Estudos recentes recomendam “banhos de floresta” às mentes ansiosas do século XXI. Mas não é preciso andar a abraçar árvores para sentir a paz de um jardim. Eis alguns jardins em Portugal que vale a pena conhecer, para bem da nossa saúde mental

A dar crédito à versão bíblica, o Jardim foi a primeira obra do Criador no planeta Terra. O Deus-arquitecto foi o primeiro paisagista, nomeando Adão como seu jardineiro. Parece que nos esquecemos – sobretudo quem mora em grandes cidades – de como as plantas transmitem serenidade.

O sábio Cícero disse que se tivermos uma biblioteca e um jardim temos tudo. Conheço poucas pessoas com uma biblioteca digna desse nome, ou mesmo um jardim. Aos comuns mortais “encaixotados” em apartamentos resta os jardins públicos. E há-os verdadeiramente belos, pulmões citadinos que nos permitem uma fuga ao stress.

Durante as minhas deambulações, conheci parques e jardins maravilhosos. Mas para este 8on8 de Agosto, dedicado ao tema “Parques e jardins”, escolhi apenas jardins em Portugal, continental e insular.

 

1. Jardins da Gulbenkian (Lisboa)

Começamos este passeio na capital, num jardim de influência alemã que é uma referência para a arquitectura paisagista portuguesa. Se planeia visitar alguma exposição na Fundação Calouste Gulbenkian, reserve tempo para conhecer também os jardins. O acesso é livre.

O lugar onde hoje se localiza a Fundação, no centro de Lisboa, foi uma das portas da cidade. Começou por ser uma quinta com um palácio, jardim, pomar, horta, vinhas e campos agrícolas. No século XIX foi adquirida por um conselheiro de Estado, que transformou o espaço com a ajuda de um jardineiro suíço. Depois, já no século XX, passou a pertencer à Fundação Calouste Gulbenkian.

O Jardim que hoje encontramos, frondoso e envolvente, possui mais de 230 espécies de plantas e muitos passarinhos. Ali encontra recantos tranquilos para ler e namorar, e também grandes extensões para as crianças correrem. Pode ainda desfrutar de alguns eventos artísticos, como concertos, ou actividades interessantes como garden sketching (em Setembro há algumas sessões programadas).

 

Jardins da Gulbenkian em Lisboa

© hortodocampogrande.pt

2. Budha Garden (Bombarral)

Na pacata vila do Bombarral, a cerca de 70 km de Lisboa, junto à herdade de uma famosa marca de vinhos, o Bacalhôa Budha Eden define-se como um jardim da paz. Diz-se que é o maior jardim oriental na Europa, é certamente um dos mais bonitos em Portugal.

O ambiente zen é dado pelo conjunto de Budas que repousam junto à escadaria central. O maior, com 21 metros, está preguiçosamente deitado. Perto fica o lago central, com auspiciosos peixes koi. Encontrará também trilhos hindus e um exército de 700 guerreiros de terracota, em homenagem aos originais de Xian, que vão mudando de cor e local.

Noutra extremidade do jardim existe uma dimensão africana, com espécies exóticas esculpidas em metal e um jardim de estátuas que homenageiam a tribo Shona do Zimbabwe. E também uma área contemporânea, com centenas de instalações e esculturas, como o másculo torso de Botero. Leia com mais detalhe sobre este jardim: Bacalhôa Budha Éden, o Jardim da Paz

 

Buda Garden é o maior jardim oriental da Europa

3. Parque de Serralves (Porto)

A Fundação de Serralves é uma conceituada instituição cultural com um parque envolvente de 18 hectares que vale a pena explorar. São vários espaços interligados – jardins formais, matas e uma quinta tradicional que até tem vaquinhas – enfeitados com várias esculturas.

É o caso da colher de jardineiro de Oldenburg & van Bruggen. Várias metrópoles contam já com uma escultura gigante e colorida desta dupla de artistas: a universidade de Yale tem um baton vermelho, Chicago um taco de basebol, o Museu Guggenheim em Bilbao tem um canivete, Tóquio um serrote, a Noruega vários pioneses…

Mas voltando ao Parque, diga-se que foi projectado pelo arquitecto Jacques Gréber nos anos 30 do século XX e que se inspirou nos jardins franceses, nomeadamente o de Versailles. Pode conhecer este parque através de uma actividade programada ou de um simples passeio, num dos vários percursos disponíveis.

Existem ali espécies autóctones (como o teixo, que está em risco de extinção) e exóticas, incluindo sequóias da Califórnia, liquidâmbares, cedros-do-Atlas ou castanheiros da Índia. Cada estação lhe dá uma nova roupagem, mas eu gosto sobretudo do Outono, quando as folhas vermelhas criam um charmoso tapete nas grandes alamedas. A visita ao Parque inspirou o post: Serralves, a casa rosa e o jardim francês de Blanche

 

Os agradáveis Jardins de Serralves

4. Quinta da Aveleda (Penafiel)

Em plena Rota do Românico, uma das mais belas quintas vinhateiras portuguesas está semi-escondida atrás de altos muros de pedra. Neste espaço pode conhecer a história da empresa familiar que produz vinhos verdes há mais de três séculos, provar alguns vinhos (incluindo o famoso Casal Garcia) e a sua aguardente Adega Velha.

Mas o melhor deste passeio é a visita aos românticos jardins. A luxuriante vegetação motivou o prémio Best of Wine Tourism na categoria de “Arquitectura, Parques e Jardins” (2011). Provavelmente, como eu, não conseguirá identificar as espécies raras – sequóias, cedros japoneses, ciprestes dos pântanos e também um eucalipto com mais de 200 anos – mas apreciará a tranquilidade do jardim.

