Atualizado em 19 Janeiro, 2022

Aarhus, que se escreve Århus e se pronuncia qualquer coisa como Órrhus, é a segunda maior cidade da Dinamarca. Fomos conhecer este centro universitário e perceber o motivo dos seus curiosos cognomes: capital do cool e cidade dos sorrisos

Aarhus, na Dinamarca, chamou a minha atenção ao ser escolhida como uma das Capitais Europeias da Cultura 2017 e região europeia de gastronomia, no mesmo ano. Assim, incluí-a no roteiro durante a nossa estadia no país este Verão.

Longe dos radares turísticos estrangeiros, a sua herança cultural tornou Aarhus um destino popular entre dinamarqueses, graças ao charmoso centro histórico, à arquitectura e tradição gastronómica, às praias e ao parque temático.

Na verdade, Aarhus encerra muitas das melhores coisas da Dinamarca. É um destino limpo e seguro, com edifícios arrojados, onde se destaca o design moderno do complexo cultural Dokk1 ou o edifício iceberg, junto ao porto. Mas que não se esquece da história. O museu ao ar livre (Den Gamle By) é como entrar numa máquina do tempo, para chegar a uma pequena vila dinamarquesa do século XIX.

Passear dentro de um arco-íris, aprender sobre os vikings e alimentar veados junto a um palácio real – Aarhus é isso e mais. É passear nas ruas do bairro latino ou relaxar uma esplanada animada, numa tarde de Verão.

No interior do Rainbow Panorama, no museu de arte de Aarhus.

Aarhus, a cidade dos sorrisos

A população da Dinamarca é frequentemente mencionada como uma das mais felizes do mundo e a de Aarhus conta-se entre a mais feliz e amigável do país. Com pouco mais de 300 mil habitantes, a cidade tem história, cultura e muito hygge. Aarhus é conhecida, a nível nacional, como Smilets By ou cidade sorridente, acabando por adoptar o lema.

Comecemos com umas pinceladas de história, que nos permitem compreender melhor o presente. Aarhus começou por ser uma pequena vila viking (há mais de 1250 anos) na costa leste da Jutlândia, a grande península que liga a Dinamarca ao resto do continente europeu.

Os vikings construíram este assentamento fortificado perto da foz do rio que, em dinamarquês se dizia “Aros”, originando o nome actual. A localização estratégica, protegida num fiorde natural, explica porque se tornou um importante porto e, em 1441, recebeu privilégios mercantis.

Aarhus acabou por se tornar a segunda maior cidade da Dinamarca (e a maior da Jutlândia), com uma personalidade única. Hoje é descrita como um paraíso para os amantes de arte e um centro de aprendizagem, com uma das maiores universidades da Escandinávia. Diz-se que esta é a Oxford da Dinamarca, já que os alunos representam 20% da população, o que dá à capital do cool um toque boémio, criativo e jovem.

Vamos conhecê-la: cliquem nos links para informações actualizadas sobre preços e horários.

Roteiro em Aarhus: dia 1

Podíamos começar este roteiro na compacta Aarhus na Aboulevarden, a rua pedonal mais trendy da cidade. Mas vamos optar pela Park Allé: é muito fácil encontrá-la, basta atravessar a rua em frente à estação de comboios. Os semáforos chamam logo à atenção: são vikings, de capacete e escudo, que nos ordenam parar ou avançar.

Se continuar sempre em frente, chegará ao centro histórico. Mas vamos fazer um desvio à esquerda, para conhecer o moderno edifício da Câmara Municipal, revestido a mármore norueguês, que fica lindo com a iluminação nocturna (informação sobre as visitas guiadas aqui). Nós seguimos adiante para o nosso destino: o ARoS Aarhus Art Museum.

Como a maioria dos museus do país, a entrada é gratuita para menores de 18 anos. Para além de uma exposição permanente de categoria mundial, neste que é um dos maiores museus de arte do norte da Europa, pode subir ao Panorama Rainbow, que coroa o edifício.

Trata-se de uma obra de arte/passarela circular em vidro, com três metros de largura e vistas soberbas, assinada por Olafur Eliasson. O filtro, com as cores do arco-íris, empresta uma nova dimensão à cidade que se alonga a seus pés.

Mas antes de chegar ao topo colorido, há vários pisos de exposições contemporâneas e a grande instalação da Joana Vasconcelos que recebe os visitantes. Outro grande destaque é a escultura gigante e hiper-realista Boy, com 4,5 metros de altura. O autor, o australiano Ron Mueck, inspirou-se no hábito aborígene de ficar a descansar de cócoras, para conceber este rapaz de uma fibra de vidro, com um realismo tal, que lhe notamos as vértebras e as veias na pele.

