Abadia de Melk, a joia barroca do Danúbio

Numa curva do rio, descobri um lugar perfeito para quem ama livros. Chegamos à abadia de Melk, a pérola barroca da Áustria

Ora, Labora et Lege – Reza, trabalha e aprende. O lema dos beneditinos ecoa nesta sua abadia assombrosa, sobranceira ao rio que nos trouxe até Melk (post sobre o cruzeiro aqui), em pleno vale de Wachau.

Tudo começou em 1089, quando Leopoldo II ofereceu aos beneditinos terras e um castelo, que estes transformaram numa abadia fortificada. Anos mais tarde, os monges criaram uma escola e uma biblioteca. Esta foi crescendo em tamanho e importância ao longo dos séculos. No seu scriptorium copiaram-se centenas de manuscritos com iluminuras preciosas.

Na verdade, a abadia está muito diferente de quando foi fundada, há mais de mil anos. Passou por um incêndio grave no século XIII, ataques turcos no século XVI, as invasões napoleónicas e o nazismo, altura em que foi confiscada.

A sua encantadora aparência barroca surgiu no século XVIII e nós agradecemos por isso. Sendo um dos complexos barrocos mais belos da Europa, foi classificado pela Unesco como património da Humanidade, com todo o mérito.

A nossa surpresa começa logo na escadaria que nos conduz ao museu, onde em tempos ficavam os apartamentos imperais. Depois, somos reduzidos à insignificância no Salão de Mármore, com o teto maravilhoso de Gaetano Fanti. Palas Atenas (Minerva) é puxada por dois leões, que simbolizam a sabedoria e a moderação. A seu lado, Hércules está pronto para a ajudar a derrotar o cérbero de três cabeças.

Sobre as portas, duas inscrições das regras de S. Benedito indicam o propósito deste salão, com destaque para Hospites tamquam Christys sucipiantur, “os convidados devem ser recebidos como Cristo seria”.

Saímos para o terraço, onde nos espera uma encantadora paisagem para o Danúbio, antes de se nos sumir o ar na mais bela das bibliotecas. São milhares de manuscritos, incluindo uma admirável coleção de partituras, dois globos terrestres gigantes e tetos belamente decorados.

Infelizmente, apenas temos acesso a duas salas da biblioteca, de tons dourados e encadernações centenárias, que não podemos fotografar. As restantes alas da biblioteca estão reservadas aos monges, pois este é um mosteiro ativo, que até gere uma escola.

A minha vontade era escapulir-me pela escada de caracol e explorar cada cantinho daquele paraíso literário que, dizem, inspirou Umberto Eco. O Nome da Rosa tem uma personagem-narrador que se chama… Adsio von Melk.

Mas a visita guiada num espanhol sofrível terminou, e somos convidados a visitar a igreja antes de sairmos do recinto. O magnífico altar teatral  demonstra que este é o coração da abadia, um lugar de reflexão e fé. Mas o meu coração ficou lá atrás, na biblioteca.

Antes do regresso a Viena, tivemos a oportunidade de passear nos jardins do mosteiro. Tudo estava sereno, após uma grande chuvada. Os pingos de chuva brilhavam nas árvores, um pequeno esquilo armazenava bolotas. Sentamo-nos um pouco em silêncio, a digerir todas as maravilhas que acabáramos de conhecer. Ali, de pronto, senti que este seria o meu lugar preferido na Áustria.

 

Abadia de Melk: site | Horário: 9h00-17h30 (maio-setembro), 9h00-16h30 (abril a outubro), visitas guiadas em inglês às 10h55 e 14h55 entre abril e outubro | Jardins: 9h00-18h00 entre 1 de maior e 31 de outubro

Bilhete: 11€ (adulto), 6€ (crianças e estudantes até aos 27 anos), 22€ famílias, acresce sempre 2€ com visita guiada

Nota: a nossa visita ao vale de Wachau, com visita a Durnstein, cruzeiro no Danúbio e visita à abadia de Melk foi uma cortesia da Vienna Sightseeing, que agradecemos.

 

 

 

 

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2018-12-21T17:12:13+00:00

34 Comments

  1. Continuo a acompanhar esta bela viagem.
    Um abraço e bom fim-de-semana.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    Livros-Autografados

  2. Palavra-padrão 30 Setembro, 2018 em 10:00 - Responder

    Que delícia de local! Parece transpirar história!

  3. Beatriz 30 Setembro, 2018 em 14:36 - Responder

    Poxa, a Abadia sobreviveu a tantas coisas ao longo da história…. Certamente deve ser uma vista impressionante para quem vem do Nilo. Doce e sublime viagem Ruthia!!!

    Bjs
    Bia
    http://www.biaviagemambiental.blogspot.com

  4. Expressinha - Blog de Viagens 1 Outubro, 2018 em 14:22 - Responder

    Ruthia, você sempre nos traz essas belezas escondidas. Como você, eu adoraria explorar o cenário de O Nome da Rosa! Parabéns pelo post!

    • Berço do Mundo 9 Outubro, 2018 em 18:07 - Responder

      Não tão escondidas assim, Bruna. É um dos lugares mais visitados da Áustria, parece.

  5. Anna Luiza 1 Outubro, 2018 em 16:56 - Responder

    Que lugar lindo e interessante, hein? Me transportei para lá lendo o seu texto!

