Enumeramos 10, mas Bruxelas oferece muitos motivos para uma visita breve. É sede das principais instituições europeias, mas a sua “estátua da Liberdade” é um menino a fazer xixi. Tem um átomo gigante e a sua banda desenhada é tão aclamada como os génios flamengos

Ponto prévio. Bruxelas não é propriamente a capital da Europa, como muito marketing apregoa. Se acolhe algumas instituições importantes para o funcionamento da União Europeia (lembrando que nem todos os países europeus fazem parte desta entidade), outros organismos comunitários ficam no Luxemburgo e em França. No máximo, pode ser chamada de “capital política” da União Europeia.

Mas isso não retira encanto à capital belga, berço do Tintin e dos Smurfs, de Rubens e Magritte. Bruxelas apela ao hedonismo. Ali come-se chocolates, waffles e batatas fritas, regadas a cerveja local. Ou não fosse a Bélgica o maior produtor cervejeiro do mundo, tendo em conta a variedade de estilos e sabores. Estima-se que existam mais de 400 tipos, o que transforma a cidade no paraíso dos amantes de cerveja.

Depois há a exuberante Grand Place, o acervo de sonho dos Museus Reais de Belas Artes e os graffiti nas ruas. E como o país é pequeno e compacto, Bruxelas é ponto de partida para conhecer as cidadezinhas de Bruges e Ghent. Vamos lá! Cliquem nos links das respectivas atracções para mais informação sobre preços e horários.

1. Encantar-se com a Grand Place

O coração da capital bate nesta praça histórica, Património Mundial da Unesco desde 1998. Li algures que é a mais bela do mundo. Exageros à parte, a Grand Place é verdadeiramente encantadora, com os seus edifícios setecentistas (sobretudo) e detalhes dourados.

Entre os mais belos destaca-se a Câmara Municipal com a sua torre gótica (Hotel de Ville), a Casa do Rei (Maison du Roi), a casa de Victor Hugo (o Piegon) e as opulentas casas das guildas. Sim, porque este era um centro de negócios, como constatamos através dos nomes das ruas circundantes: Rue au Beurre, Rue du Marché aux Herbes, Rue du Marché aux Fromages

Para além de linda, a praça é muito animada. Os turistas enchem as esplanadas e o chão, formando rodas de amigos que bebem e conversam.

 

2. Explorar o Atomium

Um dos símbolos iconográficos mais poderosos de Bruxelas, o Atomium foi inaugurado para a Expo Mundial de 1958. Portanto, está para a Bélgica como a Torre Eiffel está para a França. Ambos foram criados para uma exposição, provocaram bastante polémica e tornaram-se uma das maiores atracções das respectivas capitais.

O uso pacífico da energia atómica para fins científicos inspirou o edifício, sonhado pelo engenheiro André Waterkeyn. Com 102 metros de altura, o Atomium representa um cristal elementar de ferro, ampliado 165 mil milhões de vezes. A estrutura tem nove esferas (18 metros de diâmetro cada), no interior das quais há várias exposições, com destaque para a que se dedica à própria Expo 58. Fizemos um post específico sobre esta estrutura, que podem ler aqui.

 

3. Comprar chocolates nas galerias Saint Hubert

Outro motivo para visitar Bruxelas são os chocolates. A Bélgica disputa com a Suíça o título de melhor chocolate do mundo (eu ofereço-me para júri). Tudo por culpa da descoberta de cacau no Congo belga, no século XVII. O praliné é o rei da chocolataria belga, mas existem variedades para todos os gostos, ainda que nem sempre caibam em qualquer carteira.

Há imensas casas de chocolate em Bruxelas (as minhas marcas preferidas são a Leonidas e a Neuhaus) mas comprar nas galerias Saint Hubert tem outro charme. Criadas pelo rei Leopoldo I no século XIX, as primeiras galerias comerciais da Europa continuam elegantes, com as montras luxuosas, a cúpula de cristal e os cafés históricos (recordem as igualmente famosas galerias de Milão aqui).

Por exemplo, a brasserie Taverne du Passage foi local de encontro de pintores, escritores como Victor Hugo e Alexandre Dumas e outros artistas. Uma placa comemorativa evoca também a apresentação do cinematógrafo dos irmãos Lumière (1 de Março de 1896) nas instalações do antigo jornal La Chronique.

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Chocolates que parecem jóias

4. Fazer um roteiro inspirado na banda desenhada

As ruas da capital belga honram os seus cartoonistas com murais gigantes e coloridos. Podem passear ao acaso, como nós, e tropeçar nessa arte de rua, ou seguir a Comic Route proposta pelo turismo de Bruxelas.

Depois há o Centro Belga de Banda Desenhada (cêbêbêdê), museu e loja, instalado num lindo edifício art noveau de Victor Horta. Hergé (pai do famoso Tintin), Pierre Culliford (criador dos Smurfs), Maurice de Bévère (Lucky Luke) e André Franquin (Marsupilami e Gaston Lagaffe) são alguns dos artistas homenageados aqui. O pequeno explorador gostou tanto desta visita, que mereceu um post separado: Bruxelas, roteiro inspirado na Banda Desenhada.

