Os pequenos viajantes estão em casa, mas continuam a sonhar com viagens? Alimente esse sonho com livros que permitem explorar o mundo, através da imaginação. Vamos transformar estes dias numa aventura

Se as actuais circunstâncias mexem connosco, adultos, o que dizer das crianças? A mudança drástica das rotinas pode gerar ansiedade aos nossos filhos. É por isso que a Direcção Geral de Saúde criou um “espaço criança”, com dicas de actividades e inspiração para as famílias. O objectivo é proteger o equilíbrio emocional dos mais novos, durante o isolamento imposto pela pandemia da Covid-19.

Ler é uma das actividades propostas, claro. Sabem porquê? Porque este prazer, tão negligenciado neste mundo digital, estimula a criatividade, as habilidades linguísticas, exercita o cérebro, fortalece a capacidade de concentração, aumenta a curiosidade, enquanto ensina as crianças sobre si, os outros e o mundo. No site do Plano Nacional de Leitura, encontra vários livros digitais gratuitos.

A literatura infantil de viagens não é particularmente rica, no mercado português. Ainda assim, há vários livros que despertam a curiosidade dos pequenos viajantes sobre outros lugares e culturas.

Acho que já perceberam que, aqui em casa, somos fãs dos livros e de viagens [leiam também Livros para viajar sem sair de casa]. Pelo que hoje unimos duas paixões. Eis alguns livros infantis para os pequenos viajantes:

 

livros infantis para viajar

Livros infantis para viajar

1. Atlas das Viagens e dos Exploradores (Isabel Minhós Martins, Planeta Tangerina, +7 anos)

Esta obra, distinguida com o Prémio Não Ficção da Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha (2019), lança um desafio: imaginar como seria viver num mundo sem mapas ou GPS.

Há poucos séculos, não conhecíamos os limites do planeta e muitas áreas do mundo continuavam isoladas. Desconhecíamos não apenas as terras e as espécies que existiam noutras regiões, mas também as outras pessoas e as suas culturas. Até que alguém se fez ao caminho rumo ao desconhecido, de burro, de camelo, de barco ou a pé.

As explorações de monges, botânicos, comerciantes, marinheiros ou artistas permitiram conhecer melhor o planeta e outros povos. Estes viajantes são as personagens principais do livro que, ao longo de 11 histórias, recupera a velha ideia do atlas (o livro tem mapas lindos). O livro começa 350 anos antes de Cristo, com Pytheas, geógrafo e matemático que saiu do Mediterrâneo e se aventurou até ao norte da Europa, e termina com Mary Henrietta Kingsley, uma das poucas mulheres exploradoras, que viajou sozinha até à África Ocidental no século XIX.

Pelo meio travamos conhecimento com o frade Giovanni da Pian del Carpini, que já tinha 60 anos quando o Papa o encarregou de fazer uma grande viagem para se reunir com o chefe supremo dos mongóis e recolher informações sobre os seus costumes e as tácticas militares.

Saiu de Lyon (França) no domingo de Páscoa de 1245. Após 106 dias e quase cinco mil quilómetros, chegou a Qaraqorum, onde aprendeu muito. Após um regresso duro, atravessando a Ásia central coberta de neve, chegou a Kiev, em Junho de 1247, para descobrir que todos o julgavam morto.

 

atlas para pequenos viajantes

2. Uma Aventura (Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Editorial Caminho, +7 anos)

A série Uma Aventura, da dupla de professoras-autoras, acompanhou-me durante a infância e continua a inspirar jovens leitores a novas descobertas. O tema principal não é a viagem, mas as aventuras do Pedro, Chico, João e das gémeas (a somar aos cães Caracol e Faial) permitem conhecer várias localidades portuguesas.

