Há menos de um mês, uma massa de ar frio vinda da Sibéria colocava Portugal sob aviso laranja, por causa do frio e da chuva. Altura mais que perfeita para explorar o ponto mais alto de Portugal continental, coberto por um belo manto branco.

Dizem que Aldebaran ou Aldebarã, a estrela mais brilhante da constelação de Touro – uma gigante vermelha de tamanho absurdo, pelo menos 153 vezes mais luminosa que o nosso sol – nasce sobre a Serra que, por isso, se chama Estrela. O seu nascer na alvorada, aconteceria, de acordo com registos arqueológicos, em finais de Abril, altura em que os pastores subiriam a serra com os seus rebanhos.

Este passado ligado à pastorícia migratória confunde-se com inúmeras e deliciosas lendas (como esta e esta), que emprestam poesia a este lugar perfeito. Um lugar que tem fenómenos geológicos únicos, a segunda maior cadeia montanhosa do país, fauna e flora extraordinárias, gastronomia farta, um queijo forte e famoso. Um presente único embrulhado no ar mais puro, capaz de sacudir a modorra das nossas vidinhas.

A Estrela atinge a máxima altitude, 1993 metros, junto à Torre, o ponto mais alto de Portugal continental (suplantado pelo Pico, nos Açores) que é partilhado por três municípios: Covilhã, Manteigas e Seia. Porque gostamos de números redondinhos, construiu-se uma torre que colocou as estatísticas nos dois mil metros.

Os nevões regulares ao longo do Inverno tornam a serra irresistível para os amantes de esqui e snowboard. Mas há muito mais para ver e explorar na região.

 

 

Como chegar

A Serra da Estrela fica na região centro de Portugal, a uma distância simpática desde Lisboa (cerca de 2h30), Coimbra ou Porto (cerca de 2 horas), mas também relativamente perto de cidades espanholas como Madrid ou Salamanca.

De Lisboa: seguir pela A1 até à A23. Apanhar a saída Covilhã/Serra da Estrela.

Do Porto: apanhar a A1 em direcção ao sul, depois a A25. Pode sair na saída 18 (perto de Viseu) e continuar pela estrada nacional ou continuar até à A23 e sair na Covilhã. Se sofre com enjoos, sugiro a segunda opção.

De comboio ou autocarro: quer a rede de comboios quer a Rede de Expressos/Citiexpress/Transdev chegam à Covilhã, de onde se pode alugar um carro para subir à serra. Contudo, não é fácil conduzir em estradas estreitas, com imensas curvas, por vezes com fraca visibilidade por causa do nevoeiro. Se for um condutor experiente que não se atrapalha sob estas condições extremas, não se esqueça das correntes para a neve.

Onde ficar

Na nossa recente estadia, ficámos no Tryp Covilhã Dona Maria Hotel, na Covilhã, uma unidade hoteleira de quatro estrelas com uma linda vista sobre o vale da Cova da Beira e as montanhas.

O hotel oferece acesso gratuito à internet, Spa, piscina interior, ginásio, um bar simpático com lareira, garagem coberta. No geral, a estadia foi simpática. O sinal de internet, a variedade do pequeno-almoço e o estacionamento gratuito são pontos positivos. Pelo contrário, a experiência ao jantar não foi a melhor e para acedermos à piscina tivemos que passar por corredores frios, sem as condições de isolamento que se espera de um hotel às portas da Serra da Estrela.

Durante a estadia, tivemos livre acesso à piscina (fiz uma aula de hidroginástica muito boa, palmas para a treinadora) e ao ginásio, do qual não temos opinião formada, porque não usámos. No sábado à noite, havia música ao vivo no bar, um pianista agradavelmente talentoso. Contudo, no primeiro andar, conseguíamos ouvir a música no quarto, que durou até tarde.

 

Sabores serranos

Após uma experiência medíocre no restaurante Conde Julião, não voltámos a comer no hotel, excepto ao pequeno-almoço.

Escolhemos regressar ao Restaurante Cozinha d’Avó, onde já tínhamos estado no passado (recordem o post aqui) e reconciliámo-nos com a cozinha beirã. O caldo verde aveludado e o bacalhau com broa na telha são opções seguras. A refeição é rematada pela mesa de doces, ao estilo buffet, que é uma perdição: inclui o queijo da Serra e os doces locais.

