A Lagoa de Óbidos – o sistema lagunar mais extenso da costa portuguesa – é bastante procurada no Verão. Mas é no Outono e Inverno que revela toda a sua riqueza, com a vantagem de estar bem mais tranquila

É a lagoa que beija o mar ou o mar que a abraça? Separada do Oceano Atlântico por um cordão de dunas, a Lagoa de Óbidos mistura água doce e salgada, criando um ecossistema interessante. Muito procurada no Verão, pelas suas águas calmas, é no tempo mais frio que a lagoa se enche de vida.

No Outono é pit stop para várias aves durante as suas jornadas migratórias (i.e. maçarico-galego). No Inverno, concentra muitas aves aquáticas, nomeadamente barulhentas famílias de patos-reais e os engraçados mergulhões-de-pescoço-preto. Mas não é preciso ter interesse em bird watching, para apreciar a linda Lagoa de Óbidos, a cerca de 15 minutos da homónima vila medieval.

Este é um lugar perfeito para caminhadas, passeios de bicicleta, um piquenique ou simplesmente almoçar. Tivemos oportunidade de a conhecer um pouco melhor, durante a última aventura em família na região [Óbidos com com crianças: ginjas, muralhas e diversão]. Foi num jipe todo o terreno que a equipa da Great West nos levou por trilhos medievais e sedutores recantos da lagoa, com paragens nos spots mais bonitos.

ermida de Santo Antão

O percurso começou na ermida de Santo Antão, construída para cumprir um voto de D. Antão Vaz Moniz, guerreiro que integrou a “ala dos namorados” em Aljubarrota. Aqui, onde o fidalgo acabou os seus dias como eremita, se celebra a maior romaria de Óbidos, a 17 de Janeiro, com uma vista incrível para o castelo e muita comilança.

Foi no Braço da Barrosa que tivemos o primeiro contacto com o esplendor da Lagoa. Existe um segundo braço, chamado do Bom Sucesso e, em tempos, um terceiro terá banhado a muralha de Óbidos. Possivelmente, foi por aí que os romanos conseguiram ocupar a povoação, até então ocupada pelos celtas.

De volta à Lagoa de Óbidos, onde o silêncio permitiu fotografar um pequeno pilrito. Como é que eu sei, perguntam vocês?! E perguntam muito bem, porque sou completamente leiga no assunto. Acontece que tivemos a sorte de encontrar o ornitólogo Paulo Cunha, que nos ensinou umas coisitas.

ave na Lagoa de Óbidos

O feliz encontro aconteceu junto da torre de observação perto da foz do Rio Real, onde já foram observados os raros ganso-de-faces-pretas e cisne-mudo. Foi o Paulo Cunha que nos explicou que os flamingos que víamos eram juvenis, porque ainda mantinham a penugem acinzentada. Já na despedida, o destino presenteou-nos com um corvo-marinho de faces brancas, a secar as asas ao sol da manhã!

Seguimos depois até ao Covão dos Musaranhos, onde conversámos com alguns pescadores e conhecemos as bateiras, os compridos barcos tradicionais da Lagoa de Óbidos, com fundo raso. A apanha de bivalves é uma das principais actividades económicas da região, mas a Lagoa fornece outras iguarias.

Voltaríamos ali precisamente para almoçar, depois de conhecermos a tranquila poça das Ferrarias, passar pela pitoresca aldeia da Lapinha, com as suas casinhas coloridas, e ver o mar a unir-se à lagoa.

#dica: a Great West oferece várias experiências 4×4 off road, em Óbidos ou outros locais da região Oeste (este pela Costa da Rainha deve ser bem giro). Todos os tours são personalizáveis; no nosso caso, o percurso terminou com uma visita à fábrica de ginjinha Oppidum.

jipe da Great West

Explorar a Lagoa de Óbidos de barco

O Covão dos Musaranhos carrega o nome de uma criatura, metade humana, metade peixe, que terá sido avistada por ali. Lendas à parte, este é um lugar fantástico para uns banhos no Verão: dizem que neste cantinho as águas são mais quentes.

Na época alta, é possível alugar um caiaque ou fazer paddle. Existem opções para a prática de windsurf, vela e parapente, mais perto da vila de Foz do Arelho, já no concelho das Caldas da Rainha. É que, não sei se já vos disse, mas a Lagoa de Óbidos é grande.

Depois de conhecer a Lagoa por terra, um passeio de barco com a Intertidal ofereceu toda uma nova perspectiva dos seus quase 7 km2. A formação em Biologia do Miguel Castro saltou à vista, à medida que somos conduzidos, num barco ecológico e confortável, pelos segredos da lagoa.

Sabiam que aqui vivem 52 tipos de peixes, inúmeras aves aquáticas (incluindo 5 espécies com estatuto de conservação delicado), lontras e algumas espécies endémicas de anfíbios, para além de mais de 100 espécies no fundo da lagoa, nomeadamente bivalves?

passeio de barco na Lagoa de Óbidos

As aves são as únicas que se deixam avistar com facilidade, com a ajuda de potentes binóculos. Por exemplo, o Miguel apresentou-nos o “velho”, uma garça-real idosa que é ajudada por outra mais jovem, a quem procura como a um amigo de longa data.

