O santuário do Bom Jesus de Braga foi classificado património mundial da UNESCO este Verão. Vamos conhecer os segredos deste monte que une arte e natureza, devoção e história

Em várias partes do mundo há tentativas de repetição deste Bom Jesus do Monte (ou Bom Jesus de Braga), um dos destinos mais procurados quer pelos bracarenses, quer pelos turistas que visitam a cidade dos arcebispos.

Ali fica o funicular mais antigo do mundo, escadarias “infinitas”, fontes e estátuas barrocas. Tudo embrulhado num manto de vegetação e de história que se estende por cinco séculos. Este Verão todo o conjunto – sacro monte, capelas, fontes, estátuas alegóricas e basílica – foi considerado um bem de excepcional valor universal.

O Palácio Nacional de Mafra também entrou para a lista na mesma ocasião, elevando para 17 os bens portugueses classificados pela UNESCO, entre património material (ex. mosteiro da Batalha, centro histórico de Guimarães…) e imaterial (o que inclui o fado e o cante alentejano). A minha amiga Marlene escreveu um post sobre o assunto: Palácio Nacional de Mafra é Património da Humanidade!

escadórios do Bom Jesus

573 escadas para chegar ao santuário

De regresso à capital do Minho, Braga, para recordar que este santuário só surgiu no século XIX, por iniciativa de um bispo visionário, mas o local teve duas ermidas anteriores. Começamos a visita transpondo o arco de 7 metros, para nos lançarmos na subida de 116 metros. Por algum motivo se vê o santuário do centro da cidade. Tudo começa no Escadório do Pórtico, com 376 degraus.

Segue-se o Escadório dos 5 sentidos, que começa junto à Fonte das Cinco Chagas. Em cada lanço de escadas existe uma fonte: uma estátua a expelir água pelos olhos representa a visão, segue-se a audição, o olfacto, o paladar e, por último, uma estátua com as duas mãos a segurar uma bilha simboliza o tacto.

Depois surge o Escadório das Virtudes, de estilo neoclássico. As suas fontes aludem à fé, esperança e caridade. Mas a subida ainda não terminou. Estamos no Largo do Pelicano, ladeado por belíssimos jardins barrocos e a estátua de São Longuinho. Diz-se que este centurião conduziu Cristo ao Calvário, mais tarde converteu-se e acabou beatificado.

Reza a lenda que qualquer menina solteira que dê três voltas à estátua, em silêncio, no prazo de um ano “passará ao rol das casadas”.

E chegamos finalmente ao adro, com a famosa basílica e, provavelmente, o objectivo final de quem aceita o desafio de subir os 573 degraus. Ali encontra um conjunto de personagens ligadas à Paixão de Cristo, como Herodes, Pilatos ou o José de Arimateia.

fonte no escadório dos 5 sentidos

funicular do Bom Jesus

Santuário do Bom Jesus do Monte

Há alguma alternativa, menos penosa, de chegar à basílica desenhada pelo arquitecto bracarense Carlos Amarante? Sim. De carro, até a um parque de estacionamento muito perto do adro (cada carro paga 1€ de acesso). Ou de funicular e, sobre este engenho, tenho que acrescentar uma palavra ou duas.

Mais conhecido por Elevador do Bom Jesus, foi projectado por Niklaus Riggenbach, executado pelo engenheiro Raul Mesnier du Ponsard, e inaugurado em 1882. Este funicular hidráulico é um exemplo de engenharia único na Península Ibérica. Também é o mais antigo do mundo ainda em actividade. O bilhete de ida custa 1,5€, enquanto ida e volta fica por 2,5€ (preços no Verão de 2019).

Vencida a subida, é tempo de visitar a igreja de linhas simples e superfícies neoclássicas, que é o mesmo que dizer, sem os exageros barrocos que encontramos nas escadarias. Junto à entrada do elegante templo há um nicho de cada lado, com os profetas Jeremias e Isaías.

Na varanda do primeiro piso, que é rasgado por grandes janelas com vitrais, velam os quatro evangelistas. S. Marcos apresenta-se com um leão, S. Mateus com um anjo, S. Lucas com um touro e S. João com uma águia. Vocês sabiam que estes eram os símbolos deles? Foi algo que aprendi na pesquisa para este post.

