Discreta, pequena, serena. Os dias primaveris alongam-se em Berna, a capital suíça, entre intermináveis jogos de xadrez e as brincadeiras de Finn, Björk e Ursina, a família de ursos que acaba de acordar após um longo Inverno

Do alto do Rosengarten, o grande e perfumado jardim com 220 tipos de rosas, avistamos toda a península medieval de Berna, envolvida nas generosas curvas do Aare. Entre as casas antigas de arenito, destaca-se a torre da catedral, a mais alta em território helvético.

Outros pináculos seculares rasgam o horizonte, sendo o mais famoso o da antiga torre de defesa construída pelo duque Berchtold V, fundador da cidade no século XII. Transformada depois do grande incêndio de 1405, a Zytglogge ostenta hoje um belo relógio astronómico que atrai multidões para verem um galo, um urso ou um bobo da corte anunciarem o fim de cada hora.

Começa aqui o centro histórico, uma jóia do urbanismo medieval reconhecida pela UNESCO como Património da Humanidade em 1983. A charmosa avenida que parte da Zytglogge é ladeada por arcadas que se prolongam numa extensão de 6 km, transformando-a na maior avenida comercial coberta da Europa.

As lojinhas sucedem-se, cada uma mais pitoresca que a outra, somadas aos cafés, bares e barbeiros subterrâneos que vão abrindo as portas de madeira a meio da manhã (recordem outro relógio, em Praga, aqui).

 

© www.bern.com. O relógio astronómico indica data e semana, as estações e as fases da lua, a posição da Terra na sua órbita e os signos

A fachada da Catedral tem uma linda cena do Juízo Final que sobreviveu à limpeza da reforma protestante

 

É precisamente debaixo da arcada, no número 49 da Kamgrasse, que paramos para visitar um lugar muito especial: a casa do Einstein. Toda a gente sabe que ele era alemão, mas viveu muito tempo na Suíça, país que lhe deu cidadania. Foi neste pequeno apartamento em Berna que Einstein viu nascer o primeiro filho legítimo e revolucionou a percepção do tempo e do espaço, com a sua teoria da relatividade.

Aposto que a equação E=mc2 ainda provoca pesadelos a muitos alunos.

O Museu Histórico de Berna, frequentemente chamado de Museu do Einstein, tem uma exposição permanente muito mais completa, mas a casa oferece-nos uma imagem mais pessoal do cientista, do cachimbo à sua paixão pela música.

Regressamos às ruas, matando a sede numa das 200 fontes coloridas da Renascença espalhadas pela cidade, caminhando para a ponta da península até chegar à atracção mais inusitada de Berna: o BärenPark, Parque dos Ursos.

 

 

Pai finlandês, mãe dinamarquesa, filha suíça

As mascotes da cidade são três ursos-pardos (Berna poderá derivar de bär, urso em alemão) e passam o dia a comer, a nadar e a brincar ali nas margens do límpido rio Aare, num parque com seis mil metros quadrados inaugurado em 2009. Uma  margem de segurança separa o casal e a sua cria, Ursina, dos visitantes que ficam, ainda assim, surpreendentemente perto.

Porquê o urso?

Diz a lenda que quando a cidade estava em construção foi lançado um desafio – o primeiro animal caçado nas redondezas baptizaria a nova urbe. Logo o duque se lançou numa caçada na enorme floresta da região, regressando com um urso, que se tornou símbolo da cidade, hoje presente na bandeira e brasão. As duas personagens, urso e caçador, enfeitam uma das fontes de Berna, em frente à Torre do Relógio.

 

Ursos de Berna, na Suíça

Não acham que estes ursos deviam estar na floresta, onde pertencem?

Gravura do antigo fosso dos ursos da cidade de Berna

 

No século XIX, existia pelo menos um destes animais no fosso da cidade, que os habitantes iam visitar e alimentar com frequência (o fosso ainda pode ser visto, ao lado do novo parque). A crescente consciência ecológica pressionou as autoridades a criarem melhores condições para a mascote.

O carinho por estes ursos é notório, os bernenses acompanham a sua vida mesmo à noite, já que o parque tem câmaras de infravermelhos e, quando a família ursina foi de férias de Verão entre Abril e Outubro de 2015, por causa da construção de um elevador no parque, todos sofreram com saudades.

Os tratadores também os mimam ocasionalmente, com iogurte e nutela (!???), o que me causa muita estranheza, já que os ursos comem sobretudo frutas e verduras, algum mel e peixe.

Entretanto, outros ursos multiplicam-se pela cidade. A caminho do Parlamento Suíço, por exemplo, existe um “urso da sorte”, em pedra. Diz-se que, quem lhe toca tem sorte pelo menos até ao fim do dia. Os suíços são bons a controlar expectativas, não acham?  Nada de grandezas.

 

 

Casa de Einstein (site) | todos os dias 10h-17h | bilhete: 6 CHF (adulto), 4.5 CHF (criança)
Museu Einstein (site) | terça a domingo 10h-17h   | bilhete: 18 CHF / 8 CHF (crianças a partir dos 6 anos)
Parque dos Ursos (site) | todos os dias, mas no Inverno os ursos hibernam | entrada livre

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