Apontou também as estacas de madeira que restam de um cais palafítico, usado por D. Maria I e outros monarcas nas suas excursões de caça. A realeza sempre frequentou a região: os pescadores da lagoa salvaram o príncipe D. Pedro de ali morrer afogado, episódio que, provavelmente, mudou a história de Portugal e do Brasil.

Apesar de descontraída (o pequeno explorador adorou conduzir o barco por breves instantes), a visita tem uma componente ecológica forte, daí o ICN reconhecer a Intertidal para actividades de turismo na Natureza. Afinal, a Lagoa de Óbidos, como todas as lagoas costeiras, é um ecossistema sensível que sofre com a pressão humana.

#dica: para além de passeios de barco, a empresa organiza aventuras de caiaque ou stand up paddle para explorar a Lagoa de Óbidos e outras actividades mais radicais na Natureza, em vários pontos do país, nomeadamente cursos de sobrevivência (não é uma prenda gira para oferecer ao marido?)

pescador na lagoa

As bateiras, barcos típicos da lagoa, são compridas e têm o fundo raso.

Dicas úteis para explorar a Lagoa de Óbidos

Como chegar à Lagoa

De Lisboa: a lagoa fica a cerca de 96 km da capital. Siga pela A8 até à saída nº 13 (em direcção a A-da-Gorda e Peniche), continue pela N8, e depois vire à esquerda para a N114 e, na primeira rotunda que encontrar, corte à direita para a M573. Em caso de dúvida, siga as direções para Foz do Arelho.

Do Porto: siga pela A1 até Aveiro, onde deve apanhar a A17 (saída 16). Perto da Marinha Grande, convergir para a A8, apanhando depois a saída 18 para a N360, em direcção a Caldas da Rainha. A partir daí, seguir as instruções abaixo.

Das Caldas da Rainha: cerca de 10 km separam o centro da cidade da lagoa. Para alá chegar, siga pela N360 durante alguns quilómetros, para depois virar à esquerda na Rua Maldonado Freitas (avista o parque de campismo à esquerda). A partir daí, as possibilidades multiplicam-se, já que existem vários pontos com acesso à lagoa.

De Óbidos: seguir pela EM575 e, cerca de 2 km depois, virar à direita para a Rua 8 de Dezembro. A estrada estreita chegará, cerca de 3,5 km percorridos ao Braço da Barrosa, que é o ponto da lagoa mais próximo da vila medieval.

lagoa junto ao mar

Ponto onde a Lagoa de Óbidos se encontra com o mar

Onde comer

Nós almoçámos no Covão dos Musaranhos, num restaurante com o mesmo nome, com uma vista sobre a Lagoa de Óbidos. O lugar é agradável e honra as iguarias saídas da Lagoa: amêijoas (que provámos, maravilhosas), o lingueirão, e as enguias, que são a especialidade da casa, fritas ou em ensopado.

Infelizmente tínhamos o tempo de almoço contado, pelo que não provámos as enguias, mas as sardinhas que nos serviram estavam impecáveis. Para crianças que não gostem de peixe, há bifanas e outros tipos de snacks, para além de uma boa mousse de chocolate. O serviço, esse, podia ser mais simpático.

resultado da pesca

Onde ficar

Nós ficámos vários dias no agradável Josefa d’Óbidos Hotel, junto à muralha medieval da vila. Recentemente renovado, o hotel de quatro estrelas possui um pequeno-almoço fantástico e um ambiente familiar, que prima pela simpatia. Fomos instalados na suite azul, com uma cama gigante e um sofá-cama que acolheu o Pedro com bastante conforto.

Os quartos de diferentes tipologias (duplos, twins e triplos) e as 2 suites estão divididos em três alas, independentes entre si. A oferta inclui um quarto adequado a visitantes com mobilidade reduzida, um recanto de leitura inspirado na filosofia do book crossing #josefabookcrossing, bar, restaurante e duas esplanadas.

O hotel oferece algumas promoções interessantes, que vão do fim-de-semana romântico ao pacote de noite e experiência de escape tour, numa das torres do castelo de Óbidos.

Outros passeios na Região Oeste

O Turismo do Centro tem várias sugestões mas, se quer ler as nossas experiências pessoais, espreite: Caldas da Rainha, a terra do Zé Povinho, O maravilhoso mosteiro da Batalha, Bacalhôa Budha Éden: o jardim da paz, As grutas de Mira de Aire e Dino Parque da Lourinhã, para mini paleontólogos.

flamingos na Lagoa de Óbidos

Flamingos na Lagoa de Óbidos

Nota: esta viagem foi realizada a convite de várias empresas de turismo da região de Óbidos, a quem agradecemos a hospitalidade. Como sempre, as opiniões expressas são sinceras e resultantes da nossa experiência pessoal

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