Oceanário de Lisboa: manhã entre os tubarões

Estamos no Oceanário de Lisboa, o maior da Europa, distinguido pelos utilizadores do TripAdvisor como o melhor aquário do mundo em 2015, 2017 e 2018. E os olhos do pequeno explorador brilham de felicidade!

Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar
(Sophia de Mello Breyner Andresen)

As palavras da poetisa do mar reverberam no peito, enquanto contemplamos o fundo do oceano. Os cinco milhões de litros de água salgada são capazes de nos fazer acreditar nessa ilusão, ainda que por alguns instantes.

– Há um peixe que está escondido porque se aproxima o Natal… – anuncia uma das educadoras marinhas ao grupo de crianças que a acompanham.

Inaugurado para a Expo 98, o Oceanário tornou-se um caso sério de sucesso: hoje, recebe mais de um milhão de visitantes por ano. O tema da feira, Os Oceanos: Um Património Para o Futuro, continua presente neste espaço que eternizou a ligação do país dos descobridores com o mar.

A perfeição filosófica do Oceanário de Lisboa é esta: existe apenas um oceano global. Atlântico, Pacífico, Índico, Ártico e Antártico são meras invenções humanas, nomenclaturas geográficas. Nós humanos somos assim, temos esta mania de querer organizar o mundo, catalogar, hierarquizar tudo!

É por isso que os quatro habitats marinhos (Atlântico Norte, Antártico, Pacífico temperado e Índico tropical) mantêm sempre uma ligação visual com o gigante aquário central, onde os tubarões, as mantas, as raias, os peixes roncadores e cardumes enormes parecem conviver harmoniosamente.

 

©oceanario.pt.  O extraordinário peixe-lua, o maior peixe ósseo do mundo

 

Explorar os 4 habitats marinhos

Atravessamos o Atlântico Norte, que representa uma faixa que se estende desde a Islândia até aos Açores, para chegarmos ao gélido Antártico, onde moram os simpáticos pinguins de Magalhães.

Os pinguins mais pequenos que existem são os pinguins azuis – declara o Pedro, provavelmente recordando uma das muitas enciclopédias infantis que tem em casa. Com esta pérola de sabedoria seguimos para o Pacífico, área do animal mais comilão do Oceanário: a lontra marinha. Para além delas, este recanto tem aves típicas dos rochedos da Califórnia, várias espécies de anémonas, peixes e invertebrados característicos das florestas de kelp. A ideia é recriar, na medida do possível, um habitat completo.

Dali, aventuramo-nos pela floresta do Índico tropical. A temperatura aumenta, os peixinhos são mais coloridos e nadam entre corais deslumbrantes.

Não é só a temperatura que é cuidadosamente regulada. Apesar da proximidade do mar, o Oceanário produz a água que alimenta os seus 30 tanques, para garantir as condições ideais a quem ali vive. O sal vem de Israel – cerca de 16,5 toneladas mensais – para ser misturado com água doce na quantidade correcta para cada espécie. Depois, é preciso testar o pH, propriedades químicas, temperatura, etc. Todos os dias.

 

As duas  lontras irmãs, filhas do Eusébio de da Amália.

Os venenosos peixe dragão.

 

Mas ainda nos falta descer ao piso subaquático e visitar o famoso peixe-palhaço com as suas anémonas, mas também o polvo, o peixe dragão, cavalos-marinhos minúsculos e algumas espécies que habitam no oceano profundo, onde não chega a luz do sol. O som ambiente oferece uma experiência multisensorial do mar, da imensidão contínua de tons azuis, misturada com sons tranquilizadores e o infinito.

Ali ficam também os anfíbios (alguns tão pequenos como a ponta do dedo mindinho) e a casa do Vasco, a mascote que ensina os princípios de preservação dos oceanos e mostra, em tempo real, o que se passa no aquário grande.

A manhã sumiu-se num instante, por entre os tubarões. Terminaram também as obrigações académicas do pai, que nos levaram a Lisboa. Portanto ainda podemos aproveitar em família a luz singela e as temperaturas simpáticas da capital. No Norte está um bocadinho mais frio, brrrr!