Há aventuras no Algarve, Porto, Evoramonte, Açores, Palácio da Pena, Serra da Estrela, Ribatejo (onde se percebe se ainda há cavalos selvagens e touros bravos), Lisboa, Quinta das Lágrimas, Douro e Minho, Madeira, Conímbriga…

A colecção tem um total de 61 títulos, todos recomendados pelo Plano Nacional de Leitura, e transporta os pequenos leitores a diversos recantos de Portugal e também do mundo (França, Espanha, Egipto, Macau, ilha de Timor, Amazónia).

3. Explorar Lisboa (I Play my city, +3 anos)

Este livro-mapa-caça ao tesouro tem a cidade de Lisboa como cenário. Ao todo, são 10 as histórias e percursos propostos pelo kit, com o objectivo de explorar a capital portuguesa em família. Enquanto não é possível ir para o terreno recolher as pistas, podem sempre ir lendo as curiosidades sobre Lisboa.

O livro/jogo pedagógico permite aos pequenos viajantes descobrirem os segredos mais divertidos dos bairros da capital. Por exemplo, sabiam que já houve um leão no Jardim da Estrela? Que o primeiro quiosque lisboeta se chamava Elegante e ficava no Rossio? E que servia orchatas, capilés e leite perfumado? Sabiam ainda que o interior do Elevador da Glória foi iluminado com velas até ao final do século XIX?

Os mapas são complementados com um livro cheio de histórias, curiosidades e soluções, que fazem dos pais uns sabichões. Nós testámos o Explorar Lisboa em vários pontos da cidade, experiência que podem ler, por exemplo, em  O Explorador da Estrela.

Percursos propostos: 1 Belém – 2 Da Casa dos Bicos ao Castelo – 3 Chiado – 4 Da Graça a Santa Clara – 5 Do Príncipe Real à Glória – 6 Dos Restauradores ao Marquês de Pombal – 7 Do Cais do Sodré à Praça do Comércio – 8 Jardim da Estrela – 9 Do Carmo à Baixa – 10 Jardim da Gulbenkian

 

explorar Lisboa

4. Pop up, City trails e outras (Lonely Planet, várias idades)

A maior editora de guias de viagem do mundo tem várias colecções para o público infanto-juvenil, embora poucas estejam disponíveis em português. Se os seus filhos já compreendem inglês, ou não se importa de ir traduzindo, talvez lhe possa interessar a série Adventures around the world (6- 8 anos) ou City Trails (9-12 anos).

Em City trails, os pequenos leitores juntam-se às aventuras do Marco e da Amélia, descobrindo segredos, histórias e surpresas em várias cidades do mundo: Barcelona, Londres, Paris, Nova Iorque, Roma, Tóquio, Sydney, Washington DC e Singapura. Há por lá pirâmides humanas, ovos dançantes, uma escola de bruxas e outras descobertas surpreendentes.

A série Pop Up (3-5 anos) também pode ser engraçada para os mais novos, até porque tem pouco texto: o factor uau é garantido pelos principais monumentos saltarem, em pop up, das páginas. Existe um Pop up London, Paris e Nova Iorque (em inglês).

Uma série bem interessante, infelizmente ainda não toda disponível em português de Portugal, é Proibido para Adultos (Leya, +10 anos). São dois livros bem ilustrados que investigam a história, os costumes e segredos de Londres e Paris, numa linguagem fácil. Tudo bem misturado com ilustrações, fotos e desenhos em formato de scrap book.

 

guias de viagem para crianças

 

5. As aventuras de Tintim (Asa, +7 anos)

Livros de banda desenhada podem ser muito divertidos e convencer os mais reticentes a pegarem num livro. Entre tantas colecções possíveis, escolhi as aventuras do jovem repórter e viajante belga porque é uma das preferidas do meu filho. Acho que foi o humor das personagens que conquistou o Pedrinho. Em Portugal, o primeiro país não francófono a publicar As Aventuras de Tintim, há pelo menos 24 títulos.

Uma das bandas desenhadas europeias mais populares do século XX, traduzida para mais de 50 línguas, esta série de histórias de Hergé tem fantasia, mistério, espionagem e ficção científica. É verdade que alguns dos títulos são polémicos, nomeadamente Tintim no Congo, que continua a gerar protestos, mesmo após ter sido redesenhado e reescrito para “adoçar” a sua visão colonialista.