Boy, a obra do australiano Ron Mueck, é a grande estrela do museu ARoS.

A manhã fina-se, mas ainda há muito para visitar em Aarhus. Nomeadamente o Den Gamle By – Kobstadmuseum ou, cidade velha, em bom português. O ideal seria chegar de bicicleta, mas as bicicletas gratuitas distribuídas pelo município foram retiradas (julgo que devido à pandemia).

Felizmente, vamos descansar as pernas no almoço ao estilo piquenique. Ao lado da cidade velha existe um parque ideal para isso, enfeitado com um moinho de madeira e as estufas do Jardim Botânico (Væksthusene i Botanisk Have). Com quatro zonas climáticas, as estufas têm entrada gratuita e visitam-se rapidamente. A parte mais bonita é a tropical, por causa das borboletas. No entanto, é preciso ter cuidado com a humidade na máquina fotográfica.

Depois do almoço, seguimos então para a cidade velha, um museu ao ar livre que mostra a vida dos dinamarqueses em três décadas históricas específicas: 1860, 1920 e 1970. Cerca de 75 casas históricas foram trazidas de vários pontos do país e o local ganha vida graças aos actores com vestuário da época, que exemplificam as actividades tradicionais.

Para além de ser muito bonito, no interior encontra um museu bastante completo sobre a história de Aarhus.

Old town em Aarhus na Dinamarca
Mulher descalça, à boa maneira do povo do século XIX.

Centro histórico de Aarhus

Antes que o dia se fine, ainda há tempo para rumar ao centro histórico, com paragem na Catedral de Aarhus (que fecha às 16h00) consagrada a São Clemens, Papa por volta do ano 100, a quem amarraram uma âncora em volta do pescoço e lançaram ao mar. Da sua origem românica já pouco resta, já que a catedral foi ampliada nos séculos XV e XVI, ganhando decoração gótica, um retábulo de Bernt Notke, uma pia baptismal e afrescos. 

Não muito longe fica o Museu Viking, com um pequeno acervo dedicado aos vikings, mas que estava fechado, por altura da nossa visita, devido à pandemia.

Felizmente os dias são longos, ainda nos resta luz para fotografar a charmosa Rua Mollestien, a via do moinho, com as suas casinhas térreas em enxaimel, enfeitadas com rosas em todos os tons pastel e cortinas nas pequenas janelas. Um quadro irresistível (ver foto de entrada), que se prolonga no Latin Quarter.

As ruas medievais do bairro latino são para percorrer com calma, absorvendo o seu carácter e visitando as muitas lojinhas de artesanato e design, parando para espreitar os pátios, os restaurantes, as galerias de arte.

Terminamos o dia junto do porto, no recém renovado distrito Aarhus Ø, onde encontra o Isbjerget (o iceberg) um edifício residencial único, onde topos altíssimos recebem jardins e hortas e onde se vislumbra o Navitas, o edifício dedicado à ciência e tecnologia.

iceberg em Aarhus, na Dinamarca
© Mikkel Frost | Arch Daily

Roteiro em Aarhus: dia 2

Quem gosta de história, poderá começar este segundo dia de visita no Museu Moesgård, focado apenas no período pré-histórico. O Moesgaard orgulha-se de duas coisas: o Grauballe Man, a múmia da idade do ferro melhor preservada da Escandinávia, e uma vista panorâmica fantástica, desde os seus telhados relvados inclinados.

Em alternativa, poderá considerar o Tivoli Friheden, o parque de diversões de inspiração floral. Esta é uma das sugestões que damos em Dinamarca com crianças, guia para uma viagem feliz. Mas há mais para explorar nos arredores de Aarhus, naquela mesma direcção.

É o caso do Palácio Marselisborg, residência de Verão da rainha, rodeado por um parque de estilo inglês com pequenos lagos, um jardim de rosas e várias obras de arte. Um pouco mais longe encontra o Marselisborg Deer Park, onde poderá alimentar veados e gamos. Leve maçãs e cenouras pois, ao contrário do que acontece no Phoenix Park em Dublin, é permitido alimentar os animais. Existem também javalis, mas num cercado próprio.

Detalhe do parque de diversões Tivoli Friheden.

A região é famosa pelas suas praias. A mais próxima do parque dos veados é a Moesgård Strand, embora a mais popular seja a Den Permanente, talvez pelas infraestruturas de apoio.

Entre Abril e Outubro, vale muito a pena ir até Varna conhecer a Ponte infinita (Den Uendelige Bro). Assinada por dois arquitectos locais, a estrutura devia ser temporária, mas a sua popularidade salvou-a. O cais circular estende-se na Baía com uma vista panorâmica de 360°. Quer queira dar uns mergulhos ou simplesmente passear junto ao mar, da praia e da floresta, a vizinhança da Ponte Infinita é fantástica para passar o dia.