 

Site do Oceanário de Lisboa aqui | Horários: aberto todos os dias, 10h-19h (Inverno) ou 10h-20h (Verão) |Bilhete: 16€ adulto; 11€ crianças (4-12 anos) e seniores; grátis até aos 3 anos (preços de março de 2019, sem acesso às exposições temporárias)

2019-03-20T17:03:07+00:00

30 Comments

  1. Elvira Carvalho 1 Dezembro, 2015 em 20:08 - Responder

    Obrigado pela partilha. Há anos que que ando para ir lá e sempre vai passando Espero ir lá no próximo verão, com a neta,
    De resto com posts e visitas não se preocupe. O importante é aproveitar todos os momentos em família. Ela deve estar sempre em primeiro lugar ela é o nosso suporte emocional e a base da nossa felicidade.
    Um abraço e tudo de bom.

    • Ruthia 1 Dezembro, 2015 em 22:49 - Responder

      Com certeza, Elvira. Sem a nossa família, não somos nada. Leve a neta ao Oceanário que ela vai adorar, com toda a certeza. Aliás, ainda tem a opção de passar lá a noite, chamam-lhe "a noite entre os tubarões". Mas dorme-se em sacos-cama. Os miúdos adoram, agora nós já não achamos tanta piada a dormir no chão (mesmo que com tão ilustre companhia)
      Beijinhos

  2. Jorge Fortunato 1 Dezembro, 2015 em 20:11 - Responder

    Estive duas vezes em Lisboa e não visitei este Oceanário. Agora vendo as fotos, lendo o post vi que terei que voltar para conhecer…
    Abraços

    • Ruthia 1 Dezembro, 2015 em 22:51 - Responder

      Lisboa, como tantas e belas cidades europeias, têm sempre motivos para voltarmos, caro Jorge. De resto, ali no Parque das Nações há vários espaços engraçados, nomeadamente o Pavilhão do Conhecimento.
      E então? Marcou os lugares na ópera de Paris?
      Abraço

  3. Maria Teresa Valente 2 Dezembro, 2015 em 1:43 - Responder

    Olá, Ruthia!
    Que bom que está tudo bem, família é sempre a prioridade!
    Senti não ter conhecido o Oceanário de Lisboa, quando aí estive…
    Agradeço a partilha, sempre agradável, de seus passeios.
    Abraços carinhosos
    Maria Teresa

    • Ruthia 2 Dezembro, 2015 em 18:15 - Responder

      Eu é que agradeço a sua amável visita

  4. Adriana Balreira 2 Dezembro, 2015 em 13:56 - Responder

    Ruthia,
    Aqui em Fortaleza estão querendo construir um Oceanário para atrair turistas. Digo querendo mas já estão nas obras. Espero que fique tão lindo como esse que nos mostrou. Adorei o que você falou sobre termos um só oceano e que nós humanos que diferenciamos. Perfeito! E que bom que deu para curtir o maridão!
    Beijos grandes
    Adriana

    • Ruthia 2 Dezembro, 2015 em 18:11 - Responder

      Sim, Adriana, a família toda junta foi o melhor de tudo 😉
      Depois conta-me como é o Oceanário de Fortaleza.
      Beijos

  5. Adriana LARA 2 Dezembro, 2015 em 15:05 - Responder

    via no face a foto do marido e deduzi que a ausência se justificava pelo amor presente! essa foto final do post é provocação.. deixa-me com o peito doido de saudades… eis mais um local para irmos, qdo retornar a terras lusas, em 2017! bjs querida amiga…aqui, ainda fresco, nem parece que o verão está a bater à porta! (Dou graças, pois não me agrada nosso calor excessivo e úmido) bjs

    • Ruthia 2 Dezembro, 2015 em 18:13 - Responder

      E não é o melhor motivo de todos, hihi?!
      Toda a área de Belém merece uma visita bem mais longa do que aquela que fizemos no ano passado. Tem o Padrão dos Descobrimentos (na foto), o Planetário, o Centro Cultural de Belém, o mosteiro dos Jerónimos e a famosa casa dos pastéis com o mesmo nome. Não há como não amar…

  6. M. 2 Dezembro, 2015 em 17:23 - Responder

    Que visita maravilhosa, já estou a ver!!! Eu adoro bichanos mais peludinhos e, se lá estivesse, iria apetecer-me beijocar aquelas lontrinhas!
    Beijocas 🙂

    • Ruthia 2 Dezembro, 2015 em 18:14 - Responder

      As lontras são realmente uma ternura, e depois fazem aquelas caretas tão giras, e passam o tempo todo a descansar, de papo para o ar, ou a brincar. Têm uma rica vida!!!!