Dica: La Maison de la Bande Dessinée, uma loja no Boulevard de l’Impératrice, tem alguns livros BD legendados em português.

 

 5. Conhecer melhor Magritte ou os mestres flamengos

O Museu Real de Belas Artes da Bélgica inclui vários espaços museológicos que, juntos, se traduzem num acervo tremendo. Quem quiser conhecer mestres flamengos como Bruegel, Van Dyck ou Rubens deve escolher o Museu de Arte Antiga. O fantástico edifício neoclássico acolhe uma colecção desde o século XV ao XVIII.

Quase ao lado fica o Museu Magritte, com a maior colecção de um dos melhores artistas belgas do século XX. Estão ali 250 das obras do pintor surrealista, divididas em vários pisos, reflectindo a sua evolução artística ao longo do tempo. Infelizmente, quando o visitámos, várias telas tinham sido emprestadas para uma exposição nos Estados Unidos. Refira-se também que o auto-retrato O Filho do Homem não faz parte do acervo. É aquele do homem de fato e chapéu de coco, com o rosto escondido atrás de uma maçã.

Ambos os museus têm entrada grátis para os portadores do Brussels Card.

 

A Comic route é uma linda forma de conhecer Bruxelas

museu Magritte

6. Chill out no Mont des Arts

Os principais museus ficam no Mont des Arts, uma praça histórica que oferece uma vista incrível sobre a cidade. Aqui vai encontrar um jardim florido com pequenas fontes, a Biblioteca Real da Bélgica e o Centro de Convenções.

O espaço não fica longe da estação central de comboios, prolongando-se entre a Place de l’Albertine e a Place Royale. Daí ao Palácio Real e os seus jardins geométricos também é um pulo.

Há sempre vários artistas de rua e barzinhos para tomar uma bebida com os amigos no Mont des Arts. Nós fizemos como os belgas e deixámo-nos ficar por ali, numa espreguiçadeira, a apreciar a música e o ambiente descontraído.

 

7. Comer waffles como se não houvesse amanhã

O waffle (gaufre, em francês) é a melhor invenção belga de todos os tempos. Não faltam lojas de waffles em Bruxelas como em outras cidades vizinhas. Depois de experimentar um, de entre as mil e uma combinações que vai ver nas montras, vai querer repetir todos os dias. As coberturas podem ser autênticas obras de arte.

O meu preferido? Cobertura de caramelo e amêndoas picadas, do Belgaufra, na Rue Neuve. É uma rede de lojinhas nascida em Liège, em 1950, que se espalhou pelo país e depois pelo mundo.

 

os waffles de Bruxelas

manneken pis

 

8. Ir ver o menino mijão

A dois passos da Grand Place está o célebre e minúsculo Manneken Pis. O menino a urinar, colocado na fonte em 1619 e entretanto substituído por uma cópia, inspirou várias estórias. Alguns dizem que ele salvou Bruxelas de um incêndio com o seu jacto certeiro. Outros asseguram que um rico burguês da cidade perdeu o filho e, quando finalmente o encontrou, a criança mijava tranquilamente.

Vários chefes de Estado oferecem roupa ao Manneken Pis, pelo que o seu guarda-roupa é extenso. Hoje existem mais de 400 trajes no Museu do Hotel de Ville, incluindo de Drácula, Pai Natal e piloto de fórmula 1. No dia em que o conhecemos, este menino vestia o uniforme de um varredor de rua, uma forma de protesto desta classe trabalhadora.

A cidade conta ainda com as estátuas de uma menina, a Jeanneke Pis, (rua Impasse de la Fidélité) e de um cão que urina (cruzamento da Rue des Chartreux com a Rue Saint-Christophe).

 

9. Comer moules e frites

Os moules (mexilhões) são provavelmente o prato mais tradicional da Bélgica. Fazem parte da ementa de quase todos os restaurantes, simples ou com molhos mais ou menos criativos, acompanhados com batatas fritas.

E por falar nesta instituição belga, há roulotes de batatas fritas um pouco por todo lado, com dezenas de molhos disponíveis. O segredo será fritar as batatas duas vezes, para ficarem muito estaladiças. Devo confessar que as minhas batatas não me parecem muito diferentes das belgas.

 

comer mosselen em Bruxelas

10. Ir a Bruges ou Ghent

As duas cidadezinhas são facilmente alcançáveis de comboio a partir de Bruxelas. A viagem demora cerca de 30 minutos para Ghent (Gand ou Gante) e 1h30 até Bruges. Eu estava mais inclinada para visitar a segunda, por ser considerada património mundial, mas a nossa anfitriã defendeu Ghent com tanta tenacidade, que nos aguçou a curiosidade.

A cidadezinha portuária de Ghent, em tempos uma das mais prósperas da Europa, é de facto muito charmosa. Ali conhecemos a obra-prima dos irmãos Van-Eyck Adoration of the Mystic Lamb, um verdadeiro privilégio, fizemos um passeio de barco, provámos os doces neuzen.

Estes são alguns dos motivos que encontrámos para visitar Bruxelas. Acrescentem os vossos, nos comentários abaixo.

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