Se tiver mais algum dia livre pode aventurar-se um pouco mais longe de Aarhus, visitando a simpática Randers, a cerca de 40 km, ou Silkeborg, um destino de ski. Nós passámos uma tarde em Randers e adorámos o museu local (Kulturhuset), bem como a simpática rota das estrelas, um percurso pedonal de cerca de 2,5 km que passa por 15 pontos de interesse.

Curiosidade: em Randers, existe uma réplica da mansão do Elvis Presley em Memphis. O espaço inclui um museu,  mini-teatro, sala de concertos, loja e restaurante, tudo para preservar o legado do famoso rei do rock.

© Photo Aarhus I Billeder

Guia prático para visitar Aarhus

Como chegar

Aarhus tem aeroporto, sendo possível chegar de Portugal com uma escala em Londres e, dali, voar com uma companhia aérea low-cost como a Ryanair. Esta solução contudo, pode pressupor pernoitar em Londres, devido ao horário das ligações. E, se o Reino Unido tiver muitos casos de covid-19, pode exigir quarentena, à chegada à Dinamarca.

aeroporto Aarhus Lufthavn fica a 44 kms da cidade, o que se traduz em cerca de 55 minutos no autocarro 925X (o que custará cerca de 108 DKK, ou 14,50€ por trajecto, em Julho de 2021). Nós voamos para a capital, Copenhaga, e dali apanhamos o comboio para Aarhus. O bilhete de comboio pode ficar caro, sobretudo se comprado no dia. Uma boa alternativa será o Flixbus, que liga as duas cidades.

Quando visitar

Apesar de um clima mais moderado do que os países escandinavos vizinhos, o Inverno é rigoroso, sobretudo para os habitantes do sul da Europa/hemisfério sul. Para além do frio, há ainda a considerar os dias curtos. Os meses de Maio a Setembro são os mais agradáveis e proporcionam mais horas de luz.

Nós visitámos o país em Julho e vivemos dias de bastante calor, com os parques cheios de dinamarqueses a aproveitarem o sol e crianças a refrescarem-se nas fontes públicas. A luz do dia pode prolongar-se até depois das 22h, o que pode influenciar o ciclo do sono (a mim, afectou).

O parque junto às estufas do Jardim Botânico de Aarhus.

Alojamento em Aarhus na Dinamarca

Entra a vasta oferta de hospedagem na cidade, destaca-se a imponência do Hotel Royal de quatro estrelas, num edifício neoclássico do século XIX, e o económico (mas bem localizado) Danhostel Aarhus City. Uma alternativa intermédia é o Milling Hotel Ritz Aarhus City, de três estrelas, mas com qualidade. Mas a opção mais charmosa será alugar uma das pequenas casas floridas da Rua Mollestien.

Onde comer em Aarhus

A cidade possui alguns restaurantes com estrelas Michelin – restaurante Gastromé, restaurante Domestic e restaurante Frederikshøj – mas, convenhamos, não é uma opção para todos os dias, muito menos para todos os bolsos.

Uma boa opção é o Aarhus Street Food (Ny Banegårdsgade 46, em frente à estação central de autocarros), onde a criatividade dos jovens cozinheiros resulta em escolha variada, de tacos mexicanos a hambúrgueres ou os tradicionais smorrebrod dinamarqueses (sanduíches abertas). São mais de 30 pequenos restaurantes e bares a preços são mais económicos: báhni mi vietnamistas a cerca de 10€ e menus variados a partir de 15€.

Em tempos de covid, as mesas no exterior são mais procuradas.

Outras dicas úteis

A Dinamarca pertence ao espaço Schengen, pelo que os visitantes portugueses precisam apenas de um documento de identificação válido para entrar no país. No entanto, em altura de pandemia, é preciso considerar outras restrições. A Dinamarca classifica os restantes países por cores, às quais correspondem restrições diferentes de entrada, que pode consultar aqui.

A visita a museus e atracções pressupõe a apresentação de um teste negativo (PCR tem validade de 96 horas e antigénio de 72 horas), que se podia realizar gratuitamente no país, após registo no site Covidresult.dk, no Verão de 2021.

A moeda oficial da Dinamarca é a coroa dinamarquesa (ou kroner), e um euro equivale sensivelmente a 7 DKK. Há caixas de levantamento automático por toda a Jutlândia, para pagamentos em dinheiro. Claro, pode usar o seu cartão Visa, mas as taxas cobradas pelos bancos portugueses desaconselham-no.