A par de uma aura mais clássica, herdada de tempos imperiais, Viena renova-se com novas e ousadas correntes artísticas. Em 2018, celebra Klimt e outros filhos modernistas com Beauty and the Abyss

A capital austríaca tem um senso de tempo e precisão teutónicos, significando que tudo funciona pontual e maravilhosamente. Por algum motivo foi eleita nove anos consecutivos como a melhor cidade para se viver no planeta, pela consultora Mercer, num dos estudos mais completos sobre qualidade de vida (aqui).

A escolha não se deve (apenas) aos elevados níveis de segurança, excelência dos serviços médicos e infraestruturas, mas também à qualidade da sua oferta cultural. Na verdade, Viena tem uma sensibilidade pela cultura, pelas artes e pelo espírito humano que tornam a vida mais feliz.

Prova-o o Museum Quartier, onde outrora ficavam as cavalariças imperiais e que hoje acolhe um dos maiores complexos museológicos do mundo, com mais de 60 instituições culturais onde se inclui o Leopold Museum, mas também teatros, o Centro de Arquitectura de Viena, zonas verdes e cafés.

Quase ao lado, fica o Museu Albertina, um antigo palácio que hoje dá abrigo a todos os grandes nomes da arte moderna: Chagall, Cézanne, Degas, Magritte, Monet, Renoir, Modigliani, (pausa para respirar) Klimt, Munch, Kandinsky, Miró, Picasso, Matisse!

A linda vista das janelas do palácio já mereceram uma pintura.

Ao longo de 2018, a cidade celebra os seus modernistas – Klimt e Schiele (pintores), Wagner (arquitecto) e Moser (designer) – com Beauty and the Abyss (aqui) uma programação transversal que envolve várias instituições, recordando os alvores do século XX, quando a Europa oscilava entre a beleza dos novos movimentos artísticos e o abismo da guerra.

Fomos conhecer a obra dos modernistas Klimt e de Schiele no Palácio de Belvedere. Faço sempre questão de apresentar ao pequeno explorador alguns artistas de cada país que visitamos, sem o sobrecarregar de informação e galerias. Foi o caso de Michelangelo e Leonardo Da Vinci em Itália, Monnet em França, Velásquez, Goya e Picasso em Espanha.

Depois, o palácio barroco de Belvedere é lindo de morrer, com os dois edifícios unidos por extensos jardins. A exposição permanente de Klimt e Schiele está no palácio superior (Oberes), edifício com uma entrada deslumbrante: gigantes de mármore sustentam o tecto alvíssimo, em relevo, e depois a escadaria cerimonial conduz-nos ao paraíso da pintura.

O Abraço (1917) é uma das obras de Schiele que podem ser vistas no palácio de Belvedere

O trabalho de Schiele é mais sombrio e dramático, enquanto o simbolista Gustav Klimt apresenta uma pintura ornamental muito característica, sobretudo a sua fase dourada que lembra a arte bizantina, como se cada quadro fosse uma jóia. O Belvedere possui um bonito acervo de Klimt, incluindo a sua obra-prima Der Kuss (1908), onde dois amantes enlaçados preparam um beijo que se prevê apaixonado.

Li algures que os casais se demoram mais diante da obra que os visitantes solitários, não só apreciando o quadro mas também ensaiando um ósculo para a fotografia (sim, é permitido fotografar no interior do museu). O mais interessante é que o gesto se vai banalizando a ponto de se verem casais asiáticos, que culturalmente não são adeptos de manifestações públicas de afecto, em românticos ensaios…

Museu Albertina site | Horário: todos os dias, 10h-18h (21h às quartas e sextas) | Bilhete: 12,90€ (adulto), 10,50€ (com Vienna City Card), 9,90€ (seniores), 8,50€ (estudantes até 25 anos), grátis (até 19 anos).

Museu Leopold site | Horário: todos os dias, 10h-18h (21h às quintas) | Bilhete: 13€ (adulto), 11€ (com Vienna City Card), 9,50€ (seniores), 9€ (estudantes até 25 anos), 8€ (desempregados, portadores de deficiência), grátis (crianças até 7 anos).

Upper Belvedere site | Horário: todos os dias, 9h-18h (21h às sextas) | Bilhete: 15€ (adulto), 13,50€ (com Vienna City Card), 12,50€ (seniores e estudantes até 26 anos), grátis (até 18 anos).

 

 

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