A maior das nove ilhas que formam os Açores tem paisagens impressionantes, um clima avariado, pessoas simpáticas de sotaque quase incompreensível, comida farta e genuína. Apanhem boleia neste roteiro pelos sabores micaelenses.

Depois de conhecermos as maravilhas naturais da ilha (aqui, aqui e aqui) e também a sua capital, Ponta Delgada (aqui), é altura de nos sentarmos à mesa para degustar as maravilhas micaelenses. Muitos dos produtos aqui descritos podem ser encontrados no Mercado da Graça, em Ponta Delgada. Eis 10 iguarias, sem qualquer ordem de preferência, que vos farão babar teclados.

#1 Ananás

Presença obrigatória à mesa, como sobremesa ou incorporado em licores, compotas e cheesecakes, o ananás é um dos produtos açorianos mais famosos e docinhos.

Esta cultura foi introduzida nos Açores em 1850. As plantas são cultivadas em estufas de vidro caiado de branco, em “camas quentes” que procuram recriar as características dos climas húmidos e quentes de onde o fruto é originário. São quase dois anos de cuidados, até os ananases estarem no ponto para serem comidos.

Alguns produtores permitem a visita gratuita às estufas, para observar as várias etapas da produção do fruto, que aqui é biológico.  Nós visitámos a Quinta Augusto Arruda, mas existem outras na região da Fajã de Baixo, a 5 ou 6 km de Ponta Delgada.

 

 

#2 Chá

“Pode saborear-se, jamais exprimir-se, a doce tranquilidade que se fica devendo a uma boa chávena de chá”, afirmou Kien-Long.

As plantações de Camellia sinensis fazem parte da paisagem de São Miguel desde o século XIX, sendo o único local onde se produz chá na Europa. É possível visitar as duas fábricas na encosta norte da ilha – Gorreana e Porto Formoso – plantações e maquinaria que origina o chá dos Açores, preto e verde, 100% biológico.

Como referi noutra ocasião, a minha preferida é a fábrica familiar Porto Formoso, com instalações mimosas e um acompanhamento ao visitante que merece ser elogiado. É o lugar ideal para a pausa tranquila cantada pelo imperador chinês.

 

#3 Queijadas da Vila

E para acompanhar a bela chávena de chá, que tal uma queijada? Este doce tradicional e conventual – nascido no Convento de Santo André – tem tradição secular. Existem várias casas em Vila Franca do Campo que vendem as ditas queijadas, mas as mais afamadas são as do Morgado, apesar do atendimento na confeitaria não ser o mais simpático (ou tive azar). As ditas também estão disponíveis em todos os supermercados da ilha.


 

#4 Cozido das Furnas

Mais não é do que o Cozido à Portuguesa com algumas variantes locais, como o inhame e a batata-doce, cozinhado no calor do chão vulcânico. Ora como demora cerca de seis horas debaixo da terra, o mais prático será mesmo optar por um restaurante, com reserva prévia, porque a procura é grande. Os turistas vão ao Tony’s ou a outro grande restaurante do centro comê-lo, já os micaelenses vão ao Restaurante Vale das Furnas, no parque de campismo, ou fazem o seu próprio cozido (custa 3€ usar um dos buracos para o efeito).

Sobre o famoso cozido pouco posso dizer já que, como muitos de vocês sabem, não como carne mas garantiram-me que o cheiro a enxofre não interfere com o sabor do prato.

#5 Bolo Lêvedo

A pequena localidade das Furnas é também o sítio certo para provar o bolo lêvedo, um pão redondo e achatado, com um sabor doce mas leve, que tanto se come simples como se usa para fazer sanduíches e hambúrgueres.

Os bolos lêvedos da Glória Moniz são os mais genuínos, fofos e tradicionais. Fizemos lá uma paragem estratégica que comprar um carregamento deles, que nos durou o resto da semana.

 

 

#6 Peixe e marisco

A geografia açoriana tem influência directa na sua gastronomia, ou seja, usa muito peixe e mariscos. As opções são muitas, da sopa de peixe do Cantinho do Cais (Ribeira Grande) aos bifes de atum, passando pelo peixe grelhado da região da Caloura.