Visitei a Quinta duas vezes e sei que o jardim assume rostos distintos em cada estação do ano. Na Primavera parece que entrámos numa fábula de La Fontaine, com a casa do porteiro emoldurada por uma explosão de flores e as azáleas que perfumam o ar. Conheça melhor o espaço em Aveleda: história e vinho verde

 

jardins da Quinta da Aveleda

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5. Bom Jesus do Monte (Braga)

O santuário do Bom Jesus do Monte foi notícia recentemente, graças à sua classificação como Património da Humanidade da UNESCO. Escrevi sobre ele no post 8 Igrejas para conhecer em Braga. Uma extensa escadaria, enfeitada com esculturas e fontes barrocas, conduz os fiéis à igreja. Muitos bracarenses fazem esta subida ao domingo de manhã, como parte do exercício semanal.

Mas o acesso é facilitado por um engenhoso funicular movido a água, do século XIX. Dizem que é o mais antigo do mundo ainda a funcionar com o sistema de contrapeso de água. No topo do sacro-monte fica um dos recantos mais agradáveis e frescos de Braga.

Ao lado do santuário existe um grande parque que convida a um passeio, logo depois de subir o monte, percorrer a via-sacra e apreciar um gelado. Ali encontra um lago com barcos a remos para alugar (se precisar de um momento romântico, não hesite), grutas, trilhos… Enfim, um espaço agradável para toda a família.

 

lago do Bom Jesus, em Braga

 

6. Festival de Jardins (Ponte de Lima)

Um pouco mais a Norte, já no Alto Minho, vale a pena conhecer o Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima, na margem direita do rio. Distinguido com um Garden Tourism Award, o festival realiza-se há uns 15 anos e estende-se entre Maio e Outubro.

Cada edição tem um tema que inspira os jardins temporários, criados por equipas de jardineiros e paisagistas de vários países. Nós visitamos o espaço quase todos os anos e ficamos sempre deslumbrados com a criatividade das equipas e com os trabalhos das escolas locais. Estou certa que quem pratica hanami, a inspirada arte japonesa de apreciar a beleza efémera das flores, vai adorar o festival.

A edição de 2019 é inspirada em Jardins do Fim do Mundo. Em 2016, escrevi o post Ponte de Lima: jardins do Conhecimento, depois de visitar o evento (foto de entrada do post).

 

7. Jardim Tropical Monte Palace (Madeira)

Deixando o continente para rumar às ilhas, fazemos uma primeira paragem na Madeira. A terra natal do CR7 possui vários belos jardins, mas o nosso preferido é o Jardim Tropical Monte Palace, com vista sobre o Funchal.

A visita inclui ar puro, plantas exóticas, recantos de inspiração oriental e um cálice de vinho da Madeira. Ali encontra uma abundante colecção de plantas exóticas (próteas da África do Sul, azáleas da Bélgica, urzes da Escócia, orquídeas dos Himalaias) mas também as espécies endémicas da Madeira. À entrada existem três oliveiras milenares, plantadas pelos romanos no século 300 a.C. no Alqueva (Alentejo), de onde foram transplantadas, para não ficarem submersas pela barragem.

No meio da vegetação luxuriante passeiam cisnes bravos, patos, pavões, galinhas (incluindo galos de combate da Indonésia) e garças-reais. Tudo entrecortado por painéis de azulejos e outras obras de arte. Existem ainda dois jardins orientais de inspiração Budista. Mais detalhes sobre este pedaço do céu em: Jardim Tropical Monte Palace | Funchal, Madeira

 

O jardim tropical da Madeira é um dos mais belos de Portugal

8. Parque Terra Nostra (S. Miguel, Açores)

Terminamos esta aventura na maior ilha dos Açores, no majestoso Parque Terra Nostra, um dos 10 melhores “retiros verdes” do mundo. O recanto romântico foi idealizado por Thomas Hickling, cônsul dos Estados Unidos, no século XVIII.

O jardim botânico é dominado por uma imponente Casa, em frente da qual fica um lago com água termal férrea. Antes de mergulhar nestas águas, quentes e terrosas, que são o cartão-postal do Parque, vale a pena explorar os 12 hectares, ou pelo menos uma parte. Não deixe de apreciar a gigante colecção de camélias (no Inverno) ou a avenida de imponentes gingko bilobas (no Verão).

Pode recordar esta visita em: Furnas em São Miguel, Terra de Fogo. Conhece outros jardins inspiradores em Portugal? Acrescente nos comentários.

 

Parque Terra Nostra

 

Este post faz parte do 8on8, um projecto colectivo que une lindas viajantes em volta de um tema comum, no dia 8 de cada mês. Espreitem os restantes textos sob o tema “Parques e Jardins”, inspirem-se e partilhem:

Let’s Fly Away: Parque Ecológico Imigrantes: Mata Atlântica em São PauloTuristando.in: Treptower Park: Memorial de Guerra Soviético em BerlimTravel Tips Brasil: Millenium Park ChicagoEntre Polos: Jardim do Sol em Joinville, a Cidade das FloresChicas Lokas: 4 parques na cidade do Rio de JaneiroMulher Casada Viaja: Jasper, Canadá, o pote de ouro no fim da Icefields ParkwayEspiando pelo Mundo: Os magníficos jardins de Peterhof na Rússia

 

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