Sim, o Prado é um dos “grandes” museus mundiais. Sim, poderia passar um dia inteiro lá dentro. Eu até dormiria no meio das suas obras de arte, se me deixassem… mas podemos conhecer o essencial do Prado em pouco tempo

Acontece que eu viajo, invariavelmente, com um explorador de palmo e meio. E, entre milhares de coisas boas que espero para ele, desejo que continue a achar os museus super divertidos e a arte tão interessante como a banda desenhada.

Assim, o Museu do Prado e o Museu Rainha Sofia fizeram parte da sua primeira viagem à cidade madrilena, em doses moderadas. O objectivo foi apresentar ao Pedro alguns pintores espanhóis dignos do Olimpo: Velásquez e Goya (no Prado), Picasso e Salvador Dalí (vá, com umas pinceladas de Miró).

Chegámos ao Prado no final da tarde, para aproveitar a entrada gratuita, restando cerca de hora e meia para o museu fechar, quando finalmente cruzamos as grandes portas do edifício neoclássico. É fácil perdermo-nos entre os milhares de obras que formam o espólio do Prado, pelo que levei a lição estudada de casa.

O museu possui uma linda colecção renascentista italiana que abrange Rafael, Fra Angelico e Botticelli, sem esquecer as escolas inglesa, holandesa e flamenga, onde se inclui o talentoso Rubens: vislumbrei o Rapto da Europa e The Three Graces mas consegui seguir adiante. Existem contudo exposições melhores a este nível, em outros países. O Pedrinho teve a sua dose de pintura italiana quando visitámos Roma, por exemplo (aqui e aqui).

 

Sendo proibido fotografar no interior do Prado, as imagens são do próprio museu

Mas em mais nenhum lugar do mundo existe uma colecção tão maravilhosa de arte espanhola, com destaque para os pintores do século de ouro. O museu possui 48 telas de Diego Velásquez, o que representa 40% da sua obra conhecida e inclui obras-primas como As Meninas (que está para o Prado como a Mona Lisa está para o Louvre) e A Adoração dos Reis Magos.

O mestre foi pintor na corte do rei Filipe IV, daí a protagonista de As Meninas ser a pequena princesa Margarida. Mas ele pintou retratos da maior parte da família real, como se constata nas paredes do Prado. Um detalhe curioso é o seu conjunto de telas com anões como tema, no piso principal.

Goya é outro imperdível do museu, com 125 obras em exposição. No piso principal – ir até ao pequeno pavilhão octogonal que corresponde à sala 32 e depois salas 34 a 38 -, a Maja Vestida e a Maja Desnuda causaram alguma perplexidade no Pedro.

Porque é que os pintores mostravam as partes privadas das pessoas?” perguntou-me, algo ruborizado. A Inquisição também implicou com a moça sem roupa, lá no século XVIII.

No piso inferior (salas 64 a 67), o pequeno explorador foi impressionado com a dupla Dois de maio de 1808 e Três de maio de 1808, telas que retratam um combate de rua e as repercussões brutais do dia seguinte com um pelotão de fuzilamento. Para além disso, garanto, nunca esquecerá as pinturas negras de Goya, sobretudo o sombrio Saturno devorando o filho.

Em resumo, demorámos pouco mais de uma hora para conhecer o essencial do Prado.

O senhor dos bigodes estranhos, no Museu da Cera de Madrid

 

A estrela de Madrid não se chama Cristiano mas Picasso

No dia seguinte, domingo, o Pedrinho entrou no Museu Nacional Rainha Sofia determinado a cumprir uma missão: conhecer ao vivo o Guernica de Picasso.

Já lhe falara na tela há muito tempo. “Mamã, porque é que quando alguém desenha muito bem, lhe chamam Picasso?” – a coisa passou-se mais ou menos assim. Expliquei-lhe que era um pintor importante, conhecido em todo o mundo, e que uma das suas gemas era precisamente Guernica, que logo tivemos que “googlar” para satisfazer a sua curiosidade. Acrescentei que poderia vê-la um dia que visitássemos Madrid. Como podem adivinhar, ele não se esqueceu da minha promessa…

Passámos um longo tempo especados em frente à tela gigante. É sempre uma emoção forte mergulhar naquele caos monocromático. Embora gostasse das telas de Dalí, o senhor de bigodes estranhos, foi Pablo Picasso quem conquistou o coração do meu pequeno. Sabem como é que eu sei?

Já de regresso a casa, quando o pai lhe perguntou sobre o que mais gostou de conhecer em Madrid, o quadro constou da sua resposta pronta: “o túnel do vento”, o estádio Santiago Bernabéu, o museu de cera e o Guernica. Missão cumprida! Um post sobre as outras preferências aqui.

Museu do Prado aqui |Seg-sáb. 10h00-20h00, Dom. e feriados 10h00-19h00 | Bilhete: 15€ (adulto), grátis (criança). Dica: todos os dias existe um horário gratuito para visitar o museu. De segunda a sábado é das 18h00 às 20h00 e ao domingo das 17h00 às 19h00.

Museu Nacional Rainha D. Sofia aqui | seg, quar-sáb 10h00-21h00 (terça-feira está encerrado), dom. 10h00-19h00 | Bilhete: 10€ (adulto), grátis (criança). Dica: o horário de entrada gratuita é segunda, quarta, quinta, sexta e sábado das 19h00 às 21h00 e ao domingo a partir das 13h30.

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