No interior existem várias imagens de Cristo, o corpo de S. Clemente (um soldado romano martirizado) e uma capela repleta de relíquias, ou seja, recordações físicas de vários santos. Podem conhecer todos os detalhes no site da Confraria do Bom Jesus, bem como o horário das missas.

interior do santuário do Bom Jesus

gruta do Bom Jesus

Grutas, jardins e comemorações

O passeio no Bom Jesus do Monte não terminou. Falta explorar os jardins envolventes, com vários recantos, começando pelo miradouro com uma vista soberba sobre a cidade. Aqui instalaram um monóculo alemão, no século XIX, que deu origem à expressão “ver Braga por um canudo”.

Uma lojinha de estampas, pequenos caramanchões, uma gruta artificial e alguns hotéis foram surgindo em volta, à medida que a fama do santuário se espalhava pelo mundo. O histórico Hotel do Parque, por exemplo, é uma excelente opção para quem visita Braga e pretende um hotel tranquilo (a alguns quilómetros do centro da cidade). Outras alternativas são o Hotel do Elevador (4 estrelas), o Hotel do Templo (4 estrelas) ou o Hotel do Lago (3 estrelas).

Ao lado do santuário fica a gruta, onde as estalactites artificiais gotejam continuamente, tornando este um recanto fresco mesmo nos dias mais quentes. Muitos visitantes lançam moedas ali, na esperança de realizar um qualquer desejo. Este é o ponto de partida para o parque de influência romântica, com um lago e várias fontes de água. À sombra de frondosas árvores vai descobrir mesas de pedra, que convidam a um piquenique, e também um parque infantil.

ver Braga por um canudo

No final da visita, os carros têm que seguir até à estrada que liga Braga ao Santuário do Sameiro, o ponto mais alto da cidade. Na descida final para a estrada, um caminho calcetado, existe um fenómeno estranho. Os carros em ponto morto começam a recuar em marcha-atrás, parece que contrariando a força da gravidade. Há quem diga que é ilusão de óptica, há quem diga que é um fenómeno magnético.

Eu não sei explicar. Certo é que há alguns vídeos no youtube no local, num deles, o condutor chega a sair do carro. Eu própria já experimentei várias vezes, o carro ganha velocidade e temos que travar.

Este é o Bom Jesus de Braga, um espaço de espiritualidade e poesia, que a UNESCO reconheceu como excepcional. A notícia feliz foi comemorada por todos os sinos da cidade e a festa ainda não terminou. No próximo dia 13 de Setembro, a classificação como património mundial é festejada com um concerto, gratuito, da fadista Mariza.

Como chegar

O Bom Jesus fica a cerca de 5 km do centro da cidade. Para subir as escadarias ou usar o funicular, deve-se estacionar junto ao elevador. Na estrada do Bom Jesus, deve cortar à esquerda junto das placas elevador/S. Pedro/igreja. Encontrará bastantes lugares de estacionamento, gratuitos.

Existe um autocarro (ônibus) que passa no centro da cidade e pára neste ponto. É o autocarro nº 2 da TUB – Transportes Urbanos de Braga. Pode consultar o horário aqui. Quem deseja parar mais perto da igreja, pode estacionar o carro no interior do recinto, pagando 1€ por veículo.

lago no Bom Jesus do Monte

Este post faz parte do 8on8, um projecto colectivo que une lindas viajantes em volta de um tema comum, no dia 8 de cada mês. Espreitem os restantes textos sob o tema “Lugares património da UNESCO”, inspirem-se e partilhem:

Turistando.in: Patrimônio Mundial UNESCO na ItáliaEntre Polos: Acrópole de Atenas – Uma Viagem à Grécia ClássicaTravel Tips Brasil: Bath Inglaterra – o que fazer na cidade?Let’s Fly Away: [8on8] Nara Japão: roteiro de viagem para se encantarDestinos por onde andei… A Última Ceia de Leonardo Da Vinci – MilãoMulher Casada Viaja: As Cinque Terre da Ligúria, Itália

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