  6. gabitorrezani 3 Outubro, 2018 em 10:48 - Responder

    Que beleza essa abadia! Linda arquitetura barroca, não imaginaria que é um mosteiro ativo e que gere uma escola! O jardim também parece uma boa pedida 🙂

    • Berço do Mundo 9 Outubro, 2018 em 18:08 - Responder

      São muito abertos à comunidade, com um programa cultural regular na abadia também. O jardim é maravilhoso, é um banho de silêncio!

  7. Adriana LARA 3 Outubro, 2018 em 16:32 - Responder

    sensacional… senti-me como se tivesse ao teu lado na visita! bjs carinhosos querida amiga… aqui ainda sob chuvas e trovoadas… mas já começo a ver um pequeno raio de sol! bjs

  8. Que passeio delicioso… Deve ser emocionante estar num lugar que inspirou tantos cérebros!!! Adorei o relato

  9. Mariana Antunes 3 Outubro, 2018 em 19:36 - Responder

    Esse passeio deve ser demais, que arquitetura deslumbrante. Os jardins são impecáveis. Deve ser uma delícia passear por aí! Obrigada pelo relato, já que não conhecia o lugar e já vou anotar nas minhas futuras viagens.

    • Berço do Mundo 9 Outubro, 2018 em 18:09 - Responder

      A arquitetura e a decoração interior também. Infelizmente, não é permitido fotografar

  10. Tati Sisti 4 Outubro, 2018 em 20:54 - Responder

    É muita história, muita arquitetura num lugar só! Achei esse post incrível e com fotos lindas <3

  11. Mariazita 5 Outubro, 2018 em 9:40 - Responder

    Olá, Ruthia
    Tenho gravados dois PPS's, um de 2013 e outro de 2016, sobre a Abadia de Melk, que tenho imensa pena de não ter ido visitar…
    Gostei muito de rever, aqui, pois a informação, além das fotos, é completíssima.
    Óptima postagem!

    RE: O ex-marido de Nanda era italiano??? Eu não sabia… Mas… o ex é moreno, de olhos castanhos… – isto é só uma “achega” … ?

    Bom Fim-de-semana
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

    • Berço do Mundo 8 Outubro, 2018 em 13:24 - Responder

      A abadia ganhou o estatuto de meu lugar preferido na Áustria, muito por culpa da biblioteca. E quando o coração decide uma coisa destas, é difícil reconsiderar.
      P.S. Que nó que as tuas personagens me fizeram no cérebro

  12. Lulu Freitas 9 Outubro, 2018 em 15:23 - Responder

    Como sempre me senti passeando com você. Pena que é possível tirar fotos lá dentro, correto? Fiquei curiosa em ver o interior, especialmente o salão de mármore.

    • Berço do Mundo 9 Outubro, 2018 em 18:12 - Responder

      Acredite que a biblioteca é mais deslumbrante do que o salão de mármore. Pelo menos aos meus olhos!

  13. Ayub 9 Outubro, 2018 em 19:28 - Responder

    Olá! Seus posts são sempre muito inspiradores. Adoro o tanto de história que eles carregam. Parabéns!

  14. Angela Sant Anna 10 Outubro, 2018 em 18:48 - Responder

    que interessante, não sabia que tinha inspirado Umberto Eco! acho tão fofos esses esquilinhos europeus, são vermelhinhos né!

  15. Amilton Fortes 13 Outubro, 2018 em 15:42 - Responder

    Uau, quanta história e cultura por essas bandas hein? Adoraria visitar a cidade e explorar esses pontos também, obrigado pelas dicas!

  16. Carla Mota 13 Outubro, 2018 em 20:00 - Responder

    Que bonito. Não conheço esse lugar. Fiquei com vontade de explorar. Gostei das fotos.

  17. Publicador 14 Outubro, 2018 em 13:07 - Responder

    Que linda essa abadia, que teto… adorei conhecer sua conexão com O nome da rosa. Edson

  18. blog Mulher Casada Viaja 15 Outubro, 2018 em 16:46 - Responder

    Que passeio encantador! Mosteiros ainda são misteriosos, e passear por eles é uma viagem deliciosa, principalmente quando sabemos sobre as bibliotecas e manuscritos que guardam/guardavam.

    • Berço do Mundo 16 Outubro, 2018 em 19:46 - Responder

      Milhares de manuscritos copiados à mão, volumes seculares, enfim… só queria que me dessem liberdade para explorar aquela biblioteca à vontade

  19. Anónimo 16 Outubro, 2018 em 10:14 - Responder

    Vitor Martins:
    Fico sempre encantado com os lugares que você descobre!!Mais um de cortar a respiração.parabens

  20. Bruno Miguel 20 Outubro, 2018 em 9:32 - Responder

    Wow! Que demais… deixaremos esse anotado para a nossa volta à Áustria! Mas é uma pena que não encontramos esse post antes, pois estivemos lá no último mês…

  21. Bob 22 Outubro, 2018 em 4:51 - Responder

    Ler esta postagem foi quase como um tele transporte. Obrigado por compartilhar a experiência conosco! Longa estrada pra vcs!

  22. Tripping Unicorn 22 Outubro, 2018 em 12:55 - Responder

    Não conhecia a Abadia de Melk. Adorei saber da história e curti a foto do esquizinho também!

  23. Itamar 24 Outubro, 2018 em 18:41 - Responder

    Que lugar esplendido! Repleto de historia e beleza! Um passeio maravilhoso sem duvida! Adorei cada detalhe!

  24. Maria Glória D'Amico 16 Março, 2019 em 18:49 - Responder

    Eu penso que também ficaria com o coração na biblioteca, mas acredito que eu seria arrebatada para os jardins do mosteiro, pois pelo que descreveu, seria um caso de comoção.

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