O meu top três é constituído pelos míticos chicharrinhos do Mané Cigano, o bife de atum d’A Tasca, envolto em sementes de sésamo, com mostarda e maionese caseiras, e as lulas picantes do Restaurante Vale das Furnas que, para além de divinas, chegaram a um preço muito simpático.

Vale a pena alongar-me sobre o Mané Cigano, nome artístico da Cervejaria Sardinha. Dele se diz que é referência mundial na arte de fritar chicharros (carapaus) e que é um dos melhores restaurantes de Ponta Delgada. Restaurante não. Tasca. Com balcão de alumínio e paredes de azulejo, o empregado que serve a uma velocidade supersónica, os calendários, os galhardetes dos clubes, e o cantinho da fama, que ostenta as fotografias dos famosos que por aqui passaram, atraídos por esta comida genuína, despretensiosa, a preços acessíveis.

O menu escrito à mão numa folha de papel tem pouco uso porque aqui comem-se sobretudo os chicharros fritos, panados em farinha de milho. Chegam à mesa dourados e ladeados de inhame, batata, pimenta da terra, feijão branco assado e cebola curtida. Vale a pena chegar cedo, porque não se aceitam reservas, só se servem almoços e existem poucas mesas.

 

 

#7 Fofas da Povoação

Típico da Vila da Povoação, este doce de massa fina faz lembrar o éclair. O recheio é um creme de baunilha, a que se soma ainda uma trança de chocolate em cima, a modos de enfeite. Não consegui que me explicassem a origem do nome tão pitoresco. Se alguém souber a história, queira fazer o favor de partilhar.

#8 Pimenta da Terra

Os pratos da ilha são tendencialmente picantes e a causa é esta “pimenta da terra”, uma pasta feita de malagueta local, de cor vermelha, sabor intenso e picante. É utilizada em guisados, fritos, sopas, enchidos, pratos de peixe e carne, sendo igualmente muito comum como acompanhamento do queijo da ilha.

 

Queijo da ilha com pimenta da terra e amêndoa torrada. A acompanhar, Kima de Maracujá, outro ícone dos Açores

#9 Licores

“O sabor dos Açores numa garrafa” é o lema d’A Mulher do Capote, uma marca com longa tradição na produção de licores de frutos naturais e aguardentes. A empresa por detrás da mulher do capote é também a responsável pelo licor de maracujá Ezequiel, famoso na história e tradição dos Açores e com seis medalhas de ouro internacionais.

Se um dia voltar à ilha, com certeza visitarei a fábrica e as suas plantações de maracujá na Ribeira Grande. Ali fica também uma das lojas da marca, onde comprei uma série de garrafas em miniatura (já sabem, voei em low-cost) para oferecer. Os meus sabores preferidos foram o licor de amora e o de arroz doce (sério, servido fresco e com canela em cima, como se da sobremesa se tratasse).

O longo capote de tecido grosso azul-escuro, de influência flamenga, era uma moda nos séculos XVII e XVIII. Era utilizado pelas mulheres nobres quando saíam à rua, simbolizando o poder, económico e social, da sua família. Actualmente o capote faz parte do traje académico da Universidade dos Açores e é usado nos grupos folclóricos.

 

 

#10 Vacas felizes

A “ilha das vacas felizes” é o magnífico slogan criado por uma marca de leite açoriana. O clima chuvoso do arquipélago é o responsável pelas pastagens verdejantes e, em consequência, por um leite inigualável produzido por vaquinhas que vivem sem stress, poluição, em paisagens dignas da realeza. Porque as vacas não vivem felizes para sempre, para além do leite e queijo de sabor forte, as ilhas são também conhecidas pela qualidade da carne…

O queijo da ilha de S. Jorge é mais conhecido, mas São Miguel também produz um queijo fresco muito agradável, que pode ser encontrado em qualquer restaurante ou na lojinha “Rei dos Queijos”, junto ao Mercado da Graça, em Ponta Delgada.

Para os carnívoros não tenho dicas pessoais, mas os micaelenses recomendam sobretudo o Restaurante da Associação Agrícola (em Rabo de Peixe, na costa norte da ilha) ou o Restaurante Alcides (Ponta Delgada) para quem quer apreciar um bom bife de genuína carne açoriana.

Todas as localizações no mapa, abaixo, que criei para vocês. Bom apetite!

 

©Associação Agrícola de São Miguel

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