Na estância de esqui teceram rasgados elogios à Quinta da Amoreira, onde a especialidade são as carnes maturadas, ou seja, carnes que passam por um processo de amaciamento que as torna super tenras. Se já experimentaram, deixem a vossa opinião nos comentários.

Para os amantes de peixe, sugerimos um desvio até Manteigas. A região é conhecida pelos seus viveiros de trutas, que aproveitam as águas frias e ricas em oxigénio da montanha para produzirem as melhores trutas-fário e trutas-arco-íris.

Depois há o amanteigado, gordo e planturoso Queijo da Serra, que se espalha quando abrimos uma brecha na sua casca de marfim velho. O nome não engana. A produção artesanal faz-se do leite das ovelhas serranas, guardadas pelo gigante cão da serra (que mantêm enclausurados em algumas aldeias da região, em pequenas gaiolas, para os turistas comprarem ou simplesmente verem. Um horror sem tamanho).

 

 

Emoções na neve

A única estância de esqui de Portugal fica perto da Torre, onde se registam as temperaturas mais baixas do país, com mínimas que podem chegar aos -20°C, muito de vez em quando. Quando o tempo não ajuda, a estância produz neve artificial, permitindo desfrutar das pistas durante 120 a 150 dias por ano.

Experimentámos as instalações há pouco tempo e foi uma aventura familiar divertida, ainda que não propriamente barata. Entre aluguer de equipamento, o preço do forfait – uma espécie de cartão electrónico obrigatório que garante o acesso aos meios mecânicos, como tapetes rolantes, teleski e telecadeira da Torre – e a aula de iniciação, foi uma extravagância que não podemos repetir muitas vezes por Inverno.

Sem a aula, acho que teríamos passado mais tempo no chão do que a esquiar, ou a tentar esquiar, no meu caso, haha.

Mas há sempre a opção de usar os omnipresentes trenós de plástico, sem gastar um tostão, fazer um boneco de neve, ou um anjo no chão que, afinal, não é assim tão giro, quando nos levantamos encharcados!

Estância de esqui: site | Preços: aluguer de equipamento de esqui (25€/pessoa); forfait/dia 22€ (adulto), 15€ (criança); aula de esqui 55€ (para 3 pessoas/1 hora); preços especiais para famílias.

 

© Turistrela

O que fazer nas redondezas

Nos concelhos à volta da Serra da Estrela há lindas aldeias que merecem uma visita. Já dedicámos vários posts às aldeias de pedra, com castelos e muralhas e história, que se escondem na solidão da Beira Interior.

No distrito da Guarda, aguarda-nos Sortelha, onde a Knorr filmou a sua publicidade às sopas, Figueira de Castelo Rodrigo, Almeida com a sua praça-forte ao estilo Vauban, ou Marialva que emocionou Saramago:

“este conjunto de edificações em ruínas, o elo misterioso que as liga, a memória presente dos que viveram aqui, que subitamente comove o viajante, lhe aperta a garganta e faz subir lágrimas aos olhos. Não se diga aí que o viajante é um romântico, diga-se antes que é homem de muita sorte (…)” (in A Viagem a Portugal).

No distrito vizinho de Castelo Branco podemos encontrar Belmonte, a terra natal do navegador Pedro Álvares Cabral, conhecida também pela sua comunidade judaica; Alpedrinha que nos surpreende com um palacete barroco ou Penha Garcia, com uma rota onde tropeçamos em icnofósseis de trilobites, com 500 milhões de anos!!

 

 

Quem parou em Manteigas para almoçar, vai descobrir que esta pequena vila no vale glaciário do Zêzere tem paisagens belíssimas e lugares fantásticos para piqueniques, na Primavera e Verão.

Para uma visita mais urbana, há sempre a Covilhã, às portas da serra, com o seu centro histórico e o surpreendente Museu dos Lanifícios. Para além disso, sugiro um percurso pelas obras de arte urbana do Woolfest, que já mereceram um post inteirinho.

Sem esquecer o Museu do Pão, em Seia. Infelizmente, ainda não foi desta que o conheci: a confusão de carros e gente no caminho de acesso fez-nos desistir da visita. Mas um dia destes remedeio a falha.

 

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