Grandes portões e muros de pedra altíssimos escondem uma das mais belas quintas vinhateiras portuguesas: a Quinta da Aveleda. Em plena Rota do Românico, a quinta de “Velledas” é uma epifania de história, botânica e vinho

Há mais de 300 anos que gerações da família Guedes produzem frescos vinhos verdes, incluindo o mundialmente famoso Casal Garcia, para além de queijos, compotas e a aguardente Adega Velha, na penumbra de uma adega centenária, onde teias de aranha cobrem pipas cheias de líquido cor de âmbar.

A quinta carrega o nome das profetisas “Velledas” que, na tradição germano-celta, previam o futuro e por isso eram sacrificadas aos deuses… será que morou por aqui uma dessas sibilas? Mas o charme desta quinta minhota, perdida em Penafiel, vai muito além de lendas medievais.

Os românticos jardins da Aveleda recebem-nos com uma explosão primaveril. A luxuriante vegetação – que motivou o prémio Best of Wine Tourism na categoria de «Arquitectura, Parques e Jardins em 2011 (aqui) – é pontuada por espécies raras, sequoias americanas, castanheiros-da-índia, cedros japoneses, ciprestes dos pântanos e também um monumental eucalyptus globulus com mais de 200 anos.

Junto à antiga entrada, uma peculiar Casa do porteiro parece directamente teletransportada de uma fábula de La Fontaine. É uma das várias follies, devaneios arquitectónicos sem função específica, espalhadas pela propriedade.

Estes delírios sucedem-se a uma velocidade estonteante: eis uma torre de três andares para as alegres cabras anãs, logo depois uma janela manuelina do século XVI, onde D. João IV terá sido aclamado rei, posteriormente oferecida a um elemento do clã Guedes que a plantou aqui no Minho. Adiante, no meio do lago onde um cisne exaltado protege a sua fêmea, eis uma Casa de Chá vitoriana, decorada com répteis em faiança portuguesa.

Muitos portugueses ilustres escolheram a quinta para veranear, rendendo-se aos encantos singulares da Aveleda. Por exemplo, o príncipe herdeiro Luís Filipe de Bragança (filho de D. Carlos I) e o seu aio, Mouzinho de Albuquerque, almoçaram numa das mesas do jardim, em Outubro de 1901.

Prosseguimos pelo perfumado caminho das azáleas, passando pela gaiola das rolas do tempo da Condessa de Pangim – filha do vice-rei da Índia e ilustre consorte de um Guedes – até à Fonte de Nossa Senhora da Vandoma, padroeira do Porto.

© aveledaportugal.pt

A casa senhorial, de finais do século XIX e coberta de trepadeiras, surge por entre o burburinho das águas. A culpa é da Fonte das Quatro Estações, onde se gravaram perfis de algumas senhoras da Aveleda no mármore, numa linda homenagem!

Entramos agora no edifício da Adega Velha, que guarda a aguardente homónima, embalada por cantos gregorianos e pela semi-obscuridade. Servirá a melodia para enganar a década que permanecerá nas pipas de carvalho francês? Ali repousa também a venerável garrafa, trazida da Rússia dos czares, que inspirou a bebida espirituosa da Quinta da Aveleda.

Sentamo-nos, por fim, numa bela varanda alcandorada sobre hectares infindáveis de vinha para provar os vinhos e o queijo.

A marca possui 205 hectares de vinha, 184 ha na região demarcada de vinhos verdes e 21 na região da Bairrada, de que resulta os seus vinhos centenários reconhecidos internacionalmente, como provam medalhas de ouro e prata conquistadas em Berlim, Paris  ou Bruxelas : Aveleda (verde e Douro), Casal Garcia (verde, Douro tinto, sangria e espumante), Charamba Douro, Aveleda Follies e Grande Follies.

Alongamo-nos em brindes, entre brancos e rosés, soltando a conversa até ser hora de voltar para o autocarro, rumo ao Porto e a novas aventuras.

Localização

A Quinta da Aveleda fica em Penafiel, a cerca de 38 km do Porto (A4 em direcção a Amarante/Vila Real), 66 km de Braga e 47 km de Guimarães (pela A11).

Site: aqui | Bilhete: 6€ (adulto, com prova de vinhos, valores do Verão de 2017)

Horário das visitas guiadas (com marcação prévia) | Verão: seg-sáb 10h00, 11h30, 15h00, 16h30  | Inverno: seg-sáb 10h00, 11h30, 14h30, 16h00

 

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