A Casa da Música do Porto foi apontada pelo The Guardian como um dos destaques da arquitectura do século XXI. Vamos conhecer melhor o edifício que simbolizou o Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura?

Casa da Música: um estranho poliedro de 17 lados e 40 metros de altura que sobressai entre as fachadas tradicionais, junto à rotunda da Boavista, no Porto. O edifício inquietante foi ali “plantado” há 15 anos, perante os olhares desconfiados dos portuenses. Se o seu nascimento foi polémico, hoje os habitantes reconhecem a sua Casa da Música como um ícone inconfundível da cidade.

Bastam uns minutos a pé da estação de metro até a entrada principal do edifício, que parece ter vindo de um universo paralelo. Previsto com um dos grandes projectos do Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura, acabaria por ser inaugurado em 2005, com uma considerável derrapagem financeira.

Apesar de tudo, a criação de uma casa para todas as músicas, com a assinatura do holandês Rem Koolhaas, atraiu a atenção mediática. O New York Times considerou-a uma das mais importantes salas de espectáculos construídas no último século, ao lado de espaços como o Walt Disney Concert Hall (Los Angeles), o Museu Guggenheim (Bilbao) e a Berliner Phillarmonie (Berlim).

E, recentemente, o jornal britânico The Guardian incluiu a Casa da Música numa lista que pretende distinguir o melhor da arquitectura do século XXI: o edifício futurista surge em 7º lugar e é o único representante português.

Nós tivemos a oportunidade de assistir a alguns concertos neste lugar impressionante e também de fazer uma visita guiada, por ocasião do 10º aniversário. E um dia destes queremos voltar, para almoçar no terraço de azulejos geométricos, com uma vista incrível sobre a cidade invicta.

[Leia também Porto: um roteiro clássico | Porto sem gastar um tostão |Porto com crianças]

 

rotunda da Boavista

A escultura ao fundo comemora a vitória britânico-portuguesa (leão) sobre as tropas napoleónicas (águia).

 

O interior da Casa da Música

O vanguardismo da fachada continua no interior, com betão, alguns pisos em alumínio e muito vidro, em lugares estratégicos, para captar luz natural. É o caso do foyer nascente com um pé-direito de 17 metros, que permite a entrada de luz na sala principal e converte o Porto num lindo cenário de fundo.

A transparência é alcançada através de placas gigantescas de vidro que, muitas vezes, substituem paredes inteiras. Li algures que parece que o holandês queria “contar um segredo aos poucos”. Esta casa é versátil e pode ser “vivida” de muitas maneiras, mas o tema central é a música e isso norteou cada pormenor.

Rem Koolhaas incluiu também alguns detalhes que evocam a arte portuguesa neste edifício contemporâneo. É o caso dos azulejos da sala VIP (piso 6) – que representam as fachadas do Porto – e da talha dourada na Sala Suggia (pisos 2 e 3). Aliás, para homenagear os períodos mais relevantes da história da música, o arquitecto colocou dois órgãos de tubos falsos entre os elementos decorativos da sala: um referente à época barroca e outro ao período romântico.

 

Salas de concerto: sala Suggia e sala 2

A Sala Suggia – em homenagem à célebre violoncelista portuense – é o coração da Casa da Música. Quem foi Guilhermina Suggia?

Era apenas uma jovenzinha quando se apresentou em Lisboa para a Rainha D. Amélia. Qual é o sonho da sua vida? perguntou-lhe Sua Majestade. Guilhermina respondeu que queria aperfeiçoar a sua música no estrangeiro. E o sonho tornou-se realidade, pois foi-lhe concedida uma bolsa real e ela rumou à Alemanha, acabando por se tornar uma celebridade mundial.

Guilhermina revolucionaria o grande violoncelo em técnica, sonoridade e até na própria posição de tocar. Sim, porque as boas maneiras ditavam que o instrumento não devia ser tocado por mulheres, por ser colocado entre as pernas. Ela recusou colocar o violoncelo de lado e adoptou publicamente a posição mais confortável, apesar de algumas orquestras, como a BBC, proibirem a contratação de intérpretes femininas por esse motivo. Simples assim.

 

concerto

Orquestra “Som da Rua” no 10º aniversário da Casa da Música.

 

De volta ao grande auditório, de quase 1300 lugares, refira-se a sua excelência acústica: o som chega com toda a clareza à última fila. O projecto acústico foi assinado pelo também holandês Renz van Luxemburg, um dos maiores especialistas em sonoridade de ambientes.

“Todos os materiais de revestimento foram escolhidos com essa preocupação: contraplacado de pinho nórdico para paredes e tecto; vidro curvo para compensação e divergência de ondas sonoras; e um tecido para as cadeiras que imita a presença humana até 70% de ocupação da sala.”

A belíssima sala que ocupa dois pisos tem detalhes lindos: as paredes revestidas de madeira têm relevos dourados, que provocam uma perspectiva dramática.  Graças às sete janelas que ligam a Sala Suggia ao exterior e a outros espaços, esta é a única sala de concertos do mundo onde se pode tocar música com luz natural suficiente para a leitura de partituras.

Existe ainda a Sala 2 (piso 5), que acomoda 300 pessoas sentadas ou 650 em pé, e é mais multifacetada. As paredes e o tecto possuem um revestimento avermelhado e as cadeiras, roxas, são uma homenagem a um designer português dos anos 70. 

 

 

Melodias da Casa da Música

A Casa da Música transformou o bairro da Boavista, mas também o contexto cultural da cidade invicta. O objectivo da casa de todas as melodias sempre foi combater o elitismo artístico e conseguiu-o, com uma programação eclética, que vai da música clássica à electrónica.

Se ali foi batido o recorde do Guinness para maior conjunto de cordas a tocar em simultâneo, com 321 músicos a interpretarem Tchaikovsky e Lecomte (Março de 2011), é ali também que se fazem ciclos de música femininos, e o jazz e a música contemporânea encontram espaço para se apresentarem aos portuenses.

A agenda variada resulta, em parte, da existência que quatro grupos residentes: a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, o Coro Casa da Música, a Orquestra Barroca Casa da Música e o grupo contemporâneo Remix Ensemble Casa da Música. Mas não esqueçamos as crianças que, graças ao serviço educativo, têm acesso a muitas experiências musicais: na Digitopédia, podem até compor e partilhar música.

 

 

 

Informações úteis

Site aqui | Horário da bilheteira: Seg.-Sáb. 9h30-19h00, Domingos e feriados 9h30-18h00

Visitas guiadas: dois horários por dia (11h e 16h), com duração de uma hora e disponíveis em português e inglês. Preço: 7,5€ (adulto), grátis até aos 12 anos (uma criança por cada adulto portador de bilhete). Mais informações aqui.

Estacionamento: existem 644 lugares, distribuídos pelos pisos -1, -2 e -3, com preços especiais para quem vai assistir a um concerto na sala Suggia (2,5€) ou vai almoçar ou jantar.

 

Casa da Música

 

Este post faz parte do projecto colectivo 8on8, que une lindas viajantes em volta de um tema comum, no dia 8 de cada mês, limita-nos a 8 fotos. Espreitem os restantes textos sob o tema “Marcos arquitectónicos”, inspirem-se e partilhem:

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Let’s Fly Away Duomo de Florença: tudo para você visitar e se encantar 

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