Mas há outros títulos que transportam os miúdos para destinos exóticos (como o Peru ou o Tibete) e, lá pelo meio, até podem encontrar personagens portuguesas. Há um Oliveira de Figueira, comerciante lisboeta, que em Os charutos do faraó vende as suas mercadorias no deserto de Khemed, um país fictício. Em A Estrela Misteriosa há um físico da Universidade de Coimbra que participa numa expedição.

 

6. Brasileirinhos (Lalau, Editora Cosac Naify)

Incluí esta colecção de quatro livros de poemas, porque são uma ternura e permitem às crianças conhecerem a fauna e flora do Brasil (estão escritos em português do Brasil). Conduzidos pela poesia de Lalau e pelas ilustrações de Laurabeatriz, a que se somam informações científicas, os pequenos leitores desbravam a mata numa enorme aprendizagem ecológica.

É que muitos dos protagonistas estão em risco de extinção. É o caso do tatu-canastra (o maior e mais raro tatu), da cobra periquitamboia que vive na Amazónia, do jacaré-de-papo-amarelo, da queixada, do macuco, da arara-azul – que inspirou o famoso filme de animação – ou da ariranha. Podem encontrar esta colecção na Amazon brasileira e alguns trechos das obras aqui.

Outra dica para quem quer apresentar o Brasil e os seus povos nativos às crianças é Poeminhas da Terra (com muito vocabulário de origem tupim) ou Doze Lendas Brasileiras: como nascem as estrelas (Clarice Lispector), com contos inspirados no folclore brasileiro.

 

 

 

Jogos e outras aventuras

Temos mais algumas sugestões, para os dias de isolamento ou de férias, quando os miúdos estão em casa aborrecidos. Para além das leituras, há jogos e actividades que levam as crianças em aventuras momentâneas.

Por exemplo, a Leya lançou uma revista digital gratuita do Astérix, com pranchas de banda desenhada, jogos e actividades, que mostra a famosa aldeia gaulesa a cumprir também o isolamento recomendado. A ideia partiu da editora oficial da colecção Astérix, alguns dias após a morte de Uderzo, ilustrador e co-criador da série.

O museu das Marionetas do Porto organizou uma Temporada Primavera em Casa, programa gratuito que todas as quartas-feiras estreia um espectáculo (fica online durante uma semana). Já o Cinanima – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho criou um canal aberto no Vimeo, no qual encontra 21 curtas-metragens.

O Dino Parque da Lourinhã promove sessões “Dinos & Paleontólogos”, através da plataforma Zoom, durante os próximos sábados,. O objectivo é crianças e pais aprenderem mais sobre o fantástico mundo dos dinossauros e da Paleontologia.

 

revista Astérix

Excerto da revista Astérix

 

Também é possível partir à aventura em Portugal e no mundo (real, histórico ou imaginário) através de jogos de tabuleiro. Há o I Love Portugal (2-5 jogadores), em que os jogadores assumem o papel de turistas enquanto viajam e tiram fotos pelas terras e monumentos de Portugal, ou Lisboa (1-4 jogadores), jogado num mapa real da capital, para reconstruir Lisboa após o grande terremoto de 1755.

A época dos Descobrimentos inspirou Sail to India (3-4  jogadores), sobre a descoberta do caminho marítimo para a Índia, e o Navegador (2-5 jogadores). Acrescente-se ainda 10 days in Europe (2-4 jogadores), para explorar o velho continente por terra, ar ou mar, e Tokaido (2-5 jogadores), onde os jogadores atravessam uma das estradas mais magníficas do Japão, saboreiam refeições requintadas, coleccionam objectos, descobrem templos e lugares selvagens.

Têm mais aventuras e livros para propor aos pequenos viajantes? Deixem nos comentários.

 

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