso.

Adoramos as girafas que, diga-se, se estão a borrifar para nós, desde que não nos aproximemos em demasia. Porque haviam de interromper a sua refeição? Já os elefantes são mais assustadiços e ameaçadores.

Fiquei mesmo feliz por o primeiro contacto do Pedro com os animais selvagens ser assim, na natureza, e não com um fosso ou um gradeamento entre eles. Bem sei que muitos jardins zoológicos desempenham um papel importante na preservação de espécies ameaçadas, mas ver os animais aprisionados aperta-me o coração.

 

elefantes no Kissamabarra do Kwanza

Os greens de Mangais e o Miradouro da Lua

Do outro lado do rio, espera-nos uma das melhores refeições que já fizemos em Angola. O Mangais Resort é um projecto ecológico que para além de alojamento e golfe, proporciona passeios de barco e serve refeições maravilhosas. O peixe vem deste rio, assim como a água para regar os greens na época de estio, a fruta é cultivada pelos funcionários.

A Sofia, que gere o resort, trocou definitivamente o Ribatejo pela Barra do Kwanza há dois anos e não se arrepende. Quando se farta do sossego dá um salto a Luanda, mas bastam-lhe umas horas na confusão e regressa afoita aos braços da natureza.

O buffet de domingo é muito popular, apesar do preço. Há marisco em abundância e comida local, funge, calulu de peixe e de carne seca. Mas nós rendemo-nos a um pargo monumental, assado com presunto, a que somamos fruta, fruta, fruta. O abacaxi é tão doce que até o Pedrinho repete.

 

 

No regresso desta aventura, ainda há tempo para mais uma paragem: o Miradouro da Lua. Aqui, a paisagem foi esculpida pelo vento e pela chuva.

Este foi o cenário do filme “O Miradouro da Lua” (1993) do realizador português Jorge António, distinguido com um prémio de realização no Festival de Gramado (Brasil). A primeira co-produção luso-angolana conta a história de um jovem lisboeta que vai à procura do pai desconhecido. No final da longa-metragem, com o Miradouro como pano de fundo, o protagonista decide ficar em Angola.

 

Entrada no Parque Nacional do Kissama: 2000 AOA (kwanzas)/adulto + 1000 veículo
Safari: 3000 AOA/adulto (cerca de 25 euros por pessoa)

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