  7. AC 2 Dezembro, 2015 em 20:59 - Responder

    E o Oceanário, dando vazão à preocupação da poet(is)a, trouxe o mar às pessoas…
    Mais uma belíssima profícua crónica, Ruthia.
    (O Pedrito gostou dos tubarões, deduzo)

    Um beijinho 🙂

  8. Sissym Mascarenhas 4 Dezembro, 2015 em 1:27 - Responder

    Lindissimo!
    E no Rio de Janeiro já começaram a pegar e catalogar as espécies que viveram num imenso aquario. Não vejo a hora que esteja pronto, quero conhecer.

    Bjs

  9. Toninho 5 Dezembro, 2015 em 23:18 - Responder

    Oi Ruthia, que linda postagem agora com o pequeno presente de quem senti falta.
    Este espaço é um presente para o mundo.
    Lindo fim de semana com alegria e paz na familia.
    Meu carinhoso abraço e beijo paz amiga.

  10. C. 6 Dezembro, 2015 em 16:37 - Responder

    por acaso só fui uma vez ao oceanário… adorava ir outra vez 😀

  11. Lúcia Bezerra de Paiva 6 Dezembro, 2015 em 19:11 - Responder

    Deixei a preguiça na rede (ou cadeirinha) , depois do cochilo pós almoço (que costumam chamar de sesta) e vim a jato. Na verdade já havia, há dias, dado uma espiada mas não deixei uma só palavra, apenas curti no "face". Do que mais gostei foi das lontras filhas do Eusébio e Amália – umas gracinhas. Aqui em Fortaleza, sob protesto da população, estão há anos construido um Oceanário: alegam que vão gastar muita grana, com tantos sem comida à mesa (quando há mesa). Conheço apenas o de Natal-capital do Rio Grande do Norte.Fui lá quando minha nora estava estagiado, como estudante de Medicina Veterinária. Gosto muito! Sua postagem está uma BELEZA!
    Linda semana que vem, beijos, da…
    …Lúcia

  12. Olinda Melo 7 Dezembro, 2015 em 15:50 - Responder

    Cara Ruthia

    Eu que sou de uma terra junto ao mar quase que adopto as palavras da grande Sophia. Realmente passo a maior parte do tempo longe do mar, de modo que terei de me ressarcir durante a eternidade.:)
    Já estive umas três vezes no Oceanário, com a minha filha e sobrinhos, mas nunca uma visita me foi tão proveitosa como esta que a Ruthia tem a gentileza de nos proporcionar. Aqui dou conta de muitos pormenores e belezas que não registei quando lá fui, bem como do intensíssimo trabalho realizado pelos técnicos para manter operacional um espaço daqueles.(Talvez o preço dos bilhetes tenha assim a sua lógica.)
    Por exemplo, as florestas de kelp são uma novidade para mim. E, curiosa como sou, fui logo ver o que é. As espécies de cá são autênticas maravilhosas pela seu traçado e pelas suas cores.Os pinguins de Magalhães terão a ver com o nosso Fernão de Magalhães (viagem de circum-navegação)? Quando falou no conceito de oceano global lembrei-me que ele quando iniciou a viagem parece que não estava a contar com o Oceano Pacífico. O estreito, de águas mansas, que tomou o seu nome foi uma autêntica surpresa.
    Muito obrigada.
    Beijinhos
    Olinda

    • Ruthia 7 Dezembro, 2015 em 17:52 - Responder

      Minha querida, a minha alma enche-se quando recebo um comentário assim tão grande e completo. Obrigada, do fundo do coração.
      Na verdade, os pinguins devem o seu nome ao Estreito de Magalhães, na América do Sul, por onde estes simpáticos pinguins passam em busca de alimento. Aliás, muitos são encontrados pela costa brasileira e, devido às alterações climáticas, estão a sofrer um bocado.
      http://www.publico.pt/ecosfera/noticia/alteracoes-climaticas-estao-a-afectar-reproducao-de-pinguins-quase-em-extincao-1621721.

      Quanto à manutenção do Oceanário, quase no final da visita (no piso inferior) há um pequeno filme onde se percebem muitos destes pormenores.
      Muitos beijinhos

  13. Maria Inês. 8 Dezembro, 2015 em 12:59 - Responder

    Olá Ruthia!!! Finalmente consigo comentar o teu blogue!!! Como já te disse outras tantas vezes adoro-o!
    E sempre que tentei comentar dava-me erro e não conseguia!
    Parabéns pelos seguidores, continua a escrever assim e a brindar-nos com os teus relatos! Beijinho

    • Ruthia 8 Dezembro, 2015 em 17:15 - Responder

      Olá Maria Inês, é uma grande alegria "ver-te" por aqui. Provavelmente não conseguias comentar porque é necessário fazer login antes, para evitar comentários anónimos.
      Muito obrigada pelo amável comentário e pela tua presença aqui.
      Muitos beijinhos!

      P.S. Deve estar bem fresquinho pela tua terra?!

  14. Zilani Célia 9 Dezembro, 2015 em 0:10 - Responder

    OI RUTHIA!
    TE VI EM OUTRO ESPAÇO E CORRI PARA TE VISITAR, SABENDO QUE CHEGANDO AQUI ME ENCANTARIA COM TEU POST.
    O PEDRO, ENCANTADO COM TUDO QUE VÊ E ESTÁ CRESCENDO MUITO RÁPIDO, PUDE OBSERVAR.
    ABRÇS AMIGA

    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

  15. MARILENE 9 Dezembro, 2015 em 1:47 - Responder

    Que beleza de postagem! O Oceanário de Lisboa deve ser maravilhoso. Gostei muito de sua narrativa e das fotos. Imagino que seu filho deve ter-se deliciado com esse passeio. Como é bom ter a família unida, não??? Tudo fica mais colorido e estimulante. Grande beijo!

    • Ruthia 9 Dezembro, 2015 em 8:25 - Responder

      Ter a família unida é a melhor coisa do Universo!!! No nosso caso, o tempo juntos é ainda mais precioso porque só acontece a cada 2 ou 3 meses
      Beijinhos

  16. Beatriz 9 Dezembro, 2015 em 13:42 - Responder

    Ah que saudades do Oceanário de Lisboa…. Estive aí há dois anos atrás e não queria sair mais! O mar me encanta, os oceanos todos e todos os seres que nele habitam. Realmente, antes tudo era um só continente, a Pangea, e o grande oceano Pantalassa tomava conta de todo o espaço. O continente começou a se fraturar em grandes pedaços, dividiu oceanos, e o homem chegou para "organizar" e nomear tudo a seu jeito. O oceanário é lindo, e em minha próxima viagem a Lisboa, será passagem obrigatória outra vez!!!!

    Beijinhos Ruthia e uma boa semana!

    Bia <º(((<

  17. Prof Rosi Oliveira 9 Dezembro, 2015 em 19:07 - Responder

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  18. Calu B. 10 Dezembro, 2015 em 10:22 - Responder

    Ruthia,
    este é mais um dos meus passeios listados pra próxima visita, que com certeza, farei por aí.Ficamos, na época, marido e eu tão interessados em compor os passos dos nossos antepassados que deixamos de ver espaços formidáveis como o Oceanário.
    Tudo bem…está reservado pra próxima ida à Lisboa que espero seja em breve.

    Bjos,
    Calu

  19. Existe Sempre Um Lugar 10 Dezembro, 2015 em 16:54 - Responder

    Boa tarde, lindas fotos do maior oceanário da Europa.
    AG

  20. Jussara Neves Rezende 13 Dezembro, 2015 em 21:09 - Responder

    Tive oportunidade de passar uma tarde inteira no oceanário, Ruthia! E voltaria! daí imaginar a alegria do Pequeno Explorador!
    🙂

  21. Poções de Arte 21 Dezembro, 2015 em 13:45 - Responder

    Que passeio memorável! Impossível não se encantar.
    Apaixonei pelos pinguins!

    Que Deus esteja com vc e toda a família neste Natal!
    Que todas as bênçãos do nascimento de Cristo perdurem em todos os dias do novo ano e que vocês possam estar sempre aos pés dEle, pois é o único que pode nos dar a alegria verdadeira, aliviar nossas dores e nos dar a vida eterna.
    Boas Festas!

    Abraços